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De-para de dimensões: o passo invisível que faz o BI financeiro funcionar

O que é o de-para de dimensões, por que ele é o passo invisível que faz o BI e a IA financeira funcionarem, e como fazê-lo bem para a análise ficar de pé.

Neste artigo

De-para de dimensões organizando o BI financeiro

Uma empresa investiu numa bela ferramenta de BI, montou painéis coloridos, e na primeira reunião o diretor apontou para a tela e disse: "esse número está errado". Estava mesmo. Não por culpa do BI, que apenas mostrou o que recebeu, mas por causa de um passo invisível que ninguém tinha feito direito: o de-para das dimensões. O painel era a ponta visível de um problema que morava lá atrás, na tradução entre o que o sistema de origem registra e o que o gerencial precisa enxergar.

O de-para de dimensões é o mapa que conecta as categorias do seu ERP às categorias da sua análise financeira. Parece um detalhe técnico, e é justamente por ser ignorado que ele derruba tantos projetos de BI e de IA. Sem um bom de-para, o número mais bonito na tela mais avançada estará errado, porque foi montado sobre uma tradução torta.

Vale entender o que é o de-para, por que ele é o passo que faz tudo funcionar, e como fazê-lo bem para que a sua análise, com BI ou com IA, fique de pé.

O que é uma dimensão financeira

Antes do de-para, é preciso entender o que se está mapeando. Dimensão é cada forma de olhar o seu resultado: por conta (que tipo de receita ou despesa), por centro de resultado (qual área ou unidade), por projeto, por cliente, por forma de pagamento. Cada dimensão é um eixo de análise, uma maneira de fatiar o número para entender de onde ele veio.

São as dimensões que permitem responder perguntas de gestão. Quanto gastei com marketing? É a dimensão conta. Qual filial deu mais lucro? É a dimensão centro de resultado. Sem dimensões bem definidas, você tem um total, mas não tem análise. Elas são a estrutura que transforma um amontoado de lançamentos em informação que decide.

O que é o de-para

O problema é que o seu sistema de origem, o ERP, raramente organiza as dimensões do jeito que a sua gestão precisa, e é por isso que a integração entre ERP e financeiro só entrega valor quando vem acompanhada de uma boa tradução. Ele tem as contas dele, os centros de custo dele, muitas vezes com nomes e estruturas que fazem sentido para a operação, mas não para a análise gerencial. O de-para é a ponte entre esses dois mundos: o mapa que diz "esta conta do ERP corresponde a esta natureza no meu gerencial".

A expressão vem de "de um lado para o outro": de como o dado está na origem, para como ele precisa estar na análise. É uma tabela de tradução, conta por conta, centro por centro. Bem-feito, ele é invisível e tudo flui; malfeito ou ausente, ele contamina cada número que vem depois. É a modelagem financeira na sua camada mais básica e decisiva.

Por que o de-para é invisível, e por isso ignorado

O de-para sofre de um problema de marketing: ele não aparece. Ninguém faz uma reunião para celebrar um de-para bem-feito, e nenhuma demonstração de software o mostra, porque ele é o encanamento atrás da parede. O brilho fica para o painel e para a IA; o de-para fica no porão, esquecido.

Esse anonimato é perigoso, porque o que não se vê não recebe atenção. As empresas investem na ferramenta visível e pulam o passo invisível, e depois não entendem por que o resultado não bate. É como construir uma casa bonita sobre uma fundação que ninguém checou: o problema só aparece quando as paredes começam a rachar, e aí é tarde e caro.

O que acontece quando o de-para está errado

Um de-para torto produz um tipo específico de erro, o mais traiçoeiro de todos: o número que parece certo e não é. Se uma despesa foi mapeada para a natureza errada, o seu painel de marketing vai mostrar um valor, ele só não será o valor real. Tudo funciona, os gráficos aparecem, e a empresa decide com base em uma mentira bem formatada.

Esse erro mina a confiança em tudo. Quando o diretor pega um número errado, ele passa a duvidar de todos, e o BI que custou caro vira objeto de desconfiança. É aqui que a qualidade de dados financeiros se prova: o que separa um número confiável de um perigoso quase sempre nasce na tradução da origem. Pior, leva a decisões ruins tomadas com convicção, porque o gráfico dava uma falsa segurança. O de-para errado não trava o sistema; ele o faz funcionar lindamente na direção errada.

De-para de contas: o mais comum

O de-para mais frequente e mais importante é o das contas, ligado ao plano de contas. O ERP tem o seu plano de contas, muitas vezes detalhado para fins fiscais e operacionais; o gerencial precisa de um plano de contas pensado para análise e decisão. O de-para conecta os dois, dizendo qual conta da origem alimenta qual linha do seu DRE gerencial.

Esse mapeamento é o que permite que a sua DRE gerencial faça sentido. Sem ele, ou você usa o plano de contas do ERP, que não foi feito para gestão, ou refaz tudo na mão todo mês. Com um bom de-para de contas, o seu resultado se monta sozinho, na estrutura que você precisa, a partir do dado que já existe.

