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Planejamento e Estratégia Ao vivo

Planejamento do segundo semestre: como preparar sua empresa

Como fazer a revisão orçamentária ou o primeiro orçamento do segundo semestre: OBZ, base histórica, forecast e orçamento colaborativo na prática.

Neste artigo

Grafico de barras crescente com moedas representando o planejamento do segundo semestre

Metade do ano passou. Os números do primeiro semestre estão na mesa e, dependendo do que você está vendo, a pergunta é a mesma: o que muda daqui para frente? Revisar o orçamento no meio do ano não é sinal de fraqueza no processo, é sinal de que o processo está funcionando. Quem chega a julho sem olhar para o que planejou em janeiro costuma chegar a dezembro sem entender por que o ano não fechou como esperado.

Nessa live da Treasy, Daniel Fernandes guia dois públicos ao mesmo tempo: quem já trabalha com gestão orçamentária e precisa revisar os planos para os próximos meses, e quem ainda não iniciou e quer aproveitar a metade do ano para estruturar o primeiro orçamento. O conteúdo vai da escolha da metodologia até a prática de acompanhamento mensal.

Capa do vídeo: Como planejar sua empresa para o segundo semestreVídeo · YouTube

Por que revisar o orçamento no meio do ano

O planejamento orçamentário não é uma bola de cristal e nunca foi. A única certeza quando você fecha um orçamento é que ele vai errar, para mais ou para menos. O valor não está em acertar tudo, está em identificar o desvio rápido e agir antes que ele comprometa o resultado do ano.

Quem já tem um primeiro semestre orçado sai na frente: o comparativo entre o planejado e o realizado vira o principal insumo para a revisão. Você entende quais políticas de preço funcionaram, quais canais de distribuição performaram abaixo do esperado e onde as despesas escaparam do planejado. Esse olhar para trás é o que torna a projeção para os próximos meses muito mais precisa.

Quem ainda não trabalha com orçamento também tem ponto de partida: o realizado do primeiro semestre. Buscar esses dados no ERP ou na contabilidade dá a base histórica mínima para estruturar os próximos meses. E o aprendizado do processo vale como preparação para o ciclo completo do ano seguinte.

As três metodologias mais usadas na revisão

A live apresenta três abordagens práticas, cada uma com contexto de uso diferente. A escolha depende de dois fatores: o nível de maturidade do processo dentro da empresa e o tamanho dos desvios orçamentários que você acumulou no semestre.

Orçamento Base Zero

O OBZ parte do zero. Nenhuma conta, centro de custo ou política de preço é mantida por inércia. Tudo é analisado e justificado antes de entrar no orçamento do próximo semestre.

É o caminho recomendado quando é o primeiro orçamento da empresa (não há histórico confiável como referência) ou quando os desvios do semestre foram grandes e o histórico já não reflete a realidade. A vantagem é que o OBZ força um exercício de reflexão profundo e, quando feito com os gestores, cria alinhamento real em torno das metas. A desvantagem é o tempo que demanda e a necessidade de sair da zona de conforto para questionar contas que antes eram automáticas.

Um ponto que a live destaca: o OBZ não serve só para despesas. Aplicado à projeção de receita, ele obriga a analisar produto a produto, canal a canal, e pode revelar linhas com margem de contribuição negativa que estão pesando no resultado sem que ninguém tenha notado.

Orçamento Base Histórico

A alternativa mais rápida: pegar os dados dos exercícios anteriores, aplicar um percentual de reajuste alinhado às premissas do semestre e usar isso como base de planejamento. Funciona bem quando os desvios do primeiro semestre foram pequenos e quando a empresa já tem pelo menos um ciclo de orçamento completo rodando, com boa compreensão dos seus próprios números.

A velocidade é a vantagem principal. A desvantagem é a tendência de trazer junto os vícios do período anterior: contas infladas, produtos com margem ruim, canais que já não performam. Usar o histórico sem revisar criticamente é o caminho mais rápido para repetir os mesmos problemas com um orçamento diferente.

Forecast

O forecast atualiza o orçamento original a partir do que já aconteceu. Em vez de refazer tudo do zero ou trazer o histórico, você redistribui o que ainda falta realizar nos meses que restam. Se a meta anual era de 12 milhões e o primeiro semestre entregou menos do que o previsto, o forecast recalcula o quanto é necessário por mês a partir de agora para chegar à meta.

O cuidado fundamental: de nada adianta redistribuir a meta se o plano de ação for o mesmo. Se os últimos seis meses não entregaram o resultado esperado com as ações atuais, os próximos seis não vão entregar automaticamente. O forecast mantém a meta, mas exige repensar as ações para atingi-la.

Metodologia Quando usar Complexidade Principal vantagem Principal cuidado
OBZ Primeiro orçamento ou desvios grandes Alta Reflexão profunda e eliminação de vícios Demanda mais tempo e envolvimento dos gestores
Base histórico Pequenos desvios e empresa com maturidade Baixa Velocidade e melhoria contínua Risco de trazer vícios do período anterior
Forecast Meta atingível com revisão das ações Média Posição atualizada e impactada pelos resultados reais Exige plano de ação revisado, não só meta redistribuída

Quem envolver: centralizado ou colaborativo

Depois de escolher a metodologia, vem a decisão de quem participa do processo. A live defende o orçamento colaborativo por uma razão prática: gestor que constrói a própria meta tem mais comprometimento com ela do que gestor que recebe a meta pronta.

No modelo centralizado, diretoria e controladoria projetam tudo. É mais rápido e faz sentido no primeiro ciclo, quando os gestores ainda não têm familiaridade com o processo. No modelo descentralizado, cada gestor de departamento projeta os números da sua área dentro das premissas definidas pela diretoria. O processo fica mais lento, mas o nível de comprometimento com o resultado é diferente: quando o gestor colocou a meta ali, ele entende o que está em jogo para atingi-la.

Para a revisão do semestre, o modelo colaborativo é ainda mais indicado. Os gestores já conhecem o processo, já viram os números do primeiro semestre e têm opinião formada sobre o que pode mudar.

Por onde começar: receita primeiro

A ordem importa. A recomendação da live é clara: comece pelo orçamento de vendas. A meta de faturamento ou de resultado final é o ponto de partida, e as projeções de custo, despesa, dedução e pessoal derivam dela.

Fazer o caminho inverso, começa pelas despesas sem ter a receita definida, gera um orçamento desconectado da estratégia. Você define quanto vai gastar sem saber quanto vai precisar vender para sustentar isso.

Outro ponto que a live enfatiza: abrir o orçamento de vendas por canal e por produto. Uma meta global de faturamento não ajuda a tomar decisão nenhuma no meio do mês. Você vai chegar ao final do período sabendo se bateu ou não, mas sem entender por que. Quando a projeção está aberta por canal, você consegue ver se a loja física está performando diferente do e-commerce, se um produto específico está puxando o resultado para baixo, e onde concentrar esforço nos meses seguintes.

E cada plano de ação tem que estar conectado ao orçamento. Se você vai aumentar as vendas de um canal, tem que projetar o investimento em publicidade, a eventual contratação para gerenciar esse canal e os custos variáveis que aumentam junto com o volume. Orçamento sem esse desdobramento subestima o resultado real.

Cenários: preparar a empresa para o que pode mudar

Com o orçamento revisado, o próximo passo é criar pelo menos dois cenários orçamentários: um otimista e um pessimista. Não para ser pessimista, mas para ter uma resposta pronta quando o ambiente mudar.

A empresa que já tem um cenário de contingência no orçamento reage mais rápido a uma mudança de cenário econômico, a uma perda de cliente relevante ou a um custo que sobe mais do que o esperado. A que não tem fica tomando decisão no susto.

O critério dos cenários precisa ser rigoroso: cada cenário tem que ter números realistas e um plano de ação diferente. Cenário não é só ajustar a meta para cima ou para baixo, é entender o que vai mudar nas ações caso aquela projeção se confirme.

Acompanhar mês a mês: onde o orçamento vira ferramenta de decisão

Fazer o orçamento e guardar até dezembro não é gestão orçamentária. A live é direta nesse ponto: o acompanhamento mensal é tão importante quanto o próprio planejamento.

Isso significa comparar o planejado com o realizado todo mês, envolver os gestores nos números da própria área e criar uma cultura de justificativa de desvios. Não como cobrança, mas como aprendizado. O gestor que justifica um resultado positivo entende o que funcionou e pode replicar. O que justifica um resultado negativo entende o que não vai repetir.

Esse ciclo de acompanhamento Planejado × Realizado, praticado mês a mês, é o que transforma o orçamento de uma obrigação burocrática em uma ferramenta de decisão. É o que separa a empresa que sabe onde está e para onde vai daquela que descobre o resultado só quando o ano fecha.

O orçamento contínuo, com projeção sempre atualizada para os próximos doze meses, é o estágio seguinte: a empresa nunca fica sem visibilidade do futuro porque o orçamento é atualizado conforme o presente vai se confirmando.

Como começar ainda este semestre

Se você ainda não tem um orçamento rodando, o passo inicial é buscar o realizado dos últimos meses no ERP ou na contabilidade. Esse dado é a fundação. Com ele, você já consegue projetar os próximos seis meses, mesmo que de forma simples.

A recomendação para quem está começando é a mesma que a live traz para uma padaria ou qualquer negócio com muita variedade: comece simples. Projete os 20% dos produtos ou canais que respondem por 80% do resultado. Nos próximos ciclos, aumente o nível de detalhe conforme o processo amadurece.

A parálise por análise, tentar planejar tudo antes de começar qualquer coisa, é o caminho mais rápido para não sair do lugar. Um orçamento simples que você acompanha todo mês vale mais do que um orçamento perfeito que fica na gaveta.

Se quiser partir de uma estrutura pronta para organizar o processo, um modelo de planilha de orçamento empresarial pode acelerar os primeiros passos. Para entender como cada peça do orçamento se conecta, o guia completo do orçamento empresarial tem o passo a passo de cada fase.

Quando o processo estiver rodando e você quiser sair das planilhas para ter o histórico do ERP alimentando o planejado e o realizado automaticamente, experimente o Treasy de graça e veja o quanto o acompanhamento mensal fica mais rápido quando os dados já estão organizados.

