Análise de ROE (Return on Equity): sua empresa rentabiliza acima do Custo de Oportunidade?

Por |17/04/2016|

Custo de OportunidadeNo momento em que pensamos aplicar nosso dinheiro para abrir um novo negócio, ou até mesmo nos tornarmos sócios de uma companhia, sendo ela de capital aberto ou não, jamais podemos nos esquecer de considerar em nossa análise o Custo de Oportunidade.

Mas afinal, você sabe o que realmente é este Custo de Oportunidade e de que forma calcula-lo? Indo além, você já parou para pensar por quê analisar o Custo de Oportunidade ao tomar decisões sobre investimentos pode ser decisivo para sua empresa?

Independente de suas respostas para as questões acima, fique tranquilo. Preparamos um artigo top com boa parte das respostas mais importantes e todos os direcionamentos que você precisa para buscar as respostas que faltarem. Confira!

Entendendo o Custo de Oportunidade

Este é um termo muito usado quando falamos em tomada de decisões, principalmente as decisões tomadas com base em informações financeiras.

Para toda decisão que tomamos, automaticamente renunciamos todos os outros caminhos possíveis (agora faz mais sentido a imagem de capa deste post, com as três portas, não é mesmo?).

Por exemplo, trocar de carro ao invés de poupar o dinheiro para a reforma da casa; cursar uma graduação ao invés de dedicar este tempo para outro projeto; ler um livro ao invés de ficar navegando em redes sociais durante o horário do almoço; e assim por diante.

Perceba que para todas as situações podemos ter duas ou mais opções, o que diferencia uma da outra é a análise particular que fazemos com base em nossas necessidades, valores e paradigmas. Levamos em consideração sempre nossos objetivos, ganhos e perdas de cada opções, calculando assim, inconscientemente, o Custo de Oportunidade.

Já para as decisões financeiras, principalmente as mais técnicas, como a de se tornar um acionista de uma empresa, podemos contar com alguns parâmetros que acabam dando um norte fundamentalista para apoiar nossa decisão. Entre os mais diversos instrumentos utilizados, temos os Indicadores de Desempenho e quando falamos em analisar o Custo de Oportunidade, o principal deles é o ROE (Return on Equity).

Return on Equity (ROE)

Você já deve ter ouvido ou lido em algum lugar este termo, que em uma tradução livre seria o mesmo que Retorno sobre o Patrimônio Líquido (RsPl).

Este indicador é uma das informações mais importantes (ou pelo menos deveria ser) para os donos do negócio. Afinal, o ROE (Return on Equity), como o próprio nome diz, indica o quanto que a empresa gera de retorno para cada centavo que o acionista aplica na organização.

Caso você nunca tenha ouvido falar sobre este indicador ou já leu sobre o tema e quer apenas recordar, abaixo tem um resumo do conceito:

Retorno sobre o patrimônio líquido (RsPl) ou como é mais conhecido na linguagem do mercado, Return on Equity (ROE), é um indicador financeiro que se refere em percentual quanto uma empresa está gerando de retorno para o capital próprio investido (dinheiro do dono).

Fórmula do ROE

A fórmula para calcular o ROE é bastante simples. Todavia, a empresa precisa estar com a contabilidade em dia para obter as informações que o compõe:

roe (return on equity)

Para facilitar a interpretação da relação entre ROE (Return on Equity) x Custo de Oportunidade, confira dois exemplos que preparamos.

Exemplo 1 – Analisando a oportunidade de iniciar uma nova empresa.

Para deixar o exemplo mais abrangente, dividimos o exemplo de análise do Custo de Oportunidade ao abrir uma nova empresa em duas situações hipotéticas.

Primeira Situação

Após realizar um plano de negócio, suas projeções indicam que você irá precisar de um capital inicial de R$500.000,00, e que a expectativa de resultado para os próximos 5 anos é de obter um lucro líquido anual de R$25.000,00. Aplicando a fórmula acima, chegamos facilmente à projeção de um ROE de 5% ao ano.

Não estamos dizendo que sempre, mas normalmente a primeira conclusão que se tira desta análise é “ótimo, tive lucro então o negócio é viável!”.

