
Você chegou ao meio do ano com o EBITDA acumulado positivo, mas a tendência dos últimos meses aponta para baixo. O que fazer? Revisar o orçamento, claro, mas como fazer isso de forma estruturada, sem precisar abrir sete planilhas diferentes e mandar e-mails para cada gestor pedindo números que você mesmo vai ter que consolidar?
É exatamente essa rotina que a live abaixo resolve na prática, usando a Campos Distribuidora de Bebidas como caso real: uma empresa com filiais em Belo Horizonte e Joinville, meta de EBITDA de R$ 4 milhões para o ano, e resultado do primeiro semestre acima do planejado, mas com tendência negativa que pedia atenção.
A live cobre seis recursos do Treasy que você pode usar durante um processo de revisão orçamentária real, do diagnóstico à implementação dos ajustes. Neste guia, a gente organiza cada um deles com o contexto do caso para facilitar a aplicação na sua empresa.
Por que revisar se o resultado está positivo?
Essa é a armadilha mais comum do meio de ano. O acumulado do primeiro semestre está acima do planejado e parece que tudo está bem. Mas o dado relevante não é só o saldo: é a tendência.
Na Campos, o EBITDA acumulado estava 4% acima do planejado. Ótimo, em princípio. Só que ao olhar mês a mês, o resultado vinha caindo. Em algum ponto do segundo semestre, com aquela trajetória, o resultado poderia ficar negativo. Ignorar isso e esperar o fechamento do ano seria o erro clássico do orçamento de gaveta: um plano montado, esquecido e que não orienta nenhuma decisão real.
A revisão orçamentária existe justamente para isso: identificar o desvio antes que ele derrube o resultado e agir enquanto ainda há tempo. E o tempo importa porque ações em receita têm resultado no médio prazo, enquanto ações em despesa têm efeito imediato.
Recurso 1: análises verticais e horizontais no DRE
O ponto de partida de qualquer revisão é entender onde o resultado está desviando e para onde ele está indo. Para isso, o Treasy oferece dois tipos de análise sobre o DRE, e eles respondem perguntas diferentes.
A análise vertical mostra o peso de cada linha em relação a uma base (nesse caso, a receita bruta). Na Campos, ela confirmou que o percentual de EBITDA ao longo do semestre estava próximo do planejado para o ano, mesmo com a queda recente. Isso indicava que o problema não era estrutural ainda, mas precisava de atenção.
A análise horizontal compara o resultado do mês atual com o mês anterior. Aqui apareceu o sinal de alerta: fevereiro apresentou queda de 30% em relação a janeiro, março caiu mais 45% em relação a fevereiro. A tendência negativa ficou visível e apontou que, sem ação corretiva, o resultado do segundo semestre poderia ser comprometido.
Esse par de análises é o que separa quem só faz acompanhamento orçamentário de quem realmente consegue antecipar problemas. Com o DRE gerado automaticamente pelo Treasy a partir das informações lançadas na ferramenta, essa análise sai em segundos, sem precisar montar tabela nenhuma.
Recurso 2: consulta do razão por conta contábil
Encontrada a tendência negativa, o próximo passo é entender a causa. Na Campos, a análise do DRE mostrou que o maior desvio nas despesas estava na filial de Joinville, especificamente no centro de custos de marketing, na conta de eventos.
Mas "conta de eventos" é um agregado. Para entender o que compõe aquele valor, você precisa descer ao nível do razão, ver quais fornecedores e notas fiscais geraram aquele gasto. Fora do Treasy, esse passo normalmente exige exportar um relatório do ERP, tratar os dados em planilha e cruzar manualmente.
No Treasy, você faz isso direto na tela: clica na conta, acessa o histórico de alterações e vê a composição detalhada por fornecedor. No caso da Campos, a conta de eventos dos últimos três meses era composta por:
- Parcelas da cota de patrocínio de um evento que não estava no planejamento
- Contratação de empresa de animações para a feira
- Despesas de deslocamento da equipe
- Contratação de empresa para montagem de estande
Toda aquela despesa tinha uma causa única: a empresa havia se tornado patrocinadora master de um evento fora do orçamento, com pagamento em três parcelas. O gestor responsável, Daniel Fernandes, já havia registrado comentários explicando o motivo nos três meses de desvio. A causa estava documentada dentro do próprio Treasy.
Esse é o segundo recurso: a capacidade de consultar o razão e a composição de cada conta contábil direto na ferramenta, sem exportar nada do ERP.
Recurso 3: painéis para comunicar resultados
Com a análise feita e a causa identificada, o time de controladoria precisa comunicar o diagnóstico para a diretoria e para os gestores. Aqui aparece um problema frequente: DRE e análises numéricas são difíceis de ler para quem não vive nessa rotina.
O terceiro recurso do Treasy são os painéis gerados automaticamente a partir dos dados do plano. Na live, o apresentador mostra o resultado operacional consolidado da Campos e, em seguida, por unidade de negócio. Para a filial de BH, o painel torna visível a sazonalidade: alta em verões, queda no inverno, com as despesas operacionais se mantendo constantes ao longo do ano, o que naturalmente comprime o EBITDA nos meses frios.
Para Joinville, o painel revelou que, apesar de os primeiros quatro meses do ano serem positivos (impulsionados pela venda de vinhos na temporada mais fria do Sul), os dois últimos meses do semestre fecharam negativos.
Esse tipo de visualização facilita tanto a apresentação de resultados financeiros para a diretoria quanto o alinhamento com os gestores responsáveis, que entendem o impacto do próprio departamento no resultado geral.
