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Da transação à decisão: organizar o financeiro muda tudo

Como organizar o financeiro da empresa, do plano de contas aos relatórios gerenciais, para tomar decisões melhores. Live com Treasy e Granatum.

Neste artigo

Da transação organizada até a melhor decisão financeira

Você consegue faturar um recorde e não saber quanto sobrou. Parece impossível, mas é o dia a dia de muitas empresas. O dinheiro entra, o dinheiro sai, e no final do mês a pergunta "onde foi parar?" não tem resposta rápida. O problema não é o volume de transações: é que as transações nunca foram organizadas para virar decisão.

Essa foi a discussão central da live que a Treasy fez em parceria com o Granatum. Gilles (CEO da Treasy) e Flávio (CEO do Granatum) passaram quase duas horas destrinchando a jornada que vai do lançamento financeiro básico até o orçamento descentralizado. Assista abaixo e continue lendo para fixar os pontos que mais aparecem na prática.

Capa do vídeo: Da Transação à Decisão: como organizar o financeiro ajuda a tomar melhores decisõesVídeo · YouTube

O que é modelagem financeira, afinal

Coloque "modelagem financeira" no Google e vai encontrar definições para todos os gostos. Na live, a conversa voltou à essência: modelagem é colocar as coisas em caixinhas. Cada entrada e cada saída têm um lugar. Quanto mais claro for onde cada coisa fica, mais rápido você encontra o que precisa para tomar uma decisão.

A analogia usada durante a live é precisa: pense nas gavetas da cozinha. Uma única gaveta para tudo funciona no começo, mas na hora de cozinhar você perde tempo sempre. Gavetas demais, sem critério, viram o gaveteiro de um Boticário, onde ninguém mais sabe o que está aonde. O equilíbrio é o que define uma boa modelagem financeira e orçamentária.

Na prática, essa organização se divide em duas grandes estruturas:

  • Plano de contas: organiza entradas e saídas por categoria (receitas, despesas, custos, investimentos, empréstimos).
  • Centros de resultado: organiza as mesmas entradas e saídas por departamento ou frente de negócio (marketing, vendas, operação, atendimento).

Juntas, as duas estruturas respondem perguntas diferentes. O plano de contas diz "o que foi gasto". O centro de resultado diz "onde na empresa isso aconteceu". Sem as duas, você tem transações, não informação. Para começar com um plano de contas bem estruturado, o modelo de plano de contas detalhado da Treasy é um ponto de partida direto.

As três óticas que precisam coexistir

Um ponto importante da live é que plano de contas não serve só para quem quer análise gerencial. Há três perfis que usam os dados e cada um tem uma necessidade diferente.

O financeiro operacional precisa saber se as contas estão pagas, se os clientes estão cobrados e se a conciliação bancária fecha. Para isso, o nível de detalhe exigido é mínimo.

A contabilidade se preocupa com receita (base de impostos), gastos com pessoal (base de encargos) e lucro (base de tributação). Para ela, três grandes grupos resolvem.

Quem precisa de mais é a visão gerencial, formada pelos donos, diretores e gestores que tomam decisão. Para o coordenador de marketing precisar de uma análise, ele precisa ver o centro de custo de marketing detalhado por ferramentas, pessoas, mídia e conteúdo.

A modelagem que funciona é a que atende as três óticas sem ser burocrática demais para o financeiro operar e sem ser rasa demais para o gerencial decidir. Esse equilíbrio é o mesmo que norteia qualquer controle financeiro que dure mais de um ano.

A modelagem é viva, não um projeto com data de fim

Tanto Gilles quanto Flávio relataram que já passaram por cinco ou mais versões do próprio modelo financeiro. Isso não é sinal de erro: é sinal de que a empresa cresceu e a modelagem acompanhou.

Quando surgiu uma nova frente de negócio no Granatum, o plano de contas foi revisado para refletir isso. Quando a Treasy criou uma área de marketing e depois subdividiu em conteúdo e mídia, dois subgrupos de centro de custo nasceram. A modelagem acompanha o negócio.

O sinal de que algo precisa mudar é quando a categoria "Outros" começa a representar 5% ou mais dos lançamentos. Parece pouco, mas pode ser exatamente o tamanho do seu lucro. O que está ali dentro você não consegue gerenciar porque não tem nome. Dar nome para o que é "Outros" é um dos movimentos de maior retorno por esforço em organização financeira.

O fluxo de caixa e a DRE: dois relatórios, dois ângulos

Depois de organizar a modelagem, vêm os relatórios. A live apresentou uma sequência clara: fluxo de caixa primeiro, DRE depois.