Mas é preciso muita calma nesta hora! Nós brasileiros somos muito apegados ao lucro líquido e nos esquecemos de conferir a sua consistência. É preciso analisar o investimento de forma uma pouco mais profunda. Para isto, pode ser muito útil se fazer algumas questões como:

  • Afinal, qual é o meu custo de oportunidade em relação a esse ROE?
  • Que outras opções de investimentos eu posso usar como base de comparação para saber se estou fazendo um bom negócio?
  • Um ROE de 5% a.a. é bom ou ruim?

A resposta para todas estas questões é uma que sempre funciona no mundo das finanças, DEPENDE! Mas depende do que?

Primeiro precisamos analisar o custo de oportunidade do país em que o negócio será aberto. No caso do nosso exemplo, Brasil.

Estamos em um país onde a taxa básica dos juros (SELIC) é muito alta, ainda mais na atual conjuntura econômica em que estamos passando. Levando isto em consideração, o primeiro ponto que precisamos analisar em relação ao custo de oportunidade é, o quanto eu ganharia se aplicasse os mesmos R$500.000,00 em qualquer investimento atrelado a taxa SELIC, que teoricamente, seriam investimentos considerados de baixíssimo risco.

Atualmente, descontando taxas e imposto de renda, seria um ROE próximo aos 11% ao ano.

Perceba que o primeiro requisito, que é o de superar o custo de oportunidade do país, a empresa já não se mostrou muito atrativa, afinal, por que iriamos querer investir nesta empresa, correr grandes riscos, ter passivos trabalhistas, além de todos os problemas do dia-a-dia que um negócio próprio pode gerar, se eu consigo praticamente o dobro do retorno optando por deixar meu dinheiro aplicado a qualquer investimento atrelado a SELIC,  sem correr grandes riscos, e ainda de quebra consigo ter liberdade de tempo para realizar outras atividades (o que normalmente não acontece quando se tem um negócio próprio).

Segunda Situação

Vamos agora supor que refizemos todo o modelo de negócio e fomos um pouco mais otimistas em nossas projeções o que resultou em um ROE anual de 20% (R$100.000,00). E agora?

Novamente a resposta é, DEPENDE! Como citado em nosso exemplo anterior, já temos um Custo de Oportunidade de 11% (investimentos atrelados à SELIC) e o mais importante, com baixo risco. Ou seja, esta é nossa TMA (Taxa Mínima de Atratividade).

Se pretendemos abrir um negócio próprio ou investir em alguma companhia, significa que estaremos correndo riscos maiores, então precisamos no mínimo que o retorno sobre o investimento empate com a SELIC e ainda alguns percentuais a mais. Chamamos isto de prêmio de risco.

Mas quanto a mais que a SELIC seria interessante para aceitar a proposta? Esta resposta está na segunda parte de nossa análise, a análise do segmento.

Análise de Segmento

Vamos supor que a empresa do nosso exemplo é do segmento de cosméticos. Partindo do princípio que você já possui um pouco de conhecimento a respeito do segmento que ela pertence, atrelado a um bom benchmarking, seria possível estimar uma taxa de prêmio de risco.

Por exemplo, olhando para empresas listadas na bolsa, encontramos a Natura, que além de ser do segmento de cosméticos, é uma das campeãs de ROE dentre as empresas na BOVESPA. Ela consegue, com bastante consistência, um Return on Equity acima dos 60% ao ano. É isto mesmo, você não leu errado. O Return on Equity da Natura é acima dos 60% ao ano!

Em uma análise fria, se deixarmos de lado o market share e porte da Natura, que são enormes, praticamente estaríamos compartilhando do mesmo risco do segmento. Ou seja, se vou abrir uma empresa que está no mesmo segmento que Natura, quero um ROE pelo menos próximo ao que ela consegue com tanta consistência.

Lógico que para um benchmarking mais completo e técnico existem outras empresas e variáveis a serem comparadas. Citamos a Natura e seu ROE, pois ela possui capital aberto o que facilita a consulta das informações para simplificar o exemplo.

Exemplo 2 – Já possuo uma empresa em atividade

Em nosso segundo exemplo, vamos supor já possuir um negócio em andamento, por exemplo, um supermercado.

