
Em um mercado que muda constantemente, fica difícil para o gerente de controladoria acompanhar as informações da economia brasileira e tomar decisões com mais agilidade. Será que é a hora da sua empresa, por exemplo, trocar de instalações? Qual é o melhor momento para comprar aquele software de gestão? Ou, ainda, investir pesado nos produtos do seu negócio é a estratégia certa diante do cenário atual? Para ajudar você neste horizonte de dúvidas desenhado pelas tendências do mercado financeiro, é preciso entender o que aconteceu nos últimos anos. Por isso você, que trabalha com controladoria, deve saber quando poderá ver uma luz no final desse túnel chamado crise.
A economia brasileira em 2016
O ano dos 11 milhões de desempregados, do dólar em alta e das multas mais caras foi o período em que a Taxa Selic caiu pela primeira vez nos últimos quatro anos. Teve também gasolina mais barata em 2016, mas só para os donos dos postos. Nem a Olimpíada salvou o país da recessão severa que tomou conta da economia do Brasil.
Os abalos econômicos andam de mãos dadas com a turbulência política, dentro e fora do país. Não há como falar de tendências do mercado financeiro sem entender o contexto político. A operação Lava Jato, por exemplo, transformou Lula em réu e Eduardo Cunha em detento. Este último foi o grande arquiteto do impedimento de Dilma Rousseff e da ascensão de Michel Temer à presidência. Ao tentar barrar investigações da Lava Jato, o ex-senador e político inelegível por quatro anos Delcídio Amaral teve mandato cassado por quebra de decoro parlamentar. Renan Calheiros foi outro a sentar na cadeira dos réus sob acusação de peculato.
O legislativo não teve descanso. Nos momentos finais de seu governo, Dilma Rousseff aprovou o Marco Civil da Internet, impedindo operadoras de mudarem a cobrança pelo uso da banda larga, que teria quantidade de dados trafegados limitada e liberada apenas mediante pagamento de valor excedente. Foi em 2016 que o Pacote Anticorrupção sofreu intervenções que o desfiguraram e mantiveram apenas quatro de suas dez propostas originais. E como esquecer a PEC 241 que até mudou de nome para PEC 55, alvo de protestos em todo o Brasil por congelar os gastos públicos durante 20 anos? E o Brasil chegou ao fim do ano com a crise dos estados em curso.
O cenário econômico e político internacional também foi turbulento em 2016. A Inglaterra deixou a União Europeia. O mundo assistiu aterrorizado a ataques na Alemanha, na Bélgica, na Turquia e na França. Obama foi a Cuba. Mas o que causou mais impacto e incerteza no plano do mercado financeiro foi a eleição de Donald Trump. Norte americanos, e toda a população mundial, dormiram em um mundo e acordaram em outro. Para o Brasil, a política protecionista de Trump deve resultar em impactos econômicos negativos, já que o presidente dos EUA pode taxar produtos vindos de outros países, como medida protetiva.
Como os gestores de controladoria se adequaram à economia brasileira em 2016
O ano de 2016 de fato não foi fácil, sua empresa deve ter sentido os impactos e você, como gestor de controladoria, também! Cortes no orçamento, redução no quadro de pessoal, restrições dos investimentos e receitas menos abundantes impactaram diretamente o planejamento orçamentário das organizações.
Uma pesquisa realizada pela consultoria de recursos humanos Mercer, envolvendo 478 empresas de médio e grande porte, de diversos setores, retratou, entre outras coisas, que:
- Construtoras, montadoras e companhias de bens de consumo foram as que registraram maior redução no número de funcionários;
- A maior redução foi no nível operacional (18%), mas houve também 6% de cortes no nível de diretoria;
- Os funcionários estão trabalhando mais, mas ganhando menos. O crescimento médio da remuneração total em relação a 2015, foi menor que a inflação;
- Os bônus pagos no primeiro semestre de 2016, referentes ao desempenho no ano de 2015, ficaram abaixo do esperado.