O fluxo de caixa mostra o dinheiro entrando e saindo. Ele é a visão do chão, do dinheiro em si. Quem não tem fluxo de caixa projetado está pilotando no escuro: não sabe se vai precisar de capital daqui a 60 dias, não sabe se o caixa aguenta uma nova contratação, não sabe se a empresa sobrevive a um mês ruim. É a falta de caixa que quebra empresas, não a falta de lucro.

A DRE é a visão de cima. Ela mostra como o lucro acontece ao longo do tempo, usando o regime de competência. A receita e os custos são registrados quando acontecem, não quando o dinheiro entra ou sai. Isso distorce o caixa no curto prazo, mas revela a saúde real do negócio no médio prazo.

Critério Fluxo de caixa DRE
Regime Caixa (quando o dinheiro move) Competência (quando o fato ocorre)
Pergunta principal Tenho dinheiro para pagar as contas? Meu negócio está sendo lucrativo?
Horizonte natural Dias, semanas, meses Meses, trimestres, anos
Risco principal sem ele Insolvência operacional Crescimento ilusório
Indicadores que entrega Saldo projetado, necessidade de capital de giro Margem bruta, margem líquida, EBITDA, resultado por produto

Os dois relatórios juntos cobrem 95% do que uma empresa precisa para decidir bem. Separados, cada um esconde um ângulo essencial. Para entender a diferença com mais profundidade, vale ler sobre caixa e competência na prática e sobre fluxo de caixa projetado.

Indicadores: as pizzas que saem da modelagem

Uma das imagens mais usadas na live foi a da pizza. A modelagem coloca os ingredientes em caixinhas separadas. Os indicadores são as pizzas que você monta combinando esses ingredientes.

Faturamento bruto, faturamento líquido, margem bruta, margem de contribuição e margem líquida formam o conjunto mínimo para qualquer empresa. Eles aparecem na DRE, mas só fazem sentido se a modelagem for boa o suficiente para separá-los corretamente.

A análise vertical e a análise horizontal da DRE são as ferramentas que fazem esses indicadores ficarem vivos: a vertical mostra a proporção de cada linha em relação à receita (quanto dos seus reais de receita viram custos, despesas, lucro); a horizontal mostra a evolução ao longo do tempo. Combinar as duas revela padrões que nenhuma foto mensal consegue mostrar. Para quem quer ir mais fundo, o post sobre análise de indicadores financeiros detalha cada métrica.

O ponto central da live: não faz sentido olhar só para os números absolutos. Um lucro de R$ 800 mil pode ser excelente ou alarmante, dependendo de onde ele veio e para onde está indo. O negócio comparado a ele mesmo ao longo do tempo é o único termômetro confiável.

A jornada da maturidade financeira

Gilles descreveu na live a progressão que a Treasy observa em seus clientes ao longo de quase 11 anos. Ela tem etapas claras:

  1. Controle financeiro básico: contas a pagar, contas a receber, conciliação bancária atualizados. Parece pouco, mas já coloca a empresa à frente da maior parte do mercado.
  2. Modelagem e relatórios: com o controle em dia, a necessidade de análise surge naturalmente. A modelagem é melhorada e surgem a DRE e o fluxo de caixa.
  3. Indicadores de desempenho: com bons relatórios, vêm os KPIs. Faturamento, margens, ponto de equilíbrio.
  4. Orçamento: com histórico e indicadores, o próximo passo é planejar. O orçamento não é uma burocracia, é a formalização de onde a empresa quer chegar.
  5. Descentralização: o orçamento começa a envolver os gestores de cada área. As metas deixam de ser da empresa e passam a ser de quem vai executá-las.

Essa sequência não é linear nem tem prazo fixo. Empresas que saltam etapas geralmente voltam para corrigir a base. E como Flávio destacou: mesmo multinacionais com áreas de Controladoria sofisticadas nunca param de aprimorar. A cozinha vai ficando melhor equipada, mas sempre há algo para organizar.

Para quem está nos primeiros estágios, o post sobre planejamento financeiro para pequenas empresas oferece um ponto de partida concreto. Para quem já chegou ao orçamento e quer entender a descentralização, vale ler sobre orçamento colaborativo na prática.

O erro que quase quebrou uma empresa

A história mais concreta da live foi compartilhada por Flávio. O Granatum tem uma estrutura horizontal com divisão de lucros trimestral entre sócios. Durante dois anos, a contabilidade não registrava os pagamentos dos sócios como custo, simplesmente porque a empresa não tinha um controle financeiro próprio paralelo para cruzar com o dado contábil.

