
Quando o gestor de marketing recebe um Excel com rubricas para preencher, ele não sabe por onde começar. Quando você pede para ele listar as ações que precisa executar para bater as metas do trimestre, ele preenche em minutos. Essa diferença de engajamento é a razão para integrar o plano de ação ao orçamento empresarial: você parte de uma linguagem que o gestor já domina e chega nos números que a controladoria precisa.
O vídeo abaixo mostra esse processo ao vivo, com uma empresa fictícia, dois planos de ação reais e o desdobramento deles dentro do Treasy:
Por que integrar plano de ação e orçamento
A maior dificuldade do orçamento colaborativo não é técnica: é de comunicação. O gestor de vendas conhece o mercado, conhece a equipe e sabe o que precisa fazer, mas raramente tem vocabulário financeiro para traduzir isso em contas e centros de resultado.
O plano de ação resolve exatamente esse ponto. Ele é uma interface que o gestor preenche no idioma dele, e a controladoria usa para extrair os números do orçamento. Três benefícios diretos:
- A controladoria fica mais próxima das áreas. Em vez de mandar planilhas e esperar, ela parte das ações do gestor e ajuda a montar o orçamento de cada departamento.
- O orçamento ganha mais contexto de negócio. Cada linha de despesa tem uma ação e um responsável por trás, o que facilita o acompanhamento P×R mês a mês.
- O abismo entre estratégia e execução diminui. Quando você vê que a contratação do analista sênior está no orçamento porque há uma ação de expansão de contas aprovada, a ligação entre o que foi planejado e o que acontece no dia a dia fica visível.
A ferramenta: plano de ação 5W2H
O vídeo usa o modelo 5W2H por ser estruturado o suficiente para capturar o essencial de qualquer ação, sem exigir conhecimento financeiro de quem preenche. As colunas são:
- O que será feito
- Por que será feito (resultado esperado)
- Quando acontece (mês de início)
- Onde (centro de resultado ou unidade)
- Quem é o responsável
- Como será executado
- Quanto vai custar (o investimento estimado pelo gestor)
O ponto central do vídeo é que grande parte do 5W2H já é um de-para natural para o orçamento: "quando" vira o mês, "onde" vira o centro de resultado, "quem" vira o responsável pela conta, e "quanto" vira o valor a orçar. A controladoria faz a ponte entre o plano e as rubricas corretas.
Caso prático: duas ações do comercial no orçamento
O vídeo parte de um cenário de revisão orçamentária. A empresa fictícia Campos está com EBITDA acima do planejado e o gestor comercial quer aproveitar o bom momento para reforçar a equipe e estruturar o processo de vendas. Ele traz duas ações:
Ação 1: Contratação de um analista comercial sênior Responsável: diretor comercial. Centro de resultado: comercial. Início: junho. Investimento estimado: R$ 8.000 de salário.
Para levar essa ação ao orçamento, a controladoria entra no módulo de gastos com pessoal do Treasy, seleciona a unidade e o centro de resultado corretos, e registra um colaborador a partir de junho com o salário informado. O sistema calcula encargos e benefícios automaticamente, e o custo total projetado sobe para R$ 11 mil por mês, incluindo todos os encargos patronais. O responsável pelo centro de resultado já aparece vinculado à conta, o que garante que ele possa inserir justificativas quando houver desvio orçamentário.
Ação 2: Contratação de um CRM Responsável: diretor comercial. Centro de resultado: comercial. Início: junho. Investimento: 12 x R$ 700.
Para essa ação, a controladoria vai ao módulo de despesas operacionais, encontra o centro de resultado do comercial e cria uma conta nova para o software de CRM. O valor mensal de R$ 700 é lançado a partir de junho e se repete nos meses seguintes, exatamente como seria feito em uma planilha, mas com rastreabilidade e responsável definidos.
O que aparece no DRE depois
Após lançar as duas ações, a controladoria acessa o demonstrativo de resultados e já enxerga o impacto no planejamento da unidade Matriz: a linha de gastos com pessoal sobe a partir de junho com o custo total do novo analista, e a linha de despesas operacionais registra o CRM no mesmo período. Nenhuma dessas mudanças exigiu que o gestor soubesse qual conta contábil usar. Ele descreveu a ação, a controladoria fez a tradução.
Como montar a tabela de de-para entre o 5W2H e o orçamento
A lógica de conversão é simples e pode ser documentada em uma tabela de referência para usar com qualquer gestor:
| Campo do 5W2H | Destino no orçamento | Responsável pelo preenchimento |
|---|---|---|
| O que (tipo de ação) | Módulo do orçamento (pessoal, despesa, receita) | Controladoria |
| Por que (resultado esperado) | Justificativa da revisão / FCA | Gestor |
| Quando (mês de início) | Mês de início do lançamento | Gestor |
| Onde (área/local) | Centro de resultado e unidade | Gestor + Controladoria |
| Quem (responsável) | Responsável pela conta no orçamento | Controladoria |
| Como (detalhamento) | Descrição da conta / observação | Gestor |
| Quanto (investimento estimado) | Valor base do lançamento | Gestor |
A controladoria complementa com encargos, alíquotas e classificações que o gestor não precisa conhecer. Assim, o orçamento fica completo sem sobrecarregar quem não tem formação financeira.
Próximo passo: projetar o retorno da ação
O vídeo termina com uma provocação: se a empresa contratou um analista sênior para gerar mais vendas, faz sentido projetar também a receita esperada dessa contratação. Qual o volume de novas contas que esse profissional precisa trazer para o investimento se pagar? Com essa projeção no módulo de receita, a controladoria consegue acompanhar não só o custo da ação, mas o retorno dela, mês a mês.
Essa visão de retorno sobre o investimento fecha o ciclo: a ação saiu do plano, entrou no orçamento, e agora tem uma meta de receita vinculada. Se o analista for contratado e as novas contas não chegarem, o desvio planejado x realizado aparece cedo o suficiente para a controladoria agir.
Como aplicar na sua empresa esta semana
Você não precisa reformular o processo orçamentário inteiro para começar. Escolha uma área com gestor engajado, peça para ele preencher um 5W2H simples com as três ou quatro ações mais relevantes para o próximo trimestre, e faça o de-para manualmente para o orçamento. O que antes era uma conversa difícil sobre rubricas e centros de custo vira uma conversa sobre o que o time vai fazer e quanto vai custar.
Se quiser partir de um modelo pronto, o vídeo menciona uma planilha de plano de ação 5W2H disponível para download. E quando o processo crescer e precisar de acompanhamento mensal com responsáveis por conta e justificativas de desvio, o Treasy conecta cada ação ao planejamento e à execução do orçamento sem precisar de uma planilha por gestor.
Para aprofundar o tema, vale entender como engajar os colaboradores no orçamento, conhecer o orcamento descentralizado na prática e ter um calendário orçamentário que define quando cada gestor entrega o plano. Quando a controladoria aparece como parceira do processo e não como cobradora de planilhas, o orçamento colaborativo sai do papel.
Quer ver o processo funcionando no seu ERP, com os dados reais da sua empresa entrando automaticamente? Experimente o Treasy de graça e conecte o plano de ação ao orçamento sem planilhas avulsas.
![Capa do vídeo: Como levar um Plano de Ação para o Orçamento empresarial [Treasy Tips]](https://i.ytimg.com/vi/oGrY2b0jk_g/hqdefault.jpg)