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Controller Cast #65 – FP&A virou protagonista? O que muda na carreira do financeiro | Dani Martins

Valuation na prática para PMEs: quando fazer, quais métodos usar e como a IA está mudando o jogo. Insights do Controller Cast #64 com Rodrigo Garcia.

Neste artigo

Se você trabalha com finanças corporativas e ainda não parou para pensar no que realmente diferencia um analista financeiro de um parceiro estratégico de negócios, o episódio 65 do Controller Cast foi feito para você.

Dani Martins, fundadora da comunidade FPA Brasil e ex-Diretora Global de FP&A da ThoughtWorks, foi a convidada para uma conversa que durou pouco mais de uma hora — mas que poderia render uma pós-graduação. Em 25 anos de carreira, ela passou por grandes empresas no Brasil e no exterior, construiu um time de FP&A do zero em uma das empresas de tecnologia mais respeitadas do mundo e, hoje, dedica seu tempo a elevar o nível dos profissionais financeiros brasileiros.

Aqui você vai encontrar os principais aprendizados do episódio. E se quiser ouvir tudo com calma, o link está no final do texto.

Abaixo você confere o episódio na íntegra ou pode ouvir no Spotify:

Capa do vídeo: YouTube video playerVídeo · YouTube

Compilamos os principais insights do episódio no texto abaixo:

Uma carreira que começou conferindo nota fiscal — e não tem nada de errado nisso

Dani abriu o episódio fazendo questão de desmistificar um equívoco comum: a de que grandes executivos financeiros sempre foram assim. "As pessoas olham para a parte executiva e esquecem que a gente começou conferindo nota fiscal", disse ela.

Natural de Porto Alegre, ela migrou para Londres em 2004, onde trabalhou na Carphone Warehouse e depois na Disney Store — empresa que, por razões óbvias, nunca deixa de chamar atenção quando aparece no currículo. Foi lá que ela teve seu primeiro contato real com o que o mercado viria a chamar de FP&A: análise de margens, projeções de rentabilidade por loja, Perdas e Ganhos. Tudo isso ainda sem essa nomenclatura, mas com toda a essência.

Ao retornar ao Brasil em 2009, Dani trouxe consigo uma bagagem técnica sólida — incluindo anos de estudo para a certificação CIMA — e uma visão de finanças que era, para os padrões brasileiros da época, bem à frente do seu tempo.

ThoughtWorks: montar o financeiro do zero em uma empresa radicalmente diferente

Em 2011, Dani entrou na ThoughtWorks como a primeira profissional de finanças da empresa no Brasil. Recebeu um caderno em branco e um computador. O resto, ela montou.

A ThoughtWorks é uma empresa de tecnologia conhecida por ser uma das berços do Manifesto Ágil — seus próprios colaboradores ajudaram a escrevê-lo. Para Dani, isso significou entrar num ambiente onde a lógica do financeiro tradicional simplesmente não funcionava. "Eu cheguei com a espada na mão, querendo colocar ordem. E me dei conta que era guerreira no lugar errado."

Foram dois anos de jornadas de 70 horas semanais. A empresa crescia 30% ao ano. O time financeiro dela começou com um estagiário. Mais tarde, uma assistente. Os chamados "porquinhos da Índia", ela brincou — as primeiras pessoas sobre as quais exerceu liderança e com quem aprendeu, na prática, o que era ser gestora.

O episódio mais revelador veio quando ela assumiu a cadeira de Head de Operações e, de certa forma, "tomou conta de 85% da empresa" ao mesmo tempo em que o CEO viajava. O resultado foi inevitável. "Deu errado. E eu aprendi mais com aquela queda do que com muita coisa que deu certo antes."

O que veio depois, no entanto, foi ainda mais relevante: em vez de ser desligada, a empresa a convidou a integrar o time Global de Finanças. Ali, ela passou a construir algo que poucos profissionais brasileiros tinham a chance de vivenciar: uma área de FP&A global, do zero, operando em 12 países.

FP&A não é uma caixinha — é uma filosofia de trabalho

Uma das passagens mais ricas do episódio foi quando Dani distinguiu, com precisão cirúrgica, o que separa a Controladoria do FP&A — e por que as duas são igualmente indispensáveis.

"Sem Controladoria, uma empresa não existe. Ela é a base: contas a receber, contas a pagar, fiscal, contabilidade. Agora, sem FP&A, ela pode existir — mas vai perdendo dinheiro sem saber por quê."

Segundo ela, a maturidade do FP&A se desenvolve em estágios. No nível mais básico, o profissional financeiro executa o orçamento, controla o gasto e cobra o cumprimento do que foi planejado. Nos estágios intermediários, ele começa a questionar: "Será que não dá para realocar essa verba para algo mais estratégico?" Nos níveis mais avançados, ele senta com o CEO, entende o modelo de negócios a partir das variáveis operacionais e é capaz de reconstruir o orçamento a partir de uma árvore de decisão que conecta o DRE às métricas reais do negócio.

