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Decisões financeiras inteligentes: como unir agilidade e análise

Uma decisão financeira pode fazer ou quebrar um negócio. Embora isso possa soar exagero e dar um tom alarmista, existem diversos casos reais que ilustram que uma ação mal tomada pode colocar tudo a perder. Um exemplo vem da Firestone Tire & Rubber Company, por décadas referência em gestão e eficiência. 

Na virada dos anos 1960 para 1970, a empresa ignorou o avanço dos pneus radiais, tecnologia criada pela Michelin que exigia altos investimentos e adaptação produtiva. Com decisões financeiras que priorizaram o curto prazo e a preservação de margens imediatas, em vez de preparar a empresa para o futuro, a Firestone perdeu espaço para concorrentes mais ágeis e acabou sendo vendida à japonesa Bridgestone. 

O caso, estudado em Harvard, tornou-se símbolo de decisões lentas e mal calibradas. E ele se encaixa muito bem no que queremos apresentar a você neste artigo: a diferença entre sucesso e fracasso muitas vezes está na qualidade das decisões financeiras. Boa leitura!

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    O que são decisões financeiras inteligentes?

    Pode acreditar: para muitos profissionais de finanças e controladoria, falar sobre decisões financeiras inteligentes pode dar a sensação de entrar em um terreno abstrato. Afinal, o que torna uma decisão “inteligente”?

    Você poderia dizer que tudo depende do resultado da decisão. Se seguirmos essa linha de raciocínio, vamos imaginar que a decisão da Firestone tenha resultado em outro cenário. Ou seja, a companhia tivesse conseguido preservar sua participação de mercado, mesmo mantendo o foco nos pneus convencionais.

    Nesse caso, a mesma escolha – manter a estratégia e evitar novos investimentos – poderia ser vista como um movimento prudente, guiado por eficiência operacional. Bom, mas não foi isso o que aconteceu, certo?

    Até que uma decisão seja tomada, não existe como ninguém saber para onde ela levará, mas em finanças existe algo certo: com dados, contexto e estratégia, é possível agir com inteligência. O que queremos dizer é que a diferença entre uma decisão financeira inteligente e uma desastrosa não está na ação em si, mas no nível de análise, na qualidade das informações e na clareza sobre o contexto em que ela foi tomada.

    Por isso, aqui vai a regra principal:

    Por que as empresas ainda erram ao tomar decisões financeiras?

    A resposta é mais simples do que você imagina. Empresas ainda erram porque tomam decisões baseadas em feeling e em informações desatualizadas. Além disso, é muito comum vermos falta de integração entre áreas. 

    A seguir destrinchamos cada problema:

    Decisões baseadas em feeling

    A tomada de decisão intuitiva costuma causar problemas no médio e longo prazo. Veja bem, aqui não estamos querendo dizer que a intuição deva ser deixada totalmente de lado. 

    Aliás, estudos mostram que o instinto tende a ser confiável quando aplicado a situações conhecidas, nas quais o profissional já construiu repertório e reconhecimento de padrões. Fora desse contexto, o risco de erro aumenta

    É o que destaca um artigo da BBC Worklife (Intuition: When is it right to trust your gut instincts?), que analisa o papel da intuição em decisões complexas: confiar demais no “sexto sentido” pode funcionar em ambientes familiares, mas torna-se perigoso em cenários incertos e com múltiplas variáveis. E você muito provavelmente vai concordar que, nas finanças corporativas, quase nada é estável ou previsível o suficiente para se enquadrar nessa categoria de “ambientes familiares”.

    Por isso, a intuição é bem-vinda, mas ela não deve, de modo algum, ignorar fatores quantitativos e contextuais que podem mudar completamente o desfecho. Um preço que “parecia competitivo”, um corte de custos que “parecia seguro” ou contratações que “pareciam estratégicas” podem ter impactos muito diferentes quando colocados sob a lupa dos dados.

    Informações desatualizadas e que demoram para chegar

    A falta de informações atualizadas é um outro problema que faz muitas empresas caírem no erro. Tomar decisões baseadas em números incorretos de relatórios, planilhas de orçamento desatualizadas ou premissas antigas é como andar olhando para trás. O resultado pode até parecer coerente no curto prazo (por exemplo, tem uma bicicleta vindo no seu caminho e você consegue desviar), mas dificilmente levará a empresa ao destino certo (por ficar olhando para trás, você desviou da bicicleta, mas caiu em um buraco).

    Além das informações desatualizadas, há o atraso na disponibilidade dos dados. Quando relatórios e demonstrativos demoram a ser consolidados, o time financeiro perde tempo valioso de reação. E, no ambiente atual, em que o mercado muda de direção de um mês para o outro, agir com base em dados do passado é quase o mesmo que decidir no escuro.

    Dica Treasy: você já ouviu falar no Planejamento Estratégico Situacional (PES)? Ele parte do princípio de que o ambiente empresarial é dinâmico e que todo planejamento deve considerar variáveis controláveis e incontroláveis.

    Em poucas palavras, o PES busca manter o planejamento vivo, em constante revisão, acompanhando a evolução do cenário e ajustando as decisões conforme novas informações surgem. Ele pode ser uma boa metodologia para decisões financeiras inteligentes. Caso queira saber mais, salve a leitura:

    👉 Planejamento Estratégico Situacional (PES): o que é, como aplicar e quais os benefícios para a gestão financeira

    Falta de integração entre as áreas

    Com uma gestão em silos, cada área enxerga apenas uma parte do todo. Por exemplo, se a estratégia da empresa for crescer com rentabilidade, o desalinhamento entre áreas pode gerar o efeito contrário. 

    O comercial pode aumentar as vendas oferecendo descontos agressivos, enquanto o time de produção é pressionado a entregar mais com menos recursos. No papel, o volume de vendas sobe, enquanto na prática, as margens encolhem e o caixa aperta.

    Quando os objetivos não estão integrados, as decisões financeiras deixam de servir à estratégia e passam a atender apenas às urgências de cada departamento.

    O dilema entre velocidade e precisão nas finanças

    No mercado atual, muitas vezes somos confrontados com a necessidade de agirmos rápido, mas com precisão. E é justamente porque há uma demanda por agilidade que existe o risco da falta de análise aprofundada. 

    Um exemplo bem simples para ilustrar é olhar para o EBITDA e tomar decisões apenas com base nesse número. O indicador é amplamente utilizado e oferece uma boa visão sobre a capacidade de geração de caixa operacional, mas ele não conta toda a história.

    Quando olhamos apenas para o EBITDA, podemos ignorar fatores críticos como endividamento, necessidade de capital de giro, impostos e investimentos futuros. Em outras palavras, uma empresa pode apresentar um EBITDA robusto e, ainda assim, estar com o caixa pressionado. Se a decisão for tomada apenas a partir desse dado, há o risco de liberar recursos, aumentar despesas ou aprovar investimentos em um momento de fragilidade financeira.

    Quem explica isso muito bem é Marcelo Luz Alves, consultor de empresas, professor de MBA e sócio fundador da Apolo Value Investing. Em uma conversa que tivemos com ele no Controller Cast, Marcelo mostra como esse indicador pode destruir valor se usado da maneira errada. Você pode assistir ao bate-papo na íntegra abaixo:

    Voltando ao dilema agilidade x precisão: como agir? Veja na sequência.

    Decisões financeiras inteligentes: como equilibrar agilidade e análise na prática

    Para decisões financeiras inteligentes, o equilíbrio está justamente em criar um processo decisório ágil, mas sustentado por análises sólidas. Entenda o que você pode fazer:

    Estruture uma base de dados confiável e atualizada

    A regra é clara: decisões sem os dados certos jamais serão decisões financeiras inteligentes. Por isso, o primeiro passo para unir agilidade e análise é construir uma base de dados confiável. Isso significa automatizar a coleta e consolidação das informações financeiras, integrar sistemas e garantir que todos os dados conversem entre si

    Um exemplo real vem da Icatu Brasil. Com o apoio do Treasy, a empresa eliminou planilhas manuais, integrou seu ERP, descentralizou o orçamento por mais de 40 centros de custo e passou a acompanhar margens por região em tempo real, o que eliminou o “achismo” que pode levar a tomadas de decisão financeiras nada inteligentes:

    Achávamos que alguns contratos tinham margem boa, mas a ferramenta mostrou que não era bem assim. Em determinadas regiões do Nordeste, por exemplo, identificamos uma margem menor do que o esperado.

    👉 Veja aqui como a Icatu Brasil revisitou suas margens e descentralizou o orçamento com o Treasy

    Use cenários para antecipar decisões

    Decisões financeiras inteligentes têm a ver com proatividade. E a análise de cenários faz isso, pois ajuda o financeiro a se antecipar aos problemas e agir antes que eles se tornem críticos (ou a se antecipar às oportunidades e explorar ganhos).

    Ao simular diferentes hipóteses – como queda de receita, aumento de custos, atraso em recebimentos ou variação cambial – a controladoria consegue visualizar o impacto de cada variável sobre o caixa, a margem e o resultado operacional. Essa prática traz agilidade estratégica, uma vez que controllers podem avaliar o “e se” antes de o evento acontecer, testando possibilidades e escolhendo o caminho mais seguro e rentável.

    Outro bom exemplo é da AZ Tecnologia em Gestão, que passou a utilizar os recursos de Simulação de Cenários e Valores em Lote da Treasy. Com a solução, a empresa, que atua em mais de 20 estados brasileiros, consegue comparar o impacto de diferentes variações de custos e receitas sem comprometer o orçamento original. 

    👉 Aproveita e veja como a AZ Tecnologia conquistou clareza na gestão financeira

    Adote o rolling forecast como ferramenta de agilidade

    O rolling forecast é uma metodologia de gestão orçamentária dinâmica que envolve planejamento contínuo e, consequentemente, o acompanhamento do ritmo real do negócio. Por conta disso, ao contrário do orçamento empresarial tradicional, ele mantém o olhar sempre à frente. 

    Basicamente, ao final de cada mês — ou trimestre, dependendo da rotina da empresa — o período encerrado é substituído por um novo. Isso significa que, a cada atualização, o modelo incorpora dados mais recentes de receita, custos, despesas e indicadores operacionais.

    O rolling forecast traz duas vantagens que têm tudo a ver com decisões financeiras inteligentes:

    👉 Orçamento anual ou orçamento contínuo? Entenda qual escolher

    Conclusão

    Decisões financeiras inteligentes aumentam as chances de um crescimento sustentável. No entanto, na necessidade de agir rápido e na falta de recursos (tanto de dados quanto de pessoas), muitas empresas são pegas na armadilha de agir por impulso, feeling ou achismo. 

    Como contamos acima, a Icatu Brasil achava que alguns contratos tinham margem boa. No entanto, com a ajuda do Treasy, a empresa descobriu que, em determinadas regiões, a rentabilidade era menor do que o esperado. Observe que o problema não estava na operação, mas na falta de visibilidade sobre os dados. E isso só foi resolvido quando a Icatu passou a consolidar as informações em uma base única e atualizada.

    A nossa solução de Planejamento Orçamentário e BI Financeiro pode também apoiar a sua empresa a criar o ambiente ideal para tomar decisões financeiras inteligentes! A ferramenta  permite realizar projeções, forecasts e simulações de cenários, além de gerar relatórios, dashboards e indicadores de desempenho.

    Veja abaixo uma demonstração do BI Financeiro da Treasy:

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