O resultado: o lucro apurado pela contabilidade incluía dinheiro que já tinha saído do caixa. A empresa distribuiu lucro duas vezes sobre o mesmo valor e quase ficou sem caixa para operar.

A virada foi quando o CFO Alexandre percebeu a inconsistência comparando o saldo projetado com o saldo real. A lição que fica: a contabilidade entrega relatórios importantes, mas ela é lenta e voltada para obrigações fiscais. A gestão do negócio precisa de um controle financeiro próprio, atualizado, que você mesmo opera e confia. Não adianta ter a modelagem perfeita se os dados não estiverem atualizados.

Mudar o ponto de vista também é ferramenta

Gilles trouxe um ponto que fechou bem a live: de tempos em tempos é preciso olhar para os dados de um lugar diferente. Quem olha sempre pelo mesmo ângulo acostuma com os padrões e para de enxergar os desvios.

Na Treasy, isso se traduz em usar o próprio sistema de Business Intelligence para fazer análises trimestrais e semestrais que a visão mensal não revela. Erros de lançamento só aparecem quando você agrega períodos mais longos. Ferramentas que estão sendo pagas mas não usadas só aparecem quando você analisa despesas por fornecedor ao longo de 12 meses.

Para empresas que não têm equipe interna suficiente para fazer isso, consultores externos e serviços de BPO financeiro cumprem exatamente esse papel: eles rodam em vários negócios ao mesmo tempo e trazem um repertório de boas práticas que a operação interna raramente consegue acumular sozinha.

Por onde começar

A sequência sugerida na live é simples:

  1. Antes de qualquer análise: atualize o financeiro. Dados desatualizados geram análises erradas e decisões piores do que o achismo.
  2. Revise o plano de contas: a categoria "Outros" com mais de 5% é o sinal mais fácil de identificar que algo precisa ser renomeado.
  3. Monte o fluxo de caixa projetado: mesmo que seja simples. Contratos recorrentes, folha, fornecedores fixos já dão uma base para os próximos 90 dias.
  4. Leia a DRE com série histórica: compare o resultado atual com 12 meses atrás. O que cresceu, o que encolheu, o que virou "Outros" sem querer.
  5. Defina 3 a 5 indicadores para acompanhar toda semana: faturamento, margem bruta e saldo de caixa já cobrem muito.

Quando quiser dar o próximo passo e estruturar um orçamento anual, o post sobre como fazer o planejamento orçamentário detalha cada fase. E se quiser entender melhor como os indicadores se constroem a partir da DRE, o post sobre indicadores a partir do DRE é um bom complemento.

A transição de transação para decisão não é um salto único. É uma série de pequenos ajustes que, somados, mudam completamente a clareza com que você enxerga a empresa. Quando quiser sair da planilha e colocar esse processo para rodar com os dados do seu ERP entrando automaticamente, experimente o Treasy de graça e veja quanto mais rápido você chega às decisões que importam.

Perguntas frequentes

O que é modelagem financeira para uma pequena empresa?
É o processo de organizar as entradas e saídas em categorias (plano de contas) e por departamento (centros de resultado), para que qualquer dado financeiro possa ser encontrado e analisado rapidamente. Na live, a analogia usada foi a das gavetas da cozinha: quanto mais organizado, mais rápido você cozinha.
Qual a diferença entre plano de contas e centro de resultado?
O plano de contas organiza o 'o quê' — receitas, despesas, custos, investimentos. O centro de resultado organiza o 'onde' — em qual área da empresa aquela entrada ou saída aconteceu. Os dois juntos respondem perguntas que nenhum dos dois consegue responder sozinho.
Quantas categorias devo ter no meu plano de contas?
Não existe número certo. Poucas categorias (tudo em 'Outros') impossibilitam a análise. Categorias demais tornam o lançamento burocrático e difícil de manter. O sinal de que o modelo precisa de ajuste é quando 'Outros' representa 5% ou mais dos lançamentos — esse percentual pode ser exatamente o tamanho do seu lucro.
Quem deve se envolver na definição da modelagem financeira?
A modelagem precisa considerar três óticas: o financeiro operacional (contas a pagar/receber), a contabilidade (obrigações fiscais) e o gerencial (análise para decisão). Na prática, quem está à frente do financeiro define a estrutura, mas precisa de input dos gestores de cada área para que os centros de resultado façam sentido para quem vai usar os dados.
Com que frequência devo revisar a modelagem financeira?
Sempre que o negócio mudar de forma significativa: nova frente de negócio, novo produto, nova área contratada. Gilles e Flávio relataram já ter passado por cinco ou mais versões da própria modelagem. Isso não é erro — é sinal de crescimento. A modelagem é um documento vivo, não uma decisão definitiva.
Qual a diferença entre fluxo de caixa e DRE?
O fluxo de caixa mostra o dinheiro entrando e saindo (regime de caixa), garantindo que a empresa sobreviva no curto prazo. A DRE mostra como o lucro acontece (regime de competência), revelando a saúde real do negócio no médio prazo. Uma empresa pode ter caixa positivo e prejuízo — e vice-versa. Os dois relatórios juntos cobrem 95% do que é preciso para decidir.
Por que o fluxo de caixa projetado é mais importante do que o realizado?
O realizado confirma o que já aconteceu. O projetado permite agir antes que o problema chegue. Quando você lança contratos recorrentes, folha e fornecedores fixos com antecedência, consegue enxergar com 60 a 90 dias de antecedência se vai precisar de capital, se uma nova contratação é viável ou se o caixa aguenta um mês ruim de vendas.
O que é análise vertical e horizontal da DRE?
A análise vertical mostra quanto cada linha representa em relação à receita total — por exemplo, se 35% da receita vai para custos. A horizontal compara o mesmo indicador ao longo do tempo — o quanto esse percentual cresceu ou caiu em 12 meses. Combinar as duas revela padrões que nenhuma foto mensal consegue mostrar.
Quais indicadores financeiros toda empresa deveria acompanhar?
O conjunto mínimo inclui faturamento bruto, faturamento líquido, margem bruta e margem líquida — eles revelam quanto de cada real de receita sobra após cada camada de custo. A partir daí, detalhes por produto, canal de venda ou unidade de negócio revelam onde estão as maiores oportunidades e os maiores riscos.
A contabilidade não substitui o controle financeiro interno?
Não. A contabilidade é voltada para obrigações fiscais e tem um ritmo mais lento — ela entrega relatórios com dias ou semanas de atraso. O controle financeiro interno, mantido em tempo real, é o que permite identificar inconsistências (como a história do Granatum, que quase distribuiu lucros que já tinham saído do caixa) e tomar decisões no momento certo.
Quando contratar um consultor financeiro externo?
Quando o olhar interno para de enxergar os padrões. Consultores e serviços de BPO financeiro atendem vários negócios ao mesmo tempo e trazem um repertório de boas práticas que a operação interna raramente acumula. Eles não substituem o controle interno, mas revelam pontos cegos — como ferramentas sendo pagas sem uso ou margens abaixo do padrão do setor.
Como a modelagem financeira se conecta ao orçamento?
A modelagem é a base. Sem categorias bem definidas, qualquer orçamento vira um chute organizado. Quando o plano de contas e os centros de resultado estão maduros, montar o orçamento se torna natural: você sabe de onde vem cada receita, o que faz cada custo subir ou descer, e consegue projetar com base no histórico que já está estruturado.
O que é descentralização orçamentária e quando ela faz sentido?
É quando cada gestor de área assume a responsabilidade pelo orçamento da sua parte — marketing planeja o marketing, vendas planeja vendas. Isso aumenta a acuracidade das projeções e cria senso de dono nas metas. Faz sentido quando a empresa já tem uma modelagem madura, relatórios confiáveis e gestores que entendem minimamente os números.
Qual foi o erro mais caro relatado na live?
Flávio contou que o Granatum passou dois anos sem cruzar o controle financeiro interno com os dados da contabilidade. A contabilidade não registrava os pagamentos dos sócios como custo. Resultado: a empresa distribuiu lucros duas vezes sobre o mesmo valor e quase ficou sem caixa para operar. O problema só foi identificado quando o CFO percebeu que o saldo projetado não batia com o esperado.
Planilhas são suficientes para fazer a gestão financeira?
Para análise, sim — planilhas são ótimas. Para ser o repositório central de dados financeiros, não: não têm controle de versão, não têm auditoria de lançamentos, não têm backup confiável e ficam pesadas com o tempo. Gilles usou planilhas nos primeiros anos da Treasy e admitiu que foi um erro manter isso por mais tempo do que o necessário.
Por onde começar se o financeiro está desorganizado?
Primeiro: atualize o que está pendente. Dados desatualizados geram análises erradas. Segundo: revise o plano de contas e dê nome ao que está em 'Outros'. Terceiro: monte um fluxo de caixa projetado simples com contratos recorrentes e despesas fixas. Quarto: leia a DRE com uma série de 12 meses. Quinto: escolha 3 a 5 indicadores para acompanhar toda semana.

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