"O FP&A maduro não olha do DRE para fora. Ele olha da operação para dentro. Entende o que vendas está negociando, por que isso impacta a margem, e constrói o planejamento junto com as pessoas — não para elas."

Esse modelo colaborativo — que Dani vivenciou desde o início na ThoughtWorks, por força da cultura ágil da empresa — é justamente o que muitas organizações brasileiras ainda estão tentando implementar. E é exatamente aqui que ferramentas como a Treasy fazem diferença: ao estruturar o processo orçamentário de forma colaborativa, com cada área participando da construção das metas, o planejamento deixa de ser um documento financeiro isolado e passa a ser um instrumento de gestão compartilhado. Se você ainda não conhece a plataforma, vale explorar — o cadastro é gratuito e você pode começar a testar hoje mesmo.

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O profissional que o mundo quer — e que ainda é raro no Brasil

Dani falou muito sobre o conceito de Finance Business Partner — ou, como ela prefere chamar, o "FP&A Sênior". Para ela, esse profissional é, na prática, um mini-CFO: entende de finanças, de operação e de estratégia. "Sem essas três coisas, você não consegue atuar nesse nível."

A popularização do FP&A no Brasil, segundo ela, está diretamente ligada à automação. "Cada vez menos o financeiro precisa fazer o operacional. Isso libera capacidade para desenvolver análises mais sofisticadas — e aí aparecem as pessoas que nunca se adaptaram ao perfil técnico tradicional, mas que sempre foram analíticas."

O paradoxo, ela apontou, é que justo no momento em que o FP&A está em alta, o maior gap do mercado não é técnico. É humano.

"Todas as formações financeiras deveriam incluir uma formação humana. Saber se relacionar, influenciar, gerar colaboração — isso é o que vai restar quando a inteligência artificial assumir o operacional."

E esse ponto ficou ainda mais urgente com a chegada acelerada das ferramentas de IA generativa. Dani contou que se tornou usuária ativa nos últimos meses. "A chegada do Claude — que eu insisto em chamar de Cláudio — deu uma mexida real. Mas exatamente por isso o pensamento crítico, a escuta ativa e a criatividade se tornam mais valiosos, não menos."

O gargalo que ninguém fala: habilidades humanas e autogestão

Além de tudo que envolve o trabalho técnico-estratégico, Dani trouxe ao episódio uma reflexão que raramente aparece em podcasts de finanças: a saúde mental e a autogestão como pré-requisitos para uma carreira sólida.

Ela compartilhou que, em um período de alta pressão — que hoje ela reconhece como próximo ao Burnout —, adotou um hábito simples e transformador: o diário de autoavaliação. Todo início de dia, escrevia suas intenções. Ao final, revisava como havia se sentido, o que havia feito e onde precisava melhorar.

"Não tem curso no mundo que vai te ajudar mais do que isso. Se você fizer isso por 6 meses, você vai ser outra pessoa."

E ela foi além: falou sobre planejamento financeiro pessoal como alicerce da liberdade profissional. "O colchão financeiro me deu o privilégio da opção. Quando uma situação não estava mais me fazendo crescer, eu podia sair. Quem não tem essa reserva, fica preso — mesmo quando o ambiente já não serve mais para ele."

A corrida foi o outro pilar. Inegociável na agenda, mesmo na época mais intensa da carreira. "É onde faço meditação ativa. É onde minha mente se reformula."

FPA Brasil: uma comunidade que conecta o Profissional ao mundo

O episódio também foi a oportunidade de Dani apresentar com mais detalhes o trabalho da comunidade FPA Brasil, que ela fundou em 2022, com o incentivo de nomes como Paul Barnhurst(host do The FP&A Guy) e Cris Ortega.

Voltada para líderes de planejamento, a comunidade oferece um grupo exclusivo com encontros mensais, rodas de conversa abertas e, anualmente, o Fórum FP&A Brasil — que em 2026 acontece nos dias 29 e 30 de maio, em São Paulo. "Não é um evento tradicional de palestras. Tem muita prática. Tem a jornada que começa antes e continua depois."

Parte da renda arrecadada nas rodas de conversa e no fórum é destinada ao impacto social, especialmente a um projeto no Pantanal Sul que apoia comunidades ribeirinhas e povos originários com geração de renda e preservação cultural.

"A carreira é uma plataforma de desenvolvimento da sua pessoa — não o contrário. Use-a para se tornar um ser humano melhor."

Participe da Comunidade FPA Brasil: https://www.linkedin.com/groups/9859927/

Conheça o Grupo Exclusivo de Lideres da Dani: https://gelp-fpabrasil.lovable.app/

Saiba mais sobre o Fórum FPA Brasil: https://forumfpabrasil2026.lovable.app/

O que levar do Episódio 65

Se você chegou até aqui, provavelmente já tem em mente algumas perguntas sobre como está posicionado na sua própria jornada de maturidade financeira. Esse é exatamente o tipo de reflexão que o episódio provoca — e que, na prática, faz a diferença entre um profissional que executa e outro que transforma.