De-para de centros de resultado e outras dimensões

Depois das contas, vêm as outras dimensões. O de-para de centros de resultado conecta as áreas e unidades do ERP à forma como você quer enxergar a empresa por departamento, filial ou linha de negócio. Ele é o que permite responder "qual unidade deu mais lucro?" sem garimpar lançamento por lançamento.

Há ainda as dimensões mais específicas, como projeto, cliente, fornecedor e forma de pagamento, cada uma com o seu de-para. Nem toda empresa usa todas, mas cada dimensão que você quer analisar precisa do seu mapa, e em grupos com várias empresas esse mapa é o que viabiliza a consolidação multiempresa num só painel. O princípio é sempre o mesmo: para enxergar o resultado por um eixo, é preciso traduzir esse eixo da origem para o gerencial.

O de-para é a fundação do BI e da IA

Aqui está o ponto que amarra tudo: o de-para não é um detalhe do projeto de dados, é a sua fundação. Tanto o BI quanto a IA são tão bons quanto o de-para que os alimenta. Um painel sobre um de-para torto mostra o número errado; uma análise de IA sobre o mesmo de-para erra com a mesma elegância, só que mais rápido.

Por isso, quem quer adotar IA ou BI no financeiro precisa olhar para o de-para antes da ferramenta. É a ordem que a maioria inverte, e é a causa de tantos projetos frustrados. A tecnologia mais avançada não conserta uma tradução errada; ela apenas a propaga com mais velocidade e mais confiança. A fundação vem primeiro.

Um caso que mostra o antes e o depois

O de-para bem-feito não aparece em nenhum painel, mas o seu efeito aparece nas decisões. A Mosarte saiu da confusão de planilhas desconexas para uma visão de orçamento confiável e comparável: a mudança aconteceu justamente quando o mapeamento entre as categorias da operação e a estrutura gerencial ficou resolvido. Com o de-para no lugar, cada número do painel passou a ter um caminho rastreável até a origem, e a objetividade nas decisões aumentou. É esse o dividendo do passo invisível.

Como fazer um bom de-para

Fazer o de-para bem não exige tecnologia, exige clareza e cuidado. Comece definindo a estrutura gerencial que você quer, o seu plano de contas e os seus centros de resultado pensados para decidir. Depois, mapeie cada item da origem para essa estrutura, conta por conta, sem deixar nada solto. Itens não mapeados são buracos por onde o erro entra.

O segredo é não ter pressa nessa etapa, porque ela paga dividendos em tudo que vem depois. Um de-para feito com calma e revisado uma vez sustenta meses de análise confiável. É o investimento de tempo menos glamouroso e mais rentável de um projeto de dados, justamente porque é a base sobre a qual todo o resto se apoia.

Vale também documentar o de-para, mesmo que de forma simples. Quando o mapa está escrito, e não só na cabeça de uma pessoa, a empresa deixa de ficar refém de quem o fez, e a manutenção e a auditoria ficam possíveis. Documentar o mapeamento é parte da governança de dados financeiros, as regras que tornam o número confiável. Um de-para documentado é um de-para que sobrevive a férias, a trocas de time e à passagem do tempo.

Os erros mais comuns no de-para

Alguns deslizes derrubam o de-para. O mais comum é deixar itens sem mapear, criando contas que caem em "outros" e escondem o que importa. Outro é mapear no detalhe demais ou de menos, criando uma estrutura que não ajuda a decidir. E há o erro de copiar a estrutura do ERP para o gerencial, ignorando que os dois têm propósitos diferentes.

Erro O que produz Como evitar
Contas sem mapear Valores em "outros" que escondem o real Conferir a lista de itens novos a cada período
Copiar a estrutura do ERP Análise gerencial com lógica fiscal, não decisória Partir das perguntas de gestão, não do ERP
Detalhe excessivo Manutenção cara e análise difícil de ler Criar só o nível que muda uma decisão
De-para sem responsável Mapa apodrecendo com contas novas sem mapear Nomear dono e rotina de revisão periódica

O antídoto para os três é manter o foco na decisão. Pergunte sempre: essa estrutura me ajuda a responder uma pergunta de gestão? Se uma dimensão ou nível de detalhe não muda nenhuma decisão, ele é peso, não valor. Um bom de-para é desenhado de trás para frente, partindo das perguntas que você quer responder, não das categorias que o ERP oferece.

O de-para não é uma vez, é manutenção

Um último ponto que muita empresa esquece: o de-para não é um projeto que se faz uma vez e acaba. A operação muda, novas contas surgem no ERP, novos centros de resultado nascem, e cada novidade precisa entrar no mapa. Um de-para abandonado vai apodrecendo, e os buracos voltam a contaminar os números.

Por isso, vale ter um responsável e uma rotina simples de manutenção: a cada período, conferir se algo novo na origem ficou sem mapear. É um cuidado pequeno que preserva a confiança construída. O de-para é como a conciliação: um hábito de manutenção que, mantido, evita que o problema grande se forme.

