
Você sabe quanto vai gastar com pessoal no próximo ano. Sabe, pelo menos em parte, porque tem o time formado e as premissas definidas. O que falta é transformar essas informações em um orçamento estruturado, que você consiga defender para a diretoria e acompanhar mês a mês.
É esse trabalho que a terceira e última aula da Jornada da Meta ao Resultado 2026 mostra na prática. O vídeo é uma live conduzida pelo Gilles de Paula, onde a empresa Campo Software é usada como caso real para construir, do zero, o orçamento completo: gastos com pessoal, receita, deduções de vendas, despesas e investimentos. E, ao final, a simulação de cenários que transforma o orçamento em ferramenta de decisão.
Por que começar pelos gastos com pessoal
A ordem importa. A Campo Software passou 2025 estruturando um time sólido e definiu como premissa manter esse quadro em 2026. Isso trava uma variável antes de abrir qualquer outra: independentemente do resultado que a empresa precisa entregar, ela vai entregá-lo com aquele time.
Começar pelo orçamento de gastos com pessoal tem uma lógica clara. É a maior e mais rígida linha de custo da maioria das empresas. Uma vez que você sabe quantas pessoas e quais salários, o resto do orçamento precisa se encaixar nessa realidade, não o contrário.
No Treasy, o trabalho começa pela configuração dos valores padrões: os encargos (FGTS a 8%, INSS a 20%, férias, 13º) e os benefícios (vale-refeição, vale-transporte, plano de saúde, plano odontológico). Esses valores funcionam como um modelo base que se aplica automaticamente a cada cargo cadastrado. Para cargos com benefícios diferenciados (gerentes, diretores), você ajusta pontualmente sem mexer no padrão.
Com os valores padrões configurados, a lógica fica simples: você informa quantidade de funcionários e salário unitário por cargo, e o Treasy calcula encargos, benefícios e comissões para cada linha. A Campo Software, por exemplo, começa 2026 com 67 pessoas e projeta terminar com 73. O crescimento está concentrado no atendimento ao cliente, que vai precisar reforçar o time à medida que a base de clientes acumula ao longo do ano.
O resultado: uma folha que parte de R$ 901 mil mensais e encerra dezembro próxima de R$ 960 mil, incluindo salários, encargos e benefícios.
Orçamento de receita: a parte mais difícil
Com o pessoal travado, a atenção vai para a receita. E aqui a aula é honesta: em quase 12 anos ajudando empresas a fazer orçamento, o orçamento de vendas é o que mais gera dificuldade. Pessoal é sobre crescer ou não o time. Despesas é sobre o que manter e o que mudar. Receita exige prever o comportamento do mercado.
Dois pontos de apoio facilitam o trabalho:
O histórico. A Campo Software terminou 2025 com 748 clientes e quase R$ 928 mil em receita mensal, tendo começado o ano com 400 clientes e R$ 495 mil. Uma taxa de crescimento real que fornece uma referência concreta para a projeção de vendas.
O time de marketing e vendas. Com SDRs, BDRs e closers definidos, você consegue estabelecer metas de geração de leads, de reuniões agendadas e de fechamentos. O time gera uma previsibilidade de demanda que não existe quando os papéis comerciais são vagos.
O orçamento de receita no Treasy trabalha com duas variáveis por produto e canal: quantidade e preço. A Campo Software tem uma política anual de reajuste de tabela em janeiro, o que já define o preço para o período. A quantidade projeta a taxa de aquisição mensal de novos clientes por nível de serviço.
O resultado que o time comercial entregou: crescimento de 748 para 1.276 clientes, com ticket médio passando de R$ 1.240 para R$ 1.285. A receita projetada ficou em torno de R$ 16 milhões anuais.
A ressalva que a aula faz é importante: a empresa dobrou a base em 2025 com um time menor. Em 2026, com um time muito maior e mais estruturado, a projeção que não chega a dobrar de novo provavelmente vai gerar questionamentos da diretoria. É um ponto de atenção real, que vai aparecer na reunião de aprovação do orçamento.
Deduções de vendas: o que o governo leva
Com a receita orçada, o próximo passo são as deduções de vendas. Para a Campo Software, que está no lucro real, são três alíquotas diretas: 0,65% de PIS, 3% de Cofins e 2% de ISS.
O Treasy permite aplicar esses percentuais em lote para todos os produtos e canais de uma vez, sem precisar entrar produto a produto. O resultado: a empresa começa o ano pagando R$ 57 mil por mês em impostos sobre a receita e termina próxima de R$ 93 mil anuais, acompanhando o crescimento do faturamento.
Orçamento de despesas: o mais simples, mas com um detalhe importante
O orçamento de despesas é estruturalmente mais simples que a receita e que o pessoal. Você abre o plano de contas, vai grupo a grupo (infraestrutura, sistemas e ferramentas, marketing, administração), e informa o valor planejado por centro de custo. O histórico do ano anterior serve como ancora: você enxerga a tendência e ajusta conforme as premissas de crescimento ou redução.
Um ponto de atenção que a aula destaca: despesas pagas em moeda estrangeira precisam de atenção especial. A Campo Software usa ferramentas como Amazon AWS, Google, Apollo e outras que são cobradas em dólar. Qualquer variação cambial impacta diretamente essa linha, e é exatamente aí que a simulação de cenários entra.
O detalhe técnico relevante: quando você faz o orçamento de pessoal no módulo de planejamento do Treasy, ele fica separado da estrutura de despesas. Para comparar corretamente com o realizado, você precisa direcionar esses gastos para a estrutura de centros de custo e contas. No total, a Campo Software ficou com R$ 278 mil anuais em despesas operacionais, além da folha de pessoal.