Recurso 4: planos de ação com FCA
Diagnóstico feito, causa identificada, apresentação comunicada. Agora vem a parte que determina se a revisão vai mudar alguma coisa ou ficar no papel: os planos de ação.
A metodologia FCA (Fato, Causa, Ação) é o framework que o Treasy usa para transformar um desvio em decisão. O fato é o desvio encontrado. A causa é o que a análise revelou. A ação é o que vai ser feito.
Na Campos, dois planos de ação foram criados diretamente no Treasy:
- Receitas: definir estratégia para os produtos com variação negativa (sucos, refrigerantes e vinhos na filial de Joinville)
- Marketing: revisar a estratégia de eventos para o segundo semestre
Dentro de cada plano, o Treasy permite criar tarefas com responsável e data prevista. O Daniel Fernandes recebeu a tarefa de responder se a empresa participaria de algum outro evento no segundo semestre, com prazo até o final de julho. Quando a tarefa é marcada como concluída, a data de realização é registrada automaticamente.
Tudo dentro da ferramenta, sem precisar do Trello, sem e-mail, sem planilha de acompanhamento paralela. O quarto recurso é exatamente essa capacidade de gerir planos de ação integrada ao próprio processo orçamentário.
Recurso 5: ambiente de revisão orçamentária
Com os planos de ação definidos, é hora de colocar as decisões em números. Aqui está o recurso mais estrutural da live: a criação de um ambiente de revisão orçamentária dentro do Treasy.
Em vez de alterar o plano original aprovado, o Treasy permite criar um novo plano baseado no aprovado, com o mês de referência atualizado para o último realizado (junho, no caso da Campos). Isso preserva o plano original intacto e cria um ambiente separado onde as alterações do segundo semestre são trabalhadas.
O resultado: o time de controladoria entrega à diretoria uma revisão clara, com o plano aprovado de um lado e o plano revisado do outro, mostrando o impacto de cada decisão no resultado esperado para o ano. É a diferença entre o orçamento estático e o orçamento revisado funcionando na prática.
Recurso 6: aplicar valores em lote
O sexto e último recurso é o que torna a revisão operacionalmente viável: a função de aplicar valores em lote.
Sem essa funcionalidade, o gestor precisaria entrar célula por célula para ajustar os volumes de venda de cada produto em cada mês. Com o recurso, é possível aplicar um percentual ou valor absoluto a um produto ou grupo de contas em múltiplos meses com um único comando.
Na Campos, as alterações feitas foram:
- Sucos: +15% no volume do último trimestre (quando o calor volta)
- Refrigerantes: +10% no volume do último trimestre
- Vinhos: +5% nas vendas de julho a setembro
- Eventos: zerar todas as despesas de eventos de julho a novembro, mantendo apenas a campanha de Natal em dezembro
- Motoristas: adicionar um motorista na filial de Joinville a partir de julho, com cálculo automático de encargos (INSS, FGTS, férias, décimo terceiro) e dissídio de 7% aplicado em outubro
| Recurso | Para que serve | Alternativa sem a ferramenta |
|---|---|---|
| Análise vertical e horizontal | Identificar tendências e desvios por período | Tabelas manuais no Excel com fórmulas de variação |
| Consulta do razão | Ver a composição de cada conta por fornecedor ou nota | Exportar relatório do ERP e fazer PROCV na planilha |
| Painéis visuais | Comunicar resultados para gestores e diretoria | Montar gráficos no PowerPoint a cada fechamento |
| Planos de ação FCA | Registrar causa e acompanhar ações por responsável | Planilha de tarefas separada ou e-mails soltos |
| Ambiente de revisão | Criar plano revisado sem sobrescrever o aprovado | Duplicar planilha original e renomear |
| Aplicar valores em lote | Ajustar volumes e valores em múltiplos períodos de uma vez | Editar célula por célula em cada mês |
O resultado da revisão na prática
Depois de todas as alterações aplicadas, a Campos voltou ao DRE revisado para conferir o resultado esperado para o ano. O EBITDA de R$ 4 milhões continuava sendo entregue, agora com uma folga um pouco maior do que a original. O percentual de EBITDA sobre receita bruta permaneceu em 16%, acima da taxa Selic de 13,75% que havia sido usada como referência no início do planejamento.
A revisão não foi sobre cortar tudo, nem sobre ser otimista demais. Foi sobre entender o que estava acontecendo, documentar a causa, definir ações concretas e ajustar o plano para refletir a nova realidade do segundo semestre.
Esse ciclo, feito de forma estruturada, é o que separa uma revisão orçamentária de segundo semestre que funciona de um exercício burocrático que não muda nada.
Como aplicar na sua empresa
Se você está chegando ao meio do ano e o resultado acumulado está positivo, não pule a revisão. O acumulado esconde a tendência. Olhe mês a mês, calcule a análise horizontal e veja se a trajetória vai te levar até a meta ou se ela já está apontando para o lado errado.
Se ainda não tem um processo de acompanhamento orçamentário estruturado, comece identificando os três maiores desvios do semestre, seja em receita ou em despesa. Para cada um, aplique o FCA: qual foi o fato, qual foi a causa, qual vai ser a ação. Isso já é uma revisão funcional, mesmo que feita em planilha. O kit de revisão orçamentária reúne os modelos e checklists usados nesse processo.
Para quem já tem o processo rodando e quer eliminar o volume de planilhas e e-mails do ciclo de revisão, o Treasy centraliza cada um dos seis recursos da live em um único lugar. Vale entender como o processo de descentralização orçamentária e o orçamento colaborativo se encaixam nessa rotina.
E se quiser ver como seria na prática com os dados da sua empresa, experimente o Treasy de graça e conduza a sua próxima revisão orçamentária sem planilha de consolidação.