O Índice de Estoques (IE) terminou o ano em alta, o que demonstrou desequilíbrio entre produção e consumo. O Índice de Preços do Varejo (IPV) também teve desempenho sofrível em 2016. O índice de Preços dos Serviços (IPS) e a Pesquisa Conjuntural do Comércio Eletrônicos (PCCE) se comportaram de forma instável e abaixo das expectativas durante todo o ano.
Em um cenário como esses, na busca pela redução de custos e maximização dos lucros, o trabalho dos gestores é dobrado. Orçamento empresarial integrado ao planejamento estratégico se torna requisito de sobrevivência, e mais do que nunca, cruciais para ajudar as empresas a passarem por momentos de tanta instabilidade na economia do Brasil.
E para facilitar o processo orçamentário, nada melhor do que contar com tecnologia. Uma solução especializada ajuda sua empresa a planejar, simular os cenários e reavaliar diretrizes orçamentárias de forma rápida e mais segura, permitindo adequação rápida às mudanças da economia do Brasil. E se você está pensando que isso só valia para 2016, está enganado! Gestão, controle financeiro e tecnologia são sempre essenciais.
E como ficam as tendências do mercado financeiro em 2017
Se 2016 foi turbulento e instável, o que será possível dizer sobre 2017? O novo ano já começou com os estados brasileiros quebrados pela crise. O Espírito Santo foi tomado pelo caos social diante da greve da Polícia Militar, forçando o exército a tomar as ruas. Diante deste e de outros fatos, quais são as principais tendências do mercado financeiro e da economia brasileira, e o que esperar de 2017? Confira as análises dos principais veículos especializados em economia e do artigos em colunas direcionadas a essa área:
Valor Econômico
O Brasil começa a “girar a roda em outra direção”, é o que afirma o ministro da fazenda, Henrique Meirelles, diante do equilíbrio entre crescimento das despesas públicas e arrecadação. Isso, segundo ele, promete acabar com o ciclo vicioso da queda do consumo, que gera o desestímulo da produção e, consequentemente, o desemprego.
O ministro também acredita que o crescimento do PIB brasileiro deve ser revisto. Pelo mercado, a previsão é de crescer na faixa de 0,59%, enquanto na leitura da base governista esse número pode chegar a 2%. Combinado a isso, a desaceleração da alta dos preços pode sinalizar o aumento do consumo, que alimenta a o ciclo virtuoso. O que significa que a inflação pode ficar próxima dos 4,5% perseguidos pelo Banco Central (BC).
Carta Capital
As turbulências provocadas pela Lava Jato e a era Trump geram incertezas em investidores e na economia do Brasil. Mesmo com a troca de governo, a instabilidade política continua a afetar o mercado financeiro. Investidores estrangeiros ainda não sentem que podem confiar na economia brasileira. O dinheiro custa a vir de fora do país não somente pela redução dos investimentos, mas também pela incerteza nas exportações, já que o protecionismo de Trump pode afetar a venda de mercadorias e commodities brasileiros para os EUA.
G1
O crescimento lento prometido para 2017 ainda não está garantido. Há especialistas que falam de aumento do PIB a 0,5%, de estagnação e, inclusive, de queda na faixa de 1% a 2%. A esperança está na redução da taxa de juros e no aumento do consumo. Certo é que o desemprego continuará crescendo e deve ser o último índice econômico a mostrar sinais de recuperação. Hoje, o Brasil tem 11,8 milhões de desempregados.
A inflação se aproxima dos 5%, mas não chega ao ideal de 4,5% estipulado pelo BC. A Selic deve cair para 10,5% até o final do ano. O dólar promete variação de R$ 3,50 a R$ 3,70. E as contas públicas devem fechar com rombo de R$ 139 bilhões. Essas são algumas tendências do mercado financeiro para 2017 de acordo com o portal de notícias da Rede Globo.
R7
O R7 traz as tendências do mercado financeiro mais otimistas. Um dos cenários mais positivos mostra uma redução da Selic, que chega a 9,5%. Somada a essa previsão positiva está a redução da inflação a 4,71% e o dólar a R$ 3,40, acompanhados de um crescimento no PIB de 0,5%. Com essas perspectivas, o consumidor deve renegociar dívidas, voltar a consumir e com isso movimentar a economia do Brasil. Isso porque também contará com um poder de compra mais elevado do que o que tinha em 2016.
Estadão
Achou que o R7 estava exagerando? É porque você ainda não leu no Estado de S. Paulo o artigo do colunista José Roberto Mendonça de Barros. Enquanto a Fundação Getúlio Vargas (FVG) trabalha um crescimento de 0,6%, o Boletim Focus traz 1,3% e o Governo Federal 1,6%. Já a MB, consultoria comandada pelo colunista, vai além: a arrancada de crescimento deve chegar a 2%. E se for preciso reajustar as estimativas do mercado financeiro, que seja para um número maior. São oito as razões que fazem Barros acreditar em um cenário tão positivo.
- Liquidez dos mercados internacionais;
- Consolidação do governo Temer;
- Recuperação do PIB agrícola;
- Redução do preço da comida;
- Redução da Selic;
- O movimento nos juros, estimula o crédito para as empresas;
- O processo de consolidação, reorganização e investimentos na digitalização e a automação tornam as empresas mais produtivas e competitivas;
- O PIB deve crescer.
Folha de S. Paulo
A Folha de S. Paulo registra que a inflação de janeiro é a mais baixa já registrada, conforme informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O índice ficou em 0,38%, o menor do período desde a 1979. Em janeiro de 2016 equivalia a 1,27%. Com a redução de quase um ponto, a inflação soma 5,35% nos últimos 12 meses. Isso significa que o Brasil começou 2017 com o pé direito? É o que também pode indicar a previsão da redução da Selic a 9,5% até o final do ano. Isso pode justificar a empolgação do Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, ao afirmar que o país sai da recessão já no primeiro trimestre.
Exame
A recuperação da economia brasileira promete ser lenta em 2017. A taxa Selic continua a cair, podendo chegar em 10,5% no final do ano. Essa aceleração no corte da Selic tem o poder de impulsionar a economia do Brasil, na medida em que ela regula outras taxas, como as de empréstimo para compra de veículos e imóveis. Alguns indicadores econômicos como o PIB e o IPCA (Índice Oficial da Inflação) servem de termômetro para 2017, mas as expectativas de crescimento econômico, mesmo que pequenas, têm sido diminuídas.
O novo ano será marcado pela tentativa de reformas que atingem diretamente o trabalhador com a Previdência Social e os direitos trabalhistas na mira de reformulações. O pacote de medidas econômicas coloca em ação o saque do FGTS de contas inativas e prevê a redução dos juros do cartão de crédito, para tentar diminuir o endividamento, incentivar o crédito e estimular o emprego. Diante da crise dos estados é possível que o Governo Federal renegocie as dívidas, aumentando o prazo de pagamento em 20 anos.
É, a economia brasileira aos poucos dá sinais de evolução, mas a vida na área de controladoria continua atribulada não é mesmo!? Índices econômicos, legislação tributária, desempenho empresarial, compliance, gestão orçamentária, e por aí vai. Por isso é muito importante estar antenado e organizar a área de controladoria da sua empresa, buscando automação de processos e time engajado. Do contrário, não há bônus que compense tanto trabalho.
Brincadeiras à parte, todo mundo sabe que tendências não são verdades absolutas, mas regem o mercado financeiro, no qual o dinheiro é rei e a especulação é rainha. Por isso, fique sempre atento aos fatos e conte com a Treasy para estar em dia com os assuntos mais importantes, que ajudam a definir as tendências do mercado financeiro para a sua empresa tomar as melhores decisões.