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Controller Cast #63 – Panorama de Contas a Pagar 2026: o que os dados revelam sobre controle, riscos e estratégia nas empresas brasileiras

Panorama do Contas a Pagar 2026

O contas a pagar costuma ser tratado como uma engrenagem operacional do financeiro. Uma área necessária, mas pouco estratégica. O episódio 63 do Controller Cast mostra que essa visão já não se sustenta — especialmente quando analisamos dados reais do mercado brasileiro.

No bate-papo com Ivan Mello, gerente de Controladoria da Qive, mergulhamos nos bastidores do Panorama de Contas a Pagar 2026, um estudo baseado em mais de R$ 3 trilhões em transações B2B e 314 milhões de documentos fiscais analisados. O objetivo da pesquisa não é prever o futuro, mas revelar como o dinheiro efetivamente circula entre empresas no Brasil — e quais riscos, gargalos e oportunidades aparecem nesse caminho.

O resultado é um alerta claro: o contas a pagar está no centro das decisões de caixa, governança e, em breve, da própria estratégia tributária das empresas.

Abaixo você pode assistir o episódio na íntegra, ou ouví-lo no Spotify.

Você também pode acessar o link oficial do Panorama para consumir o material na íntegra enquanto acompanha o bate papo.

Neste artigo, resumimos os principais pontos do episódio para você:

Como a pesquisa foi construída (e por que isso importa)

Um dos pontos reforçados por Ivan ao longo do episódio é o cuidado metodológico do estudo. O Panorama de Contas a Pagar 2026 tem caráter descritivo, ou seja, ele não tenta explicar “por que” algo acontece, mas mostrar o fenômeno como ele é, a partir de dados reais.

A pesquisa se apoia em três grandes fontes:

O estudo foi organizado em quatro capítulos:

  1. Como as empresas brasileiras pagam entre si
  2. Inconsistências e vulnerabilidades no contas a pagar
  3. Contas a pagar e reforma tributária
  4. O papel estratégico do backoffice financeiro

Essa estrutura permite conectar o dado operacional à discussão estratégica — algo que raramente acontece quando falamos de contas a pagar.

A pesquisa completa está disponível aqui.

Boleto ainda domina os pagamentos B2B (apesar do Pix)

Um dos dados mais curiosos — e contraintuitivos — da pesquisa é a permanência do boleto como principal meio de pagamento entre empresas.

Mesmo com o crescimento acelerado do Pix no Brasil, 69% das transações B2B ainda acontecem via boleto. No estudo anterior, esse número era de 74%, ou seja, houve uma queda, mas o domínio permanece claro.

A leitura apressada poderia sugerir atraso tecnológico. Mas, na prática, o que os dados indicam é outra coisa.

Segundo Ivan, o boleto segue sendo preferido porque ele se comporta como uma entidade de dados. Ele carrega informações estruturadas, é facilmente rastreável e se encaixa melhor em fluxos de aprovação, conciliação e auditoria — algo essencial no ambiente B2B.

Enquanto o Pix prioriza velocidade, o boleto prioriza controle. E, nas empresas, esse trade-off ainda pesa mais para o lado da governança.

Inconsistências que custam caro (e passam despercebidas)

Se o boleto traz controle, ele não elimina riscos. Pelo contrário: a pesquisa mostra que os riscos continuam presentes, muitas vezes invisíveis.

Um dado chama atenção:
6% dos boletos analisados estavam vinculados a CNPJs inexistentes ou divergentes da Receita Federal, somando cerca de R$ 2 bilhões em valores.

Ivan faz questão de destacar que isso não significa, automaticamente, fraude. Mas toda fraude começa com uma inconsistência ignorada.

O problema central não é apenas o erro em si, mas a falta de processos e rotinas capazes de identificar esses desvios antes do pagamento acontecer. No contas a pagar, o dinheiro sai do caixa. Depois disso, recuperar é sempre mais difícil.

Quando o contas a pagar vira um risco silencioso

Ao longo da conversa, fica claro que os problemas no contas a pagar raramente surgem de forma abrupta. Eles crescem aos poucos.

Empresas começam pequenas, com poucos pagamentos, controles simples e muito conhecimento tácito. À medida que crescem, aumentam:

Sem ajustes de processo, o contas a pagar vira o famoso “sapo na água quente”: quando o risco aparece, já é grande demais.

