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DRE gerencial x DRE contábil: por que os dois números diferem

O DRE gerencial e o contábil mostram lucros diferentes, e os dois estão certos. Veja por que diferem e qual usar para cada decisão.

Neste artigo

DRE gerencial comparado ao DRE contábil

O DRE gerencial e o DRE contábil mostram lucros diferentes para a mesma empresa porque foram construídos com critérios diferentes e para fins diferentes. O contábil segue as regras da contabilidade e do fisco, voltado a apurar impostos e cumprir obrigações legais. O gerencial segue a lógica da decisão, voltado a mostrar a realidade econômica do negócio para quem o gere. Os dois podem estar certos ao mesmo tempo, cada um respondendo à sua pergunta, e entender por que diferem evita a confusão de achar que um deles está errado.

O seu contador diz que a empresa teve um lucro, o seu relatório gerencial diz outro, e você fica sem saber em qual acreditar. É como dois relógios que marcam horas diferentes: nenhum está quebrado, eles estão acertados para fusos diferentes. O DRE contábil está no fuso do fisco, o gerencial no fuso da gestão. Saber que são fusos diferentes, e qual consultar para cada compromisso, resolve a confusão de quem acha que um número anula o outro.

Por que existem dois DRE

A existência de dois DRE não é redundância nem erro, é consequência de servirem a propósitos distintos. O DRE contábil nasce de uma obrigação: a empresa precisa apurar o resultado segundo as regras contábeis e fiscais para calcular impostos e prestar contas ao fisco e a terceiros. Ele segue normas rígidas, que existem para garantir uniformidade e cumprir a lei, não necessariamente para refletir a melhor visão econômica do negócio.

O DRE gerencial nasce de uma necessidade diferente: o gestor precisa enxergar a realidade econômica da empresa para decidir, e nem sempre as regras contábeis e fiscais mostram essa realidade da forma mais útil. O gerencial reorganiza, reclassifica e ajusta o resultado para responder às perguntas da gestão. Por isso os dois coexistem, e a relação entre eles é o tema mais amplo de contabilidade gerencial e contabilidade financeira. Querer que os dois deem o mesmo número é não entender que eles respondem a perguntas diferentes. A frustração de muito empresário, que não entende por que o lucro do contador não bate com a sensação que ele tem do negócio, nasce justamente daí: ele compara o número de um fuso com a realidade de outro, e os dois nunca vão coincidir, porque não foram feitos para isso.

As principais razões de eles diferirem

Várias diferenças de critério fazem os dois números se afastarem. A primeira é a classificação: o gerencial separa os custos e despesas pela lógica da decisão, distinguindo fixo de variável e operação de estrutura, enquanto o contábil segue a classificação que a norma exige. A segunda é o regime, em alguns casos: ajustes de quando uma receita ou despesa é reconhecida podem diferir entre a visão fiscal e a econômica.

A terceira razão, e uma das maiores, é a depreciação. A depreciação fiscal segue prazos e taxas definidos pela legislação, que podem não corresponder ao desgaste econômico real do bem. O gerencial pode usar uma depreciação que reflita melhor a vida útil real, gerando um custo diferente do contábil. A quarta são os ajustes gerenciais: itens não recorrentes, eventos extraordinários ou despesas que o gestor quer isolar para ver o resultado da operação pura. Cada um desses critérios afasta um pouco os dois números, e somados explicam a diferença.

Diferença DRE contábil DRE gerencial
Classificação Pela norma fiscal Pela lógica da decisão
Depreciação Prazos fiscais Vida útil econômica real
Itens não recorrentes Incluídos no resultado Isolados para ver a operação
Finalidade Apurar imposto, cumprir lei Decidir e gerir

Qual usar para qual decisão

A regra é simples: cada DRE para a sua finalidade. Para apurar impostos, cumprir obrigações legais, prestar contas a bancos, sócios e ao fisco, use o contábil, porque é ele que a lei e o mercado reconhecem. Não há escolha aqui: o contábil é o número oficial, e tentar usar o gerencial para essas finalidades é improvisar fora das regras.

Para decidir, o gerencial. Quando você quer saber se a operação dá lucro de verdade, se um produto é rentável, se vale a pena um investimento, o DRE gerencial mostra a realidade econômica sem as distorções que as regras fiscais introduzem, e vira insumo do relatório gerencial que a diretoria de fato lê. Decidir preço, mix, corte ou investimento pelo DRE contábil é arriscar decidir com um número que foi feito para outro fim. O gerencial é o número da gestão, e ele se apoia em um plano de contas gerencial bem estruturado e na escolha certa de método de custeio.

Um exemplo da diferença

Veja a diferença com números. Uma empresa comprou uma máquina por R$ 120 mil, com vida útil econômica de dez anos, ou seja, um desgaste real de R$ 12 mil por ano. Mas a legislação permite depreciá-la fiscalmente em quatro anos, R$ 30 mil por ano. No DRE contábil, a depreciação anual é de R$ 30 mil; no gerencial, de R$ 12 mil. Só esse item gera uma diferença de R$ 18 mil no resultado de cada ano, com o contábil mostrando um lucro menor nos primeiros anos.

Some a isso um evento não recorrente, como a venda de um imóvel que deu um ganho de R$ 50 mil naquele ano. O contábil inclui esse ganho no resultado, inflando o lucro do ano. O gerencial isola esse item, porque ele não é da operação e não vai se repetir, mostrando o resultado operacional puro. Olhando os dois, o gestor entende: o lucro contábil daquele ano foi inflado por um ganho que não volta, enquanto o gerencial mostra que a operação, sozinha, foi mais modesta. Nenhum mente; cada um conta uma parte que o outro não conta.

Para estruturar o seu DRE gerencial na base certa, baixe o Modelo de DRE para download e organize o resultado pela lógica da decisão. Baixar o Modelo de DRE para download

O risco de olhar só o contábil

Muitas empresas, principalmente as menores, olham só o DRE contábil, porque é o que o contador entrega, e tomam decisões gerenciais com ele. O risco é decidir com um número desenhado para outro fim. O lucro contábil pode estar deprimido por uma depreciação fiscal acelerada que não reflete o desgaste real, levando o dono a achar a empresa menos lucrativa do que é. Ou inflado por um ganho não recorrente, levando a comemorar um resultado que não se repete.

Esse descompasso gera decisões erradas: a empresa que se acha pouco lucrativa pela visão contábil pode deixar de investir, e a que se acha muito lucrativa por um ganho extraordinário pode gastar o que não tem. Construir um DRE gerencial, mesmo simples, que mostre a realidade econômica da operação, é o que evita esses erros. Não significa abandonar o contábil, que continua necessário para o fisco, mas complementá-lo com a visão que a gestão precisa, ligando os dois numa leitura completa como a do DRE, DFC e Balanço como sistema. Para a PME, esse passo costuma ser revelador, porque é a primeira vez que ela enxerga a operação sem as distorções fiscais que vinha confundindo com a realidade do negócio.

Os ajustes gerenciais mais comuns

Vale conhecer os ajustes que mais aparecem ao construir um DRE gerencial a partir do contábil, porque eles se repetem em quase toda empresa. O primeiro é isolar itens não recorrentes: ganhos ou perdas extraordinários, como a venda de um ativo, uma multa, um evento único, que o gerencial separa para mostrar o resultado da operação recorrente. Misturar o extraordinário com o operacional engana, porque faz um resultado pontual parecer tendência.

O segundo ajuste comum é a depreciação econômica, substituindo os prazos fiscais pela vida útil real dos bens, para que o custo reflita o desgaste verdadeiro. O terceiro é a reclassificação de despesas pela lógica da decisão, separando o que é fixo do variável e o que é da operação do que é estrutura, em vez de seguir a classificação fiscal, apoiada numa boa estrutura de centro de resultado que revela a margem real. O quarto, em alguns casos, é considerar o pró-labore e o custo de oportunidade do capital próprio, que o contábil pode tratar de forma diferente do que a gestão precisa ver.

Cada ajuste aproxima o número da realidade econômica que a gestão precisa enxergar. O conjunto deles é o que transforma o DRE contábil, feito para o fisco, no DRE gerencial, feito para decidir. O importante é que esses ajustes sejam definidos com critério e mantidos consistentes no tempo, para que o gerencial seja comparável de um período a outro, e não uma colcha de remendos que muda a cada mês. Um bom plano de contas gerencial já incorpora boa parte desses ajustes na própria estrutura.

Como a tecnologia mantém os dois

Manter dois DRE, o contábil e o gerencial, parece dobrar o trabalho, e na planilha quase dobra. Mas quando a base de dados é a mesma e os ajustes gerenciais são definidos uma vez, os dois resultados saem da mesma fonte sem retrabalho. A contabilidade gera o contábil para o fisco; a camada gerencial aplica as reclassificações e ajustes definidos e gera o gerencial para a gestão, ambos a partir do mesmo lançamento original.

Essa é a vantagem de uma estrutura que separa o registro da análise: o dado entra uma vez, e cada visão o organiza do seu jeito. O contador tem o número que precisa, o gestor tem o número que precisa, e ninguém digita nada duas vezes, o que ajuda a acelerar o fechamento contábil mensal. A Skeelo reduziu 80% do tempo do fechamento mensal ao conectar o contábil ao gerencial numa camada única: as reclassificações gerenciais passaram a ser aplicadas automaticamente sobre o mesmo lançamento, sem retrabalho manual para montar os dois resultados. A leitura aprofundada da análise de DRE em 15 minutos parte do DRE gerencial, justamente porque é ele que mostra a realidade que a decisão exige, atualizado e pronto.

Próximos passos

Compare os seus dois números: pegue o lucro do DRE contábil do último período e, se você tem um DRE gerencial, o lucro dele. Se diferem, entenda por quê: depreciação, itens não recorrentes, classificação, e veja o que cada um está dizendo. Se você só tem o contábil, esse é o sinal de que falta a visão gerencial para decidir.

Construa ou refine o seu DRE gerencial: parta de um plano de contas gerencial que separe o que importa, ajuste a depreciação para a vida útil real, isole os itens não recorrentes, e use esse número para as decisões, deixando o contábil para o fisco. Ligue a leitura ao DRE, DFC e Balanço como sistema e à contabilidade gerencial. O guia de contabilidade gerencial reúne as ferramentas que sustentam essa visão gerencial completa. Pare de decidir com o relógio do fuso errado. Use o número certo para cada pergunta.

Perguntas frequentes

Por que o DRE gerencial e o contábil mostram lucros diferentes?
Porque foram construídos com critérios diferentes e para fins diferentes. O contábil segue as regras da contabilidade e do fisco, voltado a apurar impostos e cumprir obrigações legais. O gerencial segue a lógica da decisão, voltado a mostrar a realidade econômica do negócio para quem o gere. Os dois podem estar certos ao mesmo tempo, cada um respondendo à sua pergunta, como dois relógios acertados para fusos diferentes. Querer que deem o mesmo número é não entender que respondem a perguntas distintas.
Por que existem dois DRE?
Porque servem a propósitos distintos. O DRE contábil nasce de uma obrigação: a empresa precisa apurar o resultado segundo as regras contábeis e fiscais para calcular impostos e prestar contas ao fisco e a terceiros, seguindo normas rígidas. O DRE gerencial nasce de uma necessidade: o gestor precisa enxergar a realidade econômica para decidir, e nem sempre as regras fiscais mostram essa realidade da forma mais útil. Por isso os dois coexistem, cada um servindo ao seu fim.
Quais as principais razões de os dois DRE diferirem?
A classificação, porque o gerencial separa custos e despesas pela lógica da decisão, distinguindo fixo de variável, enquanto o contábil segue a norma fiscal. A depreciação, porque a fiscal segue prazos legais que podem não corresponder ao desgaste econômico real. Os itens não recorrentes, que o gerencial isola para mostrar a operação pura. E os ajustes gerenciais, como considerar o custo de oportunidade do capital. Cada critério afasta um pouco os dois números, e somados explicam a diferença.
Como a depreciação faz os dois DRE diferirem?
A depreciação fiscal segue prazos e taxas definidos pela legislação, que podem não corresponder ao desgaste econômico real do bem. Uma máquina de R$ 120 mil com vida útil real de 10 anos tem desgaste econômico de R$ 12 mil por ano, mas a lei pode permitir depreciá-la em 4 anos, R$ 30 mil por ano. No DRE contábil a depreciação anual é de R$ 30 mil; no gerencial, de R$ 12 mil. Só esse item gera R$ 18 mil de diferença no resultado de cada ano, com o contábil mostrando lucro menor nos primeiros anos.
Qual DRE usar para tomar decisões?
O gerencial. Quando você quer saber se a operação dá lucro de verdade, se um produto é rentável ou se vale um investimento, o DRE gerencial mostra a realidade econômica sem as distorções que as regras fiscais introduzem. Decidir preço, mix, corte ou investimento pelo DRE contábil é arriscar decidir com um número feito para outro fim. O gerencial é o número da gestão, e se apoia num plano de contas gerencial bem estruturado e na escolha certa de método de custeio.
Qual DRE usar para o fisco?
O contábil, sem escolha. Para apurar impostos, cumprir obrigações legais e prestar contas a bancos, sócios e ao fisco, use o contábil, porque é ele que a lei e o mercado reconhecem como o número oficial. Tentar usar o gerencial para essas finalidades é improvisar fora das regras. O contábil e o gerencial não competem: cada um tem a sua finalidade, o contábil para o fisco e as obrigações, o gerencial para a gestão e as decisões. Confundi-los é que gera problema.
Quais os ajustes gerenciais mais comuns no DRE?
Isolar itens não recorrentes, como a venda de um ativo ou uma multa, para mostrar a operação recorrente. Usar a depreciação econômica, pela vida útil real dos bens, em vez dos prazos fiscais. Reclassificar despesas pela lógica da decisão, separando fixo de variável e operação de estrutura. E, em alguns casos, considerar o pró-labore e o custo de oportunidade do capital próprio. Cada ajuste aproxima o número da realidade econômica, e o conjunto transforma o DRE contábil no gerencial.
Qual o risco de olhar só o DRE contábil?
Decidir com um número desenhado para outro fim. O lucro contábil pode estar deprimido por uma depreciação fiscal acelerada que não reflete o desgaste real, levando o dono a achar a empresa menos lucrativa do que é, ou inflado por um ganho não recorrente, levando a comemorar um resultado que não se repete. Esse descompasso gera decisões erradas: deixar de investir achando-se pouco lucrativo, ou gastar o que não tem achando-se muito lucrativo. Falta a visão gerencial que mostra a realidade da operação.
Por que o lucro do contador não bate com a minha sensação?
Porque você compara o número de um fuso com a realidade de outro. O lucro do contador é o contábil, feito para o fisco, com depreciação fiscal, itens não recorrentes e classificação por norma. A sua sensação do negócio é a realidade econômica da operação, que é o que o DRE gerencial mostra. Os dois nunca vão coincidir exatamente, porque não foram feitos para isso. A solução não é escolher um, é construir o gerencial para ver a operação e deixar o contábil para o fisco.
Pode dar um exemplo da diferença entre os dois DRE?
Uma empresa comprou uma máquina por R$ 120 mil, com vida útil real de 10 anos. No contábil, depreciada em 4 anos pela lei, dá R$ 30 mil de custo anual; no gerencial, pela vida real, R$ 12 mil, uma diferença de R$ 18 mil por ano. Some um ganho não recorrente de R$ 50 mil pela venda de um imóvel: o contábil inclui e infla o lucro do ano, o gerencial isola para mostrar a operação pura. O gestor entende: o lucro contábil foi inflado por um ganho que não volta, e a operação foi mais modesta.
Como manter os dois DRE sem dobrar o trabalho?
Partindo da mesma base de dados e definindo os ajustes gerenciais uma vez. Quando o dado entra uma só vez, a contabilidade gera o contábil para o fisco e a camada gerencial aplica as reclassificações e ajustes definidos, gerando o gerencial, ambos a partir do mesmo lançamento original. É a vantagem de uma estrutura que separa o registro da análise: o contador tem o número que precisa, o gestor tem o seu, e ninguém digita nada duas vezes. A tecnologia mantém as duas visões sem retrabalho.
Por onde começar a construir um DRE gerencial?
Compare os seus números: pegue o lucro do DRE contábil do último período e, se tiver, o do gerencial. Se diferem, entenda por quê, depreciação, itens não recorrentes, classificação. Se só tem o contábil, é sinal de que falta a visão gerencial para decidir. Construa-o partindo de um plano de contas gerencial que separe o que importa, ajuste a depreciação para a vida útil real, isole os itens não recorrentes, e use esse número para as decisões, deixando o contábil para o fisco.
A depreciação fiscal acelerada distorce em quanto o resultado?
Distorce no tamanho da diferença entre a taxa fiscal e a vida útil real do bem. No exemplo do post, uma máquina de R$ 120 mil com vida útil econômica de dez anos gera R$ 12 mil de desgaste anual no gerencial, mas a lei permite depreciá-la em quatro anos, R$ 30 mil por ano. Só esse item afasta os dois DRE em R$ 18 mil no resultado de cada ano, com o contábil mostrando um lucro menor nos primeiros anos.

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