Ouça o episódio 65 do Controller Cast na íntegra. Anote as palavras que parecerem estranhas — como dança, neurociência, árvore de decisão aplicada inversamente — e pesquise. É ali que estão os próximos passos da sua carreira.

Se conecte com a Dani Martins: https://www.linkedin.com/in/eudanimartins/ https://www.instagram.com/eu.danimartins_/

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Perguntas frequentes

O que diferencia um analista financeiro de um parceiro estratégico de negócios?
Um analista financeiro trabalha com dados históricos e relatórios. Um parceiro estratégico antecipa cenários, questiona premissas do negócio e ajuda o CEO a tomar decisões melhores. A diferença é sair de "o que aconteceu" para "o que pode acontecer e por quê".
FP&A é a mesma coisa que contabilidade?
Não. Contabilidade registra o que já aconteceu (passado obrigatório). FP&A planeja o que pode acontecer (futuro estratégico). Um olha para trás, o outro olha para frente — e conversa com toda a empresa, não só com o fisco.
Por onde começa uma carreira em FP&A?
Na maioria das vezes, pelo básico: análise de notas fiscais, reconciliações, conferência de dados. Dani começou assim em Porto Alegre, e depois evoluiu para análise de margens e projeções de rentabilidade. Não tem atalho — a técnica vem primeiro, a estratégia vem depois.
Quanto tempo leva para sair de analista para Head de FP&A?
Depende da empresa, do mercado e de quanto você aprende com o que dá errado. Dani levou cerca de 10 anos passando por diferentes funções (analista, líder de times, Head de Operações) antes de chegar a uma posição verdadeiramente estratégica. Experiência conta mais do que qualificação no papel.
Vale a pena estudar para certificações como CIMA se trabalho com finanças?
Vale, especialmente se você quer trabalhar no exterior ou em empresas multinacionais. CIMA dá credibilidade e estrutura técnica sólida. Mas não é o diferencial maior — o que separa é saber conversar com o negócio, não só com números.
Como FP&A funciona em empresas de tecnologia ou ágeis?
Diferente de empresas tradicionais. Em ambientes ágeis, o financeiro precisa ser ágil também — ciclos curtos, métricas que conversam com o produto, rapidez nas decisões. O caderno em branco é a realidade: você cria a estrutura conforme o negócio cresce, não antes.
Se meu time financeiro é pequeno, consigo estruturar FP&A?
Sim. Começa pelo básico: plano de contas bem desenhado, fechamento de ciclo rápido, algumas projeções simples. Não precisa de 10 pessoas nem de ferramentas caras. O que importa é a lógica, não o tamanho.
O que fazer quando as coisas dão errado na gestão financeira?
Não se demite ninguém por tentar e falhar — se aprende. Dani viveu isso na ThoughtWorks: assumiu operações, errou feio, e em vez de ser desligada, foi convidada para o time global. O erro é a melhor escola, desde que você esteja disposto a enxergar o que deu errado.
Como estruturar FP&A em uma empresa que cresce 30% ao ano?
Rápido e enxuto. Enquanto a empresa cresce 30%, a estrutura financeira cresce junto — ou fica para trás. Você vai começar com um estagiário e uma planilha, depois adiciona pessoas e ferramentas conforme a complexidade aumenta. O timing é tudo.
FP&A funciona igual em 12 países diferentes?
A lógica é a mesma, mas cada país tem suas particularidades: moedas, legislações, ciclos de negócio. Uma área global de FP&A precisa de estrutura centralizada (para consistência) e flexibilidade local (para realidade). É um equilíbrio delicado.
Qual é o maior erro que um financeiro comete no começo da carreira?
Achar que finanças é só números. O maior erro é não conversar com o negócio, não fazer perguntas, aceitar tudo que vem do operacional sem questionar. Números sem contexto são só ruído.
Como um Head de FP&A se torna mais estratégico?
Deixando de ser apenas analista de números e começando a pensar como CEO — entendendo o mercado, os concorrentes, as limitações e oportunidades do negócio. Depois, trazendo essa visão para a conversa sobre dinheiro.
Se trabalho em uma PME, devo investir em FP&A agora ou depois?
Agora. FP&A não é luxo de empresa grande — é sobrevivência. Saber para onde vai seu dinheiro, quanto lucro cada cliente traz, se seus custos estão sob controle, faz a diferença entre crescer ou quebrar.
O que é FPA Brasil e por que comunidades como essa importam?
FPA Brasil é uma comunidade de profissionais financeiros brasileiros que trocam experiências, discutem tendências e elevam o nível técnico da profissão no país. Importa porque finança corporativa no Brasil ainda está aprendendo — e comunidades aceleram isso.

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