Controller Cast #61 – Liderança em finanças: como ir além dos números, com Juliana Neri

Publicado dia 13 de janeiro de 2026

Tempo médio de leitura

10 min

Existe um momento em que o profissional de finanças percebe que “fazer conta” já não é o suficiente. Não porque os números perderam valor, pelo contrário: eles continuam sendo a base da tomada de decisão. Mas porque, conforme a cadeira muda (e a responsabilidade aumenta), o impacto passa a depender de algo menos óbvio: gente.

No episódio #61 do Controller Cast, conversamos com Juliana Neri, Regional Senior Controller – Americas na HARTING Technology Group, sobre liderança, empatia, carreira e o papel da controladoria como parceira do negócio. E, ao longo do papo, uma mensagem apareceu com força de várias formas, e ficou explícita no recado final dela:

“Tenham foco nos dados, mas não se esqueçam das pessoas.”
— Juliana Neri

Abaixo você pode assistir o episódio na íntegra, ou ouví-lo no Spotify.

Neste artigo, resumimos os principais insights do episódio para você não perder nada. 

Quem é Juliana Neri 

A Juliana atua há mais de 18 anos na área financeira e de controladoria e ocupa atualmente a posição de Regional Senior Controller – Americas na HARTING Technology Group

Além do trabalho executivo, ela também toca um projeto de conteúdo voltado a desenvolvimento profissional, com perfil no Instagram @jn.carreira.

Confira os principais insights compartilhados por Juliana:

Números importam, mas quem sustenta o orçamento são pessoas

Quando chega o período de orçamento (ou qualquer ciclo de pressão), a primeira reação do financeiro costuma ser técnica: mais análises, mais relatórios, mais reuniões. Só que a Juliana traz uma perspectiva diferente: o que faz um time atravessar a maratona não é um “pico de esforço” no mês do budget, mas uma base construída ao longo do ano.

Ela explica isso com uma imagem que é quase impossível não visualizar:

“É como se eu fosse depositando uma moedinha de energia nessa equipe ao longo do ano…”
— Juliana Neri

Ou seja: não é só sobre cobrar na reta final. É sobre manter proximidade, clareza e confiança antes da pressão chegar. E aí ela amarra o ponto central:

“Os números são importantes… mas por trás de tudo isso tem as pessoas.”
— Juliana Neri

Essa frase parece simples, mas muda a forma como a controladoria se posiciona. Porque, quando você aceita que o resultado passa por pessoas, surge uma pergunta inevitável: o que eu preciso desenvolver para liderar melhor?

E é aqui que o episódio entra em um segundo insight, que funciona como uma ponte natural para a evolução de carreira.

Humildade intelectual: crescer na carreira exige aprender (o tempo todo)

Quando a conversa vai para carreira, a Juliana não fala sobre um “passo a passo” rígido. Ela fala de mentalidade. E, talvez por isso, algumas frases dela ficam ecoando.

A primeira é sobre não ter medo de estar em ambientes onde você ainda não domina o assunto:

“Eu não tenho medo nenhum de ser a pessoa mais burra da mesa.”
— Juliana Neri

E isso não é nada sobre autodepreciação. É sobre estratégia: crescer mais rápido significa se colocar em contextos onde você aprende mais rápido. E ela complementa com uma observação que explica por que essa postura nunca “termina”:

“As mesas estão mudando o tempo todo.”
— Juliana Neri

Quando você junta esse ponto com o anterior, a lógica fica clara: se liderança é sobre pessoas e contexto, então a carreira em finanças precisa ir além do domínio técnico. Você precisa aprender a dialogar, a interpretar o cenário e a traduzir o número para decisão.

E isso puxa o próximo tópico do episódio: o lugar da controladoria dentro do negócio.

Controladoria como parceira do negócio: sair da planilha e entrar na operação

A Juliana aponta uma virada importante: a controladoria não pode ser percebida apenas como a área que “aponta o erro” ou “cobra o resultado”. Ela defende um posicionamento mais próximo da operação, mais útil, mais conectado com decisão.

Em um trecho direto, ela resume: “Controladoria tem que serparceiro do negócio.”

Essa frase tem consequências práticas. Ser parceira do negócio implica:

  • Entender o que está por trás do número (não só o número);
  • Antecipar perguntas (não só reagir a cobranças);
  • Ajudar a decidir (não só reportar).

E quando a controladoria assume esse lugar, muda também o padrão de entrega. O que nos leva a um ponto que, no episódio, aparece como uma espécie de “músculo” de quem é estratégico: entregar mais valor do que o mínimo necessário — com intenção.