Perguntas frequentes

Faz sentido fazer um orçamento na metade do ano, com o segundo semestre já começando?
Sim, e muito. Além do aprendizado imediato, você termina o ano com um histórico do segundo semestre para usar como base no orçamento do ano seguinte. Quem começa no meio do ano chega ao próximo ciclo muito mais preparado do que quem espera o janeiro para iniciar.
Qual a diferença entre revisão orçamentária e orçamento base zero?
Na revisão, você parte do orçamento original e atualiza o que não faz mais sentido. No OBZ (orçamento base zero), você começa do zero e justifica cada conta antes de incluir no orçamento, sem pressupor que o que existia antes continua valendo. O OBZ é mais trabalhoso, mas elimina vícios acumulados.
Quando o OBZ faz mais sentido do que o orçamento base histórico?
Quando os desvios do semestre foram grandes e o histórico já não é referência confiável, ou quando é o primeiro orçamento da empresa e não há histórico relevante para usar. Em cenários de instabilidade econômica, o OBZ também é preferível para evitar projetar tendências que não se sustentam mais.
O que é forecast e como ele difere de uma revisão orçamentária comum?
O forecast redistribui nos meses restantes o que ainda falta atingir da meta anual, a partir do que já foi realizado. Se a meta era 12 milhões e o primeiro semestre entregou 5 milhões, o forecast recalcula quanto é necessário por mês para chegar à meta. A diferença para a revisão comum é que o foco é manter a meta e ajustar o plano de ação, não refazer o orçamento do zero.
Fazer forecast sem revisar o plano de ação adianta alguma coisa?
Não. Se o primeiro semestre não entregou o resultado esperado com as ações atuais, redistribuir a meta nos próximos meses sem mudar o que está sendo feito não vai resolver. O forecast só funciona quando o plano de ação é revisado junto com a projeção.
Por que começar o orçamento pela projeção de receita?
Porque as despesas, custos, contratações e investimentos derivam do que você planeja vender. Começar pelos custos sem definir a receita é como atirar o dardo e depois pintar o alvo: você vai definir quanto vai gastar sem saber quanto vai precisar gerar para sustentar isso. Receita primeiro dá direção para tudo o que vem depois.
Vale abrir a projeção de vendas por canal e produto ou uma meta global já basta?
Meta global não ajuda a tomar decisão. Com ela, você sabe no final do mês se bateu ou não, mas não sabe por quê. Quando a projeção está aberta por canal e produto, você identifica qual canal está abaixo do esperado, qual produto está pressionando o resultado e onde concentrar esforço. A granularidade é o que transforma o orçamento em ferramenta de gestão.
Qual a diferença entre orçamento centralizado e orçamento colaborativo?
No centralizado, diretoria e controladoria definem todas as metas. No colaborativo, cada gestor de departamento projeta os números da própria área dentro das premissas aprovadas pela diretoria. O colaborativo demanda mais tempo, mas o comprometimento dos gestores com as metas que eles mesmos construíram é muito maior.
Para o primeiro orçamento, é melhor começar centralizado ou colaborativo?
Centralizado. No primeiro ciclo, os gestores ainda não têm familiaridade com o processo e envolvê-los antes de ter uma base estruturada pode aumentar a complexidade sem agregar. Depois de um ou dois ciclos completos, com os gestores já entendendo os números, a descentralização faz sentido e traz ganhos reais de engajamento.
O OBZ serve só para reduzir despesas?
Não. Aplicado à projeção de receita, o OBZ obriga a analisar produto a produto, canal a canal, sem pressupor que o que existia antes continua. Isso pode revelar produtos com margem de contribuição negativa que estão pesando no resultado geral sem que ninguém tenha percebido, ou canais que não performam e consomem recursos desnecessariamente.
Como escolher o indexador certo para o orçamento base histórico?
Depende do setor e do modelo de negócio. Empresas com operação ligada a importação e exportação usam o dólar como referência. Negócios com insumos que compõem cesta básica olham mais para a inflação. A regra é escolher o indexador mais próximo das variáveis que realmente movem os custos e receitas da empresa.
Com que frequência o orçamento deve ser revisado ao longo do ano?
Depende da volatilidade do negócio. Empresas com modelo mais estável fazem revisões semestrais. Negócios mais dinâmicos, como moda ou startups, podem precisar de revisões trimestrais. O critério é sempre o mesmo: quando o orçamento original já não reflete mais a realidade da empresa, está na hora de revisar.
O que é orçamento contínuo e quando faz sentido adotar?
O orçamento contínuo mantém sempre doze meses de projeção à frente. Conforme o mês atual vai se confirmando, o décimo terceiro mês é adicionado à frente. É o modelo mais dinâmico e adequado para empresas que já têm maturidade no processo e querem nunca ficar sem visibilidade do futuro próximo.
Como evitar a parálise por análise ao montar o primeiro orçamento?
Começando simples. Projete os 20% dos produtos ou canais que respondem por 80% do resultado. Não tente criar um orçamento com todas as contas e todos os SKUs de uma vez. Um orçamento simples que você acompanha todo mês vale mais do que um orçamento detalhado que nunca sai do papel.
Como envolver os gestores no acompanhamento mensal sem que pareça cobrança?
Dando a eles acesso aos próprios números e criando uma rotina de justificativa de desvios, tanto positivos quanto negativos. O gestor que justifica um resultado positivo entende o que funcionou e pode replicar. O que justifica um resultado negativo aprende o que não repetir. O objetivo não é cobrar, é construir conhecimento sobre o negócio.

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