Investimentos e depreciação
Para fechar o orçamento, a aula trata dos investimentos de capital. No caso da Campo Software, empresa jovem com ativos recentes, o único investimento necessário em 2026 é equipar as seis novas pessoas do time de atendimento. A estimativa: R$ 30 mil em notebooks.
O Treasy gera automaticamente a depreciação a partir do investimento cadastrado. Você informa a vida útil do ativo (notebooks: 5 anos) e o sistema separa o fluxo corretamente: a saída de caixa aparece no fluxo de caixa, a depreciação aparece no DRE. São lógicas diferentes que não podem ser misturadas.
O DRE revelou o problema
Com todos os blocos montados, a aula abre o DRE projetado de 2026. O EBITDA que aparece: R$ 551 mil. A meta acordada: R$ 5 milhões.
O número não é surpresa para quem acompanhou o raciocínio. A receita cresceu bem, mas o pessoal cresceu 166% em relação ao ano anterior, e as despesas absorveram o restante da margem. O desvio orçamentário entre a meta e o orçamento construído é grande demais para ser ignorado.
A aula aponta as duas saídas possíveis: aumentar a receita ou reduzir despesas. E faz uma observação honesta: segundo a experiência acumulada, cerca de 70 a 80% dos orçamentos não são aprovados na primeira versão. A revisão faz parte do processo, não é um sinal de falha. O primeiro orçamento é a base de negociação.
Simulação de cenários: de onde vêm as variáveis
Com o orçamento base construído, a última etapa é criar cenários alternativos. No Treasy, o fluxo é direto: você copia o plano orçamentário e trabalha variáveis no plano copiado, sem mexer no orçamento original.
Se quiser acompanhar a simulação com os seus números, o modelo de simulação de cenários em planilha ajuda a testar as mesmas variáveis fora do sistema.
Dois exemplos práticos que a aula mostra:
Dissídio coletivo. A Campo Software tem funcionários CLT, e o dissídio vem em outubro. Você pode simular o impacto de um reajuste de 15% sobre toda a folha aplicando o percentual em lote a todos os cargos. O Treasy recalcula encargos e benefícios automaticamente, porque tudo está conectado ao salário base.
Variação cambial. Ferramentas como Amazon, Google, Apollo e outras são cobradas em dólar. Com o câmbio oscilando, você pode criar um cenário pessimista (dólar a R$ 7 ou R$ 8) e um otimista (dólar mantido nos patamares atuais) para entender o impacto no resultado antes que ele aconteça.
Esse é o ponto central da análise de cenários orçamentários: você não está mudando o plano, está testando premissas. O orçamento permanece intacto enquanto você explora o que acontece se as condições muderem.
Planejado versus realizado ao longo do ano
Terminar o orçamento não é o fim do trabalho. Ao longo de 2026, a Campo Software vai sincronizar os dados do ERP e comparar o planejado com o realizado mês a mês. A coluna de histórico na modelagem financeira vai mostrar o que está acontecendo versus o que foi projetado.
Essa comparação é o núcleo do acompanhamento orçamentário P×R. Identificar o desvio cedo, entender a causa e agir antes que ele comprometa o ano inteiro é o que diferencia uma empresa que usa o orçamento como ferramenta de uma que o deixa na gaveta.
Empresas com mais maturidade chegam ao rolling forecast, mantendo sempre 12 meses projetados à frente. Mas para quem está fazendo o primeiro orçamento, o ciclo básico já é uma mudança significativa: planejar, acompanhar, revisar quando necessário.
O que a aula deixa claro sobre o processo
A mensagem central da live não é sobre o software. É sobre a lógica por trás do processo.
A modelagem financeira é o fundamento. Quando uma empresa diz que fazer orçamento é difícil, o problema quase sempre está ali: plano de contas mal estruturado, centros de custo sem sentido ou dimensões que não refletem como o negócio opera. Com a modelagem certa, o orçamento flui.
As premissas orçamentárias são o segundo ponto crítico. Saber o que está travado (o quadro de pessoal, por exemplo) e o que é variável permite construir um orçamento com uma lógica interna consistente. Sem premissas claras, você chega no final e não consegue explicar por que chegou onde chegou.
E o orçamento em si não é o destino. É o mapa. O que importa é o que você faz com ele ao longo dos meses seguintes.
Como comparar o seu orçamento com o realizado de 2025
| Bloco do orçamento | Ponto de partida recomendado | Principal variável a controlar |
|---|---|---|
| Gastos com pessoal | Quadro atual + premissa de crescimento do time | Headcount por área e salário unitário |
| Receita | Histórico de clientes e ticket médio dos últimos 3 meses | Taxa de aquisição mensal e reajuste de preços |
| Deduções de vendas | Regime tributário atual da empresa | Alíquota de PIS, Cofins e ISS por produto |
| Despesas operacionais | Histórico do ano anterior linha a linha | Contratos em dólar e reajustes de fornecedores |
| Investimentos | Plano de contratações e reposição de ativos | Vida útil para cálculo de depreciação no DRE |
| Cenários | Cópia do orçamento base sem alterar o original | Dissídio, câmbio, indexador de preços de venda |
Próximo passo
Se você assistiu às três aulas e fez os exercícios, saiu com um orçamento construído para a sua empresa, a lógica de como defender esse orçamento para a diretoria e a estrutura para acompanhar o resultado mês a mês.
Para quem está no início, vale conferir também a primeira aula da jornada para entender a visão completa do processo, e o guia completo de orçamento empresarial para aprofundar cada bloco.
E se você quer tirar o orçamento da planilha e colocá-lo para rodar com os dados reais do seu ERP, experimente o Treasy de graça e veja o que acontece quando o planejado encontra o realizado todo mês.