Rituais de liderança: como manter o time alinhado (inclusive no Home Office)

Um ponto sutil, mas forte, na fala da Juliana é que times não “entram em sintonia” por acaso. Existe uma construção contínua que sustenta o trabalho quando a pressão aperta.

No episódio, ela comenta sobre cadências de acompanhamento — incluindo encontros recorrentes e conversas individuais — como parte do jeito de manter o time coeso e com clareza do que importa.

A mensagem por trás disso é simples: liderança não é um evento; é uma prática repetida. Não é projeto, é processo! E essas rotinas são a base que torna possível aquele “depósito de energia” ao longo do ano.

Mas, à medida que a liderança cresce, surge um desafio inevitável: como manter essa proximidade e essa entrega sem virar gargalo?

É aqui que a conversa chega em um dos pontos mais “pé no chão” do episódio: delegação.

Delegação (de verdade): o antídoto para o burnout e para times que não evoluem

No bloco final do episódio, a Juliana compartilha um erro que ensinou mais do que curso: tentar dar conta de tudo.

“Esse foi querer dar conta de tudo… a gente não dá conta de tudo.”
— Juliana Neri

Ela fala sobre sobrecarga, sofrimento e queda de entregas — até aprender uma distinção que é quase uma regra de ouro para qualquer liderança:

“Delegar é diferente de delargar.”
— Juliana Neri

A diferença é prática. Delegar bem envolve clareza, acompanhamento e responsabilidade. “Delargar” é só transferir peso — e isso cria um problema novo em vez de resolver o antigo.

E a consequência de não delegar é dupla: você se esgota e impede que as pessoas cresçam. O que, voltando ao começo do episódio, enfraquece justamente o que sustenta o orçamento: o time.

Só que delegar bem também exige uma habilidade que muita gente no financeiro aprendeu “na prática”: empatia e adaptação.

O “overdelivery” que muda o patamar: entregar contexto, não só variação

Aqui, a Juliana fala de algo que todo mundo do financeiro conhece: muitas vezes você é acionado para “explicar um número”. Só que explicar não é a mesma coisa que ajudar a decidir.

Ela descreve uma postura de ir além do óbvio, pensando com a cabeça de quem pediu a informação: o que essa pessoa realmente precisa entender para agir?

E ela resume a diferença entre “o que qualquer sistema mostra” e “o que o financeiro estratégico entrega” com uma frase bem marcante:

“Falar que a despesa de viagem aumentou… qualquer ferramenta te dá.”
— Juliana Neri

O valor está no que vem depois: por que aconteceu, qual é o impacto, qual é a tendência, quais opções existem. Em outras palavras: o número é só a entrada — a entrega é a implicação.

Só que para manter esse padrão de entrega, não adianta depender de “inspiração”. É aí que entram os rituais e o episódio traz uma parte bem prática sobre rotina de liderança.

Um checklist prático (inspirado no episódio) para aplicar ainda este trimestre

Abaixo, um checklist bem prático, inspirado no que a Juliana descreve no episódio, sem “método mágico”, só o básico bem feito:

  1. Pergunte mais (e aceite não ser o mais “sabido” da sala).
    A postura de aprendizado intencional aparece quando ela fala sobre não ter medo de ser “a pessoa mais burra da mesa” e de aprender com pessoas melhores.
  2. Construa uma controladoria “útil” (não apenas correta).
    O exemplo de ser “parceiro do negócio” e ajudar a empresa a ganhar projeto é uma provocação direta para sair do papel passivo.
  3. Não entregue só “a variação do número”: entregue contexto e implicação.
    O raciocínio do “overdelivery” e de “pensar com a cabeça do outro” é um ótimo norte para relatórios e reuniões com diretoria/C-level.
  4. Crie rituais mínimos para sustentar o time (especialmente antes do orçamento apertar).
    Ela mostra que as rotinas não são burocracia, são preparação para a pressão do budget.
  5. Delegue com qualidade (ou você vira gargalo).
    A fala sobre “delegar é diferente de delargar” e o alerta do burnout são um lembrete importante para quem está crescendo na liderança.
  6. Coloque “cuidar de pessoas” na sua agenda como um trabalho real.
    Porque, como ela diz no recado final, os dados importam, mas as pessoas movem a organização.

Quer se aprofundar? Ouça o episódio completo do Controller Cast #61

Se você trabalha com controladoria, FP&A, finanças corporativas ou está construindo um caminho de controller para CFO, este episódio é uma aula prática de liderança aplicada à realidade do financeiro.

🎧 Assista o episódio completo aqui

E se quiser acompanhar a Juliana, ela menciona no episódio o LinkedIn e o Instagram @jn.carreira.

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