Chegado o final do ano e a área de planejamento e controladoria finaliza os demonstrativos constatando que o ROE foi 6% durante determinado ano. Dando uma olhada na taxa Selic do mesmo período observamos que foi de 12%, ou seja, perdemos 6% depois de muito esforço para vender, administrar e ainda correndo riscos de assaltos, incêndio no estoque, processos trabalhistas, dentre outras coisas que podem ocorrer.

Na verdade não perdemos 6%, mas a sensação é a de perda, afinal poderíamos ter rentabilizado 12% com um esforço bem menor e correndo riscos baixíssimos, quando comparado ao de se ter um supermercado.

Tudo bem, o objetivo agora é projetar os próximos períodos, sendo assim quais são as estratégias para que as projeções mostrem que a empresa irá começar a rentabilizar acima do Custo de Oportunidade? O cenário precisa se reverter, caso contrário uma aplicação em renda fixa se torna mais atrativa que manter o supermercado.

No caso deste supermercado, foco central de esforço deveria ser colocado em parar por um momento e realizar um bom Planejamento Estratégico, Tático e Operacional para o próximo ano, começando por uma profunda Análise SWOT do negócio. Ao final desta etapa, a administração do supermercado deveria elaborar um Planejamento Orçamentário alinhado aos planos estratégicos e depois acompanhado de forma bem próxima durante o ano para garantir o aumento da Rentabilidade e Lucratividade.

Falta de ROE não quebra empresa!

Você não encontra (ao menos eu nunca encontrei) empresas dizendo que quebraram por falta de ROE. De fato, o que pode quebrar a empresa é falta de caixa e outros problemas de gestão, mas não falta de ROE. O maior problema relacionado ao ROE é a sensação (real) de perda de quem está investindo o dinheiro.

Uma frase que é comum escutarmos por aí e que você deve tomar muito cuidado é “não se preocupe, este ROE baixo é característico do segmento”. O que podem ser característicos de segmentos são outras margens, como o EBITDA, Margem de Contribuição, etc.

O ROE nunca deveria ser baixo! Pode até iniciar ou estar em determinado período abaixo do Custo de Oportunidade, mas precisa existir uma estratégia que projete a superação do índice ao longo dos anos.

Utilizamos apenas dois exemplos para melhor ilustrar esta relação, mas perceba que para qualquer tomada de decisão financeira, independentemente de sua magnitude, é muito importante estar atento a este KPI.

As grandes questões a analisar é: quantas pessoas que estão aceitando se aventurar na economia real, abrindo empresas e gerando empregos, se dificilmente conseguem resultados acima de um custo de oportunidade tão alto como o do nosso país? E os empresários, com que frequência estão monitorando a relação entre Rentabilidade (Return on Equity) e o Custo de Oportunidade?

Talvez este assunto não seja novidade para você, mas é bacana ter estes conceitos sempre frescos em nossas mentes para que possamos cada vez mais tomar decisões com base em fundamentos e de forma técnica.

Outro ponto importante é buscar mais conhecimento e se aprofundar também nos temas de gestão e não apenas nos assuntos do negócio. Neste sentido, em nossa própria biblioteca você tem acesso a dezenas de e-books, webinars, white-papers e outros materiais que vão ajudar bastante nesta missão.

Inclusive tempos lá um e-book completo sobre Indicadores Financeiros para Análise de Investimentos, onde você pode obter informações sobre outros importantes KPI para auxiliar na tomada de decisões, como TIR, VPL e Payback. Para acessar os materiais gratuitamente, basta clicar na imagem abaixo:

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E depois de consumir os materiais, não se esqueça de deixar um comentário contando o que achou e no que foi útil para você e sua empresa e também compartilhar com seus colegas utilizando os botões que ficam logo abaixo.

Sobre o Autor

Este artigo foi escrito por Felipe Mengatto Peregrina especialmente aos leitores do Blog do Treasy,

Atuando há mais de 4 anos na área de Controladoria e Finanças, Felipe, é natural de Piracicaba, interior de São Paulo e graduado em Administração de Empresas pela Faculdade Salesiana Dom Bosco. Durante sua formação, sempre direcionou seu foco de atuação para as finanças corporativas, área pela qual tem paixão.

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