As fintechs e a nova realidade do mercado financeiro

Publicado dia 13 de fevereiro de 2018

Elas estão causando uma verdadeira revolução no mercado financeiro, seja superando a burocracia e oferecendo agilidade, seja reduzindo as taxas e promovendo maior acessibilidade. Estamos falando das fintechs, as startups de tecnologia do setor de finanças que estão conquistando espaço e lançando um enorme desafio às instituições tradicionais.

As fintechs e a nova realidade do mercado financeiro

Neste artigo, você vai conferir mais detalhes sobre essas novas empresas. Vamos apresentar um panorama desse movimento que está conquistando mais seguidores a cada dia e fazendo com que os bancos, que, a princípio, deveriam ser concorrentes, se aproximem, estabelecendo parcerias.

Proliferação das fintechs brasileiras

Mas o que significa fintech? Em uma definição rápida, podemos considerar como as startups e outras iniciativas que oferecem produtos e serviços financeiros aliados à tecnologia. Dessa forma, criam um novo tipo de relação entre empresas e usuários. Elas estão, basicamente, divididas em oito grupos: pagamentos, empréstimo e negociação de dívidas, investimentos, gestão financeira, eficiência financeira, funding, seguros e bitcoin.

No mundo, o movimento das fintechs vem se consolidando desde 2010, com Inglaterra e Estados Unidos liderando esse novo mercado. No Brasil, essas startups começaram a demarcar território desde 2013, quando voltaram seu foco para empreendedores e investidores.

Por aqui, essa revolução do sistema financeiro vem sendo impulsionada por um aumento considerável no número de fintechs. Entre fevereiro e novembro de 2017, segundo dados da Fintechlab, uma espécie de observatório do setor, o crescimento foi de 36%, passando de 244 para 332 empresas identificadas neste modelo, o que significa 88 startups a mais em um intervalo de nove meses.

Se somar o volume de fintechs com as iniciativas consideradas de eficiência financeira, o salto é de 40% dentro do mesmo intervalo de tempo, passando de 264 para 369. Segundo definição da Fintechlab, são consideradas empresas de eficiência financeira as novas plataformas de bureau de informações, as soluções de prevenção à fraude, de biometria e de analytics, além de outras tecnologias e serviços que apoiam e trazem mais agilidade e praticidade ao mercado financeiro.

Um dos destaques é o segmento de empréstimos, que alcançou um dos crescimentos mais significativos entre todas as modalidades. Em novembro de 2017, foram mapeadas 25 novas iniciativas deste tipo de atuação, que passou a representar 17% do total. Em fevereiro de 2017, o percentual era de 13%.

Os segmentos que mais cresceram em percentual, segundo o observatório, foram o de seguros, com aumento de 92%, e o de empréstimos, que teve alta de 75% em relação a 2016.

Outro levantamento realizado pela Fintechlab apontou que, em 2017, as fintechs brasileiras receberam um montante superior a R$ 1.028 bilhão de investimento, o que ajudou ainda mais o setor a ganhar força.

Quais são as fintechs brasileiras que mais se destacam?

As fintechs e a nova realidade do mercado financeiro

Em 2017, um grupo de fintechs brasileiras conquistou prêmios e destaque internacional. Veja quais foram:

  • Kickante levou um prêmio global de empreendedorismo feminino;
  • Nubank e Guia Bolso entraram para a lista das 100 fintechs mais inovadoras do mundo da KPMG e ainda entraram para a lista das 250 melhores fintechs do mundo da CB Insights;
  • Creditas e Easynvest também apareceram entre as 250 melhores fintechs do mundo da CB Insights;
  • Banco Original conquistou a quinta edição do Prêmio de Inovação Financeira da América Latina, concedido pela Florida International Bankers Association (FIBA).

A experiência dos clientes

As fintechs chegaram no mercado apostando na experiência do usuário, investindo no desenvolvimento de uma nova relação das pessoas com os produtos e serviços financeiros. Para isso, utilizam a internet e todas as comodidades que a web proporciona por meio de aplicativos e outras ferramentas.

Com as soluções apresentadas por essas startups, é possível realizar um número cada vez maior de serviços pela tela do smartphone. Pedir empréstimo e aumentar o limite do cartão de crédito, por exemplo, que no modelo tradicional exigem uma certa burocracia, agora podem ser feitos por aplicativos e em poucos cliques. O mesmo vale para seguros, operações de câmbio, investimentos e negociações de dívidas.

A gestão financeira também ficou mais fácil. O Guia Bolso é um exemplo de fintech que apostou em uma solução, em forma de aplicativo, que se integra com as contas bancárias e permite que as pessoas controlem suas finanças de qualquer lugar e a qualquer hora.

Além desses serviços mais diretos, a experiência do usuário também está ligada ao quanto ele paga por esses serviços. Enxutas e menores, as fintechs conseguem competir melhor nos preços, oferecendo taxas menores aos clientes.

O Nubank, por exemplo, conta com essas duas características. A startup oferece um cartão de crédito sem anuidade e um aplicativo pelo qual os clientes podem resolver todas as demandas, como aumento do limite, antecipação do pagamento da fatura e todo o detalhamento dos valores.

Para termos uma ideia do que isso significa, imagine que você recebeu um dinheiro e quer usá-lo para antecipar a fatura. Em vez de ter que ir até o banco ou ligar e correr o risco de enfrentar uma longa espera no telefone, você acessa o aplicativo, procura a fatura que pretende pagar e gera um boleto, que pode ser quitado em diversos lugares e também pela internet. Muito mais fácil, não é mesmo?

Essas vantagens com as quais muitas pessoas nunca tiveram contato tem um grande potencial de gerar fidelidade entre os clientes. Tanto é verdade que o Nubank aposta justamente nisso para conquistar mais clientes. Uma das formas de começar a utilizar o serviço é por meio de indicação de quem já usa.

Os benefícios para as empresas

No universo corporativo, além dos serviços bancários, outra grande vantagem que as fintechs apresentam é a automatização de uma série de atividades que, no modo tradicional, precisariam ser feitas de forma manual. O Asaas, por exemplo, é uma aplicação de gestão financeira que cria boletos, envia e realiza a cobrança dos clientes, criando uma série de facilidades.

Já o Banco Inter, outro exemplo de fintech que se especializou no atendimento de empresas, pode ser considerado uma espécie de versão do Nubank para pessoa jurídica. Ele oferece uma conta corrente digital e gratuita, na qual os empresários podem fazer as movimentações bancárias da empresa via internet banking e com isenção total de tarifas.

Mas existem outros exemplos, como a Geru, que é uma plataforma para empréstimos online que atende, principalmente, pequenas empresas e profissionais liberais. O serviço promete taxas mais baixas, agilidade na liberação do dinheiro e segurança nas transações, além garantir atendimento 24 horas por dia e sete dias por semana.

Os serviços financeiros, sempre considerados tão tradicionais, também estão se atualizando e apresentando novas formas de fazer negócio.

Fintechs versus bancos: a aproximação já é uma realidade

As fintechs trabalham em cima da dificuldade das instituições financeiras tradicionais de conseguirem inovar em um nível superior. Apesar de terem dinheiro, mudar uma cultura tão enraizada custa muito caro e é demorado. São empresas com muito tempo de mercado, que têm uma hierarquia rígida em relação à tomada de decisões e precisam prestar contas para acionistas, enfim, tudo acontece com uma velocidade muito menor que em uma startup.

Se as fintechs são mais ágeis e oferecem até mesmo tarifas mais baixas (ou nenhuma tarifa), elas representam uma ameaça aos bancos tradicionais, certo? A princípio, sim, mas, na prática, não. Fintechs e bancos estão cada vez mais próximos e combinando o que cada um tem a oferecer de melhor.

As empresas tradicionais têm, além da experiência no mercado, conhecimento sobre regulação, influência, capital para investir e uma carteira de clientes consolidada. Já as fintechs oferecem a capacidade de inovar sem correr grandes riscos e toda a tecnologia desenvolvida.

Os bancos e outras instituições estão, inclusive, criando programas de apoio e aceleração para essas startups. O Bradesco conta com o InovaBRA, o Itaú tem o Cubo, o Santander criou seu laboratório de inovação e o Banco do Brasil tem o Laboratório Avançado Banco do Brasil (LABB).

Na apresentação do InovaBRA, por exemplo, a co-inovação aparece como principal aposta. O programa é apresentado como um movimento criado para promover a inovação dentro e fora do Bradesco. “Uma missão que cumprimos por meio de um ecossistema de programas que abrangem aquisições estratégicas, inovação interna e co-inovação”, diz o texto.

Além das iniciativas dos bancos, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) ajuda nessa aproximação, inserindo as fintechs em seus eventos anuais que tratam de tecnologia da informação.

Conclusão

O futuro já chegou. É bem provável que você tenha ouvido essa frase em algum lugar. No entanto, mesmo sendo um certo clichê, ela resume perfeitamente o que as fintechs representam para o sistema financeiro brasileiro e mundial.

Grandes instituições, que por anos se acostumaram com seus modelos de produtos e serviços, estão tendo que se adaptar ao novo paradigma que chega por meio das startups. Cabe a todos esses agentes encontrarem uma forma de lidar com as mudanças e alcançarem o equilíbrio perfeito.

Para isso, a parceria é uma saída que vem sendo utilizada. As grandes investem nas pequenas startups e ajudam os empreendedores a desenvolverem suas ideias inovadoras. Assim, ganham os consumidores e o mercado se desenvolve de maneira mais sustentável.

Esperamos que você tenha gostado deste artigo. Ficou com alguma dúvida ou quer contar uma experiência? Fique à vontade. Estamos aqui para ouvi-lo e trocar ideias.

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Este tópico contém resposta, possui 1 voz e foi atualizado pela última vez por  Daniela Pereira Fernandes 1 ano, 9 meses atrás.

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