Próximo passo

Antes de investir na próxima ferramenta de BI ou de IA, faça um teste simples: pegue um número do seu painel ou relatório atual e tente rastreá-lo até a origem no ERP. Se o caminho for claro e o número bater, o seu de-para está saudável. Se você se perder ou o número não fechar, encontrou a raiz invisível dos seus problemas de dado. Arrumar o de-para é o passo menos visível e mais transformador que você pode dar para que a sua análise, enfim, mereça confiança. Para ver o que mais é possível quando a fundação está no lugar, o guia de IA e tecnologia financeira mostra as próximas camadas.

Perguntas frequentes

O que é o de-para de dimensões?
É o mapa que conecta as categorias do seu ERP às categorias da sua análise financeira: diz que esta conta da origem corresponde a esta natureza no seu gerencial. É uma tabela de tradução, conta por conta e centro por centro, entre como o dado está e como você precisa enxergá-lo.
O que é uma dimensão financeira?
É cada forma de olhar o seu resultado: por conta (tipo de receita ou despesa), por centro de resultado (área ou unidade), por projeto, por cliente, por forma de pagamento. Cada dimensão é um eixo de análise, e é o que permite responder perguntas de gestão sobre o número.
Por que o de-para é tão importante?
Porque é a fundação invisível do BI e da IA: ambos são tão bons quanto o de-para que os alimenta. Sem um bom de-para, o número mais bonito na tela mais avançada estará errado, porque foi montado sobre uma tradução torta. A tecnologia não conserta um de-para ruim, ela o propaga.
O que acontece se o de-para estiver errado?
Produz o pior tipo de erro: o número que parece certo e não é. O painel funciona, os gráficos aparecem, e a empresa decide com base numa mentira bem formatada. Isso mina a confiança em todos os números e leva a decisões ruins tomadas com convicção.
Qual o de-para mais importante?
O de contas, ligado ao plano de contas. O ERP tem o seu plano, detalhado para fins fiscais; o gerencial precisa de um plano pensado para decisão. O de-para de contas conecta os dois, e é o que permite a sua DRE gerencial se montar sozinha, na estrutura que você precisa.
O de-para tem a ver com o plano de contas?
Tem tudo a ver. O de-para de contas é a tradução entre o plano de contas do ERP e o seu plano de contas gerencial. Por isso, organizar o plano de contas gerencial é o primeiro passo para um bom de-para, e os dois trabalhos andam juntos.
Preciso de TI para fazer o de-para?
Não. Fazer o de-para bem exige clareza e cuidado, não tecnologia. Você define a estrutura gerencial que quer e mapeia cada item da origem para ela, conta por conta. É um trabalho de gestão e de método, que o próprio time financeiro conduz.
Como fazer um bom de-para?
Defina primeiro a estrutura gerencial que você quer, pensada para decidir; depois mapeie cada item da origem para ela, sem deixar nada solto. Desenhe de trás para frente, partindo das perguntas que quer responder, e documente o mapa para ele não viver só na cabeça de uma pessoa.
Quais os erros mais comuns no de-para?
Deixar itens sem mapear, criando contas que caem em outros e escondem o que importa; detalhar demais ou de menos; e copiar a estrutura do ERP para o gerencial, ignorando que têm propósitos diferentes. O antídoto é manter o foco na decisão que cada dimensão ajuda a tomar.
O de-para é feito uma vez só?
Não, é manutenção. A operação muda, novas contas surgem no ERP, novos centros de resultado nascem, e cada novidade precisa entrar no mapa. Um de-para abandonado apodrece e os buracos voltam. Vale ter um responsável e uma rotina simples de conferir o que ficou sem mapear.
O de-para serve para BI e para IA?
Para os dois, porque ambos dependem dele. Um painel de BI sobre um de-para torto mostra o número errado, e uma análise de IA sobre o mesmo de-para erra com a mesma elegância, só que mais rápido. O de-para é a base comum sobre a qual o BI e a IA se apoiam.
Por onde começar a arrumar o de-para?
Pegue um número do seu painel ou relatório atual e tente rastreá-lo até a origem no ERP. Se você se perder ou o número não fechar, encontrou a raiz dos seus problemas de dado. A partir daí, defina a estrutura gerencial e mapeie a origem para ela, começando pelas contas.
Preciso documentar o de-para ou basta deixá-lo no sistema?
Vale documentar, mesmo que de forma simples. Quando o mapa está escrito, e não só na cabeça de uma pessoa, a empresa deixa de ficar refém de quem o fez, e a manutenção e a auditoria ficam possíveis. Documentar o mapeamento é parte da governança de dados, e é o que faz o de-para sobreviver a férias, a trocas de time e à passagem do tempo. Nomear um responsável e uma rotina de revisão completa esse cuidado, porque novas contas surgem no ERP e precisam entrar no mapa.

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