Para Ivan, não existe um “momento mágico” em que o controle se torna necessário. O ideal é que ele exista desde o início, especialmente em empresas onde os sócios têm “skin in the game” — ou seja, o dinheiro que sai é, de fato, deles.

Um processo simples que evita muitos problemas

Entre os insights mais práticos do episódio está a ideia do “pagamento da semana”.

A lógica é simples:

Esse ritual cria foco, reduz distrações e permite que o responsável pelo pagamento pare para pensar antes de executar.

Mais importante: ele devolve protagonismo ao contas a pagar, que deixa de ser apenas operacional e passa a atuar como guardião do caixa.

A falsa separação entre falha operacional e falta de caixa

Outro ponto forte do episódio é a provocação:
falha operacional e falta de caixa costumam ser o mesmo problema, visto por ângulos diferentes.

Atrasos, pagamentos emergenciais, multas e juros raramente acontecem “do nada”. Eles são consequência de:

Quando o contas a pagar funciona no improviso, o caixa paga a conta.

Contas a pagar como área estratégica (e não só operacional)

Na pesquisa de percepção com os profissionais, aparece um dado interessante:
o contas a pagar já é visto como área estratégica, mas com processos imaturos.

Essa contradição ajuda a explicar por que tantas empresas reconhecem a importância do tema, mas ainda patinam na execução.

Ivan levanta uma hipótese importante: esse movimento tem relação direta com a reforma tributária.

Reforma tributária muda o jogo para compras e contas a pagar

Um dos insights mais relevantes do episódio é a conexão entre contas a pagar, compras e crédito tributário no novo modelo fiscal.

Com a reforma tributária, o crédito deixa de ser apenas um tema fiscal e passa a depender diretamente de:

Na prática, compras e contas a pagar passam a ser guardiões do crédito tributário.

Se uma empresa compra de um fornecedor que não gera crédito — ou escolhe mal essa relação — o problema aparece depois, quando o imposto já foi pago e não há mais como corrigir.

2026 é o ano do preparo

Ivan reforça que 2026 é, oficialmente, um ano de testes. As novas tags fiscais já precisam ser utilizadas, mas ainda sem impacto financeiro direto.

Isso não reduz a importância do momento — pelo contrário.

É agora que as empresas precisam:

Quem deixar para 2027 corre o risco de aprender da forma mais cara possível.

Tecnologia não é mais opcional — mas precisa de processo

Ao falar sobre o futuro do backoffice, Ivan traz uma visão clara:
as áreas financeiras caminham para se tornar disciplinas de engenharia de dados regulada.

APIs, automações, integrações e análise de grandes volumes de dados deixam de ser exclusividade da TI. Mas isso não significa “copiar e colar código”.

O recado é direto: tecnologia sem entendimento do processo e da regra de negócio aumenta o risco, em vez de reduzi-lo.

O papel da colaboração (ninguém se prepara sozinho)

Talvez a mensagem final mais forte do episódio seja esta:
não adianta uma empresa estar preparada se seus fornecedores não estão.

A reforma tributária cria um efeito em cadeia. Se um elo falha, o impacto se espalha.

Por isso, compartilhar conhecimento, alinhar expectativas e elevar o nível do ecossistema não é altruísmo — é estratégia.

O que o Panorama de Contas a Pagar 2026 deixa claro

Ao final do episódio, fica evidente que o contas a pagar:

Ele está no cruzamento entre caixa, risco, governança e estratégia tributária.

Empresas que enxergarem isso agora terão vantagem competitiva. As que ignorarem, pagarão a conta — com juros.

Acesse o estudo completo e aprofunde os dados:
https://lp.qive.com.br/panorama-contas-a-pagar-2026/?utm_source=treasy

E se você quer transformar dados em decisões melhores, o primeiro passo é simples: ter visibilidade real sobre para onde o dinheiro está indo — e por quê. Quando o realizado está organizado, integrado ao ERP e conectado ao planejamento, o financeiro deixa de apagar incêndio e passa a antecipar riscos, simular cenários e sustentar decisões melhores. É exatamente esse tipo de base que a Treasy ajuda as empresas a construir no dia a dia. Comece gratuitamente abaixo: