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Controller Cast #64 – Valuation na prática: como PMEs podem usar avaliação de empresas para crescer com mais inteligência

Capa Controller Cast 64

Quanto vale a sua empresa? Essa pergunta, aparentemente simples, esconde uma complexidade enorme — e, para a maioria dos gestores financeiros de pequenas e médias empresas, ela só aparece no pior momento possível: na hora de uma disputa societária, de uma captação emergencial ou de uma negociação de M&A já em curso.

No episódio #64 do Controller Cast, recebemos Rodrigo Garcia, sócio da Investor, empresa especializada em valuation e finanças corporativas, para um papo direto ao ponto sobre como o valuation funciona na prática — e, principalmente, por que ele não deve ficar restrito às grandes corporações.

Esta é a segunda vez que Rodrigo participa do podcast. O primeiro episódio, mais conceitual, abordou as metodologias de valuation em profundidade. Desta vez, o foco é a aplicação no dia a dia: quais situações demandam uma avaliação formal, como a inteligência artificial está transformando o processo e por que ter os dados financeiros bem organizados é o ponto de partida para tudo isso.

Abaixo você confere o episódio na íntegra ou pode ouvir no Spotify:

Compilamos os principais insights do episódio no texto abaixo:

O valuation não é só para quem está vendendo a empresa

Um dos pontos mais valiosos que Rodrigo traz logo no início da conversa é a quebra de um mito muito comum: a ideia de que o valuation é uma ferramenta exclusiva de processos de compra e venda de empresas.

Segundo ele, a avaliação de empresas pode e deve ser usada como ferramenta gerencial. Quando uma empresa faz seu primeiro exercício de valuation, ela se vê diante de perguntas que raramente aparecem na rotina financeira do dia a dia: quais são os principais drivers de receita? Como o mercado enxerga o risco do meu setor? Estou de fato gerando valor ou só crescendo em faturamento?

“O valuation é bom para setar o que os sócios imaginam de valor da empresa. Mas para quem está no gerencial, você vai vendo se está adicionando ou não valor à empresa”, destaca Rodrigo durante o episódio.

Essa provocação interna — de entender continuamente se a operação está gerando valor real — é exatamente o tipo de discussão que sócios e diretores precisam ter com mais frequência, mas que raramente acontece por falta de dados estruturados e de um processo de planejamento robusto.

Quando uma PME deve buscar um valuation?

Durante a conversa, Rodrigo mapeia as principais situações em que as PMEs buscam a Investor. O padrão que emerge é claro: a maioria chega quando a situação já está pressionada.

As situações mais comuns são:

O recado de Rodrigo é enfático: esperar o momento de pressão para cuidar disso é um erro estratégico. “É muito mais difícil refazer tudo no momento do aperto, no momento que eu preciso”, afirma. Começar cedo torna o processo muito mais fluido — e os resultados, muito mais confiáveis.

O que mudou no valuation pós-pandemia

Um dos momentos mais ricos do episódio é quando Rodrigo compara o cenário atual com o de 2019, quando ele e Daniel gravaram o primeiro episódio. A mudança é substancial.

Antes da pandemia, o mercado vivia um período de euforia: capital abundante, múltiplos inflados, unicórnios surgindo em todos os setores e pouca preocupação com geração de caixa. A lógica era crescimento a qualquer custo. Depois, a alta dos juros e a escassez de capital mudaram completamente a régua.

“Antigamente você via a turma comemorando ‘mais um unicórnio’. Agora acho que a euforia é do dividendo. Qual é a sua tese? Sua premissa está bem desenhada?”, resume Rodrigo, descrevendo como investidores passaram a cobrar fundamentos sólidos, capacidade de geração de caixa e uma modelagem de risco bem estruturada.

Essa mudança impactou diretamente a forma como o valuation é feito. Antes, bastava aplicar um múltiplo de mercado razoavelmente aceito. Hoje, o mercado quer ver a modelagem dinâmica: como ela se comporta sob diferentes cenários de juros, câmbio e custo de capital? Como a empresa reagiria a uma recessão? Quais são as variáveis que mais ameaçam ou impulsionam o negócio?

Para o gestor financeiro de uma PME, essa mudança de cenário tem uma implicação direta: a qualidade dos dados internos nunca foi tão importante. Uma empresa que tem seu planejamento orçamentário estruturado, com histórico consistente de planejado versus realizado, parte de uma posição de enorme vantagem em qualquer processo de avaliação.

Inteligência Artificial: de assistente a parceiro analítico no valuation

Outro tema central do episódio é o impacto da inteligência artificial no trabalho de avaliação de empresas. Rodrigo abre a “cozinha” da Investor para mostrar como o time incorporou IA nos processos internos — e os resultados são impressionantes.

Há cerca de um ano, a empresa começou a automatizar partes do processo de valuation com ferramentas de IA. Balanços recebidos de clientes já são processados automaticamente, gerando análises estatísticas e segmentações de dados em minutos — o que antes levava horas de trabalho em planilhas Excel.

“Hoje a gente fala de operação em 5 minutos, já consigo checar e validar com o cliente se é isso mesmo, já consigo gerar vários cenários e linkar com o mercado”, explica Rodrigo. A equipe de estagiários, que antes passava horas montando planilhas, agora atua como verificadores das respostas da IA — garantindo a qualidade e a aderência dos dados.

Mas há uma ressalva importante que Rodrigo faz questão de enfatizar: a IA amplifica a qualidade dos dados que você fornece. Se os dados são ruins, os resultados também serão. “Sistema não faz mágica sem dado bom”, alerta. “Se você alimenta o software de dados que estão ruins, ele vai gerar relatórios ruins.”

O ganho mais estratégico, na visão dele, não é apenas a velocidade. É a proximidade com o cliente: ao gastar menos tempo em frente ao Excel, o time consegue dedicar mais horas a entender as estratégias do negócio, questionar premissas e construir cenários junto com a diretoria. O papel do financeiro muda de executor técnico para consultor estratégico — uma mudança que ressoa muito com o que a área financeira como um todo vem vivendo.

O pré-requisito que ninguém conta: a governança dos dados financeiros

Se há uma lição transversal em todo o episódio, ela pode ser resumida em uma frase: a qualidade do valuation depende diretamente da qualidade da gestão financeira do dia a dia.

Rodrigo descreve situações frequentes em que empresas chegam para processos de M&A com documentação inconsistente, lançamentos contábeis sem critério ou ausência de laudos que deveriam existir — o chamado PPA (Purchase Price Allocation), que é uma obrigação legal em aquisições. O resultado é desconfiança do investidor e, em alguns casos, o fim da operação.

A boa notícia é que essa casa pode ser arrumada antes de qualquer crise. Ter um plano de contas bem estruturado, centros de custo organizados, um histórico confiável de receitas e despesas e relatórios gerenciais consistentes são os pilares que transformam uma empresa em uma candidata séria para qualquer processo de avaliação.

Essa é exatamente a proposta da Metodologia Treasy: estruturar a gestão financeira de forma progressiva, do controle básico ao planejamento orçamentário completo. Se sua empresa ainda não tem clareza sobre para onde está indo o dinheiro, qual é o desvio entre o planejado e o realizado ou como simular cenários futuros, vale explorar o diagnóstico gratuito de maturidade financeira da Treasy — uma forma rápida de entender em qual estágio a empresa está e quais são os próximos passos.

Valuation como provocação estratégica

Uma das imagens mais marcantes que Rodrigo usa no episódio é a do valuation como “provocação”. Para ele, o maior valor de um processo bem conduzido não é o número que aparece no laudo final — é o processo de pensar junto com sócios e diretores sobre premissas, riscos e caminhos futuros.

Um exemplo concreto que ele traz é o de um cliente que havia seguido as premissas do valuation anterior quase perfeitamente — batendo as metas de faturamento e margem — mas cujo valor de empresa havia caído. A razão? O custo de capital do setor havia subido. O mercado passou a exigir retornos maiores para o mesmo risco. A empresa precisaria entregar resultados ainda melhores para manter o mesmo valor.

Essa é o tipo de conversa que a maioria das PMEs simplesmente não tem — não por falta de interesse, mas por falta de estrutura para ter os dados necessários na mesa. Quando a gestão financeira está bem montada, esse nível de discussão estratégica passa a ser possível.

Vale escutar o episódio na íntegra

O episódio #64 do Controller Cast está disponível em todas as plataformas de podcast. Além dos temas abordados neste artigo, Rodrigo e Daniel também discutem os múltiplos de mercado mais utilizados atualmente, a diferença de abordagem entre sell-side e buy-side em processos de M&A, o impacto da reforma tributária nas reorganizações societárias e como programação está se tornando uma habilidade essencial para quem trabalha com análise financeira.

Se você quiser se aprofundar nos fundamentos de valuation, não deixe de conferir também o episódio anterior com Rodrigo Garcia., Confira aqui.

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Antes de pensar em valuation, é preciso ter a casa em ordem. Plano de contas estruturado, centros de custo organizados, histórico confiável de resultados e visão clara do planejado versus realizado. A Treasy ajuda empresas a percorrer esse caminho, do controle financeiro básico ao planejamento orçamentário avançado. Comece gratuitamente com nosso BI Financeiro e dê o próximo passo para tornar seu financeiro mais estratégico: