DLPA: Aprenda tudo o que você precisa sobre a Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados

Publicado dia 4 de dezembro de 2017

Quando o assunto é demonstração contábil, sabemos muito bem que existem diversos modelos que ajudam a identificar como anda a saúde financeira da empresa, auxiliando você a tomar as providências necessárias caso ocorra algum problema. Entre os mais utilizados e obrigatórios para algumas empresas, podemos destacar a Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados, também conhecida como DLPA. Devido ao seu grau de importância, elaboramos este artigo para aprofundar o assunto e auxiliar você tirar o melhor proveito dele. Fique atento!

O que é DLPA?

Como você já deve saber, a Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados configura ações de reinvestimento do capital, ou melhor, do lucro líquido a partir da integração com o Balanço Patrimonial (BP) e a Demonstração de Resultados do Exercício (DRE), esclarecendo, por meio de relatórios e notas explicativas, a situação patrimonial e os resultados da empresa. Essa demonstração tem como principal objetivo evidenciar a distribuição do resultado do exercício. Enquanto na DRE o objetivo é apurar o lucro, na DLPA temos a apresentação da destinação do lucro, isto é, de que forma o lucro líquido (aquele apurado na DRE) é aplicado.

Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados

Quando há o lucro líquido do exercício, ele

deve ser apresentado no Livro Razão, na conta Lucros Acumulados. Esses Lucros Acumulados não podem ser mantidos, ou seja, ao final do exercício, lá no Balanço Patrimonial, a conta Lucros Acumulados não pode aparecer, conforme a Lei 6.404, de 1976. Por esse motivo, infere-se que os lucros terão que ser distribuídos.

Há três destinações possíveis para os lucros:

  • Constituição de reserva de lucros: como reserva legal, reserva estatutária, reserva para contingências, reserva de incentivos fiscais, reserva de retenções de lucros e reserva de lucros a realizar.
  • Dividendos a pagar: lembremos que em uma companhia, ao final do exercício, os dividendos devem ser distribuídos aos sócios. Antes dessa distribuição em si, parte do saldo (lucro acumulado) deve ser destinado à uma conta de obrigação, que é a dividendos a pagar.
  • Aumento de capital: a empresa pode aumentar o seu capital social aplicando no seu próprio crescimento, até para que ela possa atingir os objetivos que estão descritos no estatuto social.

 A estrutura da DLPA está interligada com essa destinação dos lucros, tanto a saída de recursos da conta Lucros Acumulados, advindas do lucro líquido para as reservas de lucro, como também a reversão de reservas, que nada mais é do que o retorno da reserva constituída para a conta Lucros Acumulados.

Desse modo, vale o lembrete de que a DLPA evidencia as alterações ocorridas no saldo da conta de lucros ou prejuízos acumulados no Patrimônio Líquido. Para isso, deve indicar:

  • O saldo inicial do período, os ajustes de exercícios anteriores e a correção monetária do saldo inicial;
  • As reversões de reservas e o lucro líquido do exercício;
  • As transferências para reservas, os dividendos, a parcela dos lucros incorporada ao capital e o saldo final do período;
  • O montante do dividendo por ação do capital social.

Para que serve a DLPA?

Este tipo de controle financeiro é muito importante para ajudar os gestores a terem uma visão mais realista sobre as decisões que devem ser tomadas. Com as informações do DLPA você pode observar as variações do caixa, períodos em que houve mais lucro ou prejuízo, assim, entender a extensão de crescimento do negócio e a saber se existe viabilidade econômica para determinados investimentos, por exemplo, a expansão do negócio, a compra de novos equipamentos ou a contratação de mais mão de obra.

O que diz a legislação sobre a Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados?

A DLPA é obrigatória para as sociedades limitadas e outros tipos de empresas tributadas com base no Lucro Real, conforme a legislação do Imposto de Renda. Segundo o artigo 176, da Lei 6.404, de 1976, ao fim de cada exercício social, a diretoria de uma empresa precisa elaborar, com base na escrituração mercantil da companhia, cinco demonstrações financeiras/contábeis (balanço patrimonial, DLPA, DRE, demonstração dos fluxos de caixa e demonstração do valor adicionado), que devem apresentar a situação do patrimônio da companhia e as mutações ocorridas durante o período.

Além disso, o artigo 186 diz que a demonstração de lucros ou prejuízos acumulados discriminará:

I – o saldo do início do período, os ajustes de exercícios anteriores e a correção monetária do saldo inicial;

II – as reversões de reservas (lembrando que a reversão se dá pelo débito na reserva de lucros e créditos nos Lucros Acumulados, que é justamente o lançamento invertido à constituição de reservas) e o lucro líquido do exercício;

III – as transferências para reservas, os dividendos, a parcela dos lucros incorporada ao capital e o saldo ao fim do período.

  • 1º Como ajustes de exercícios anteriores serão considerados apenas os decorrentes de efeitos da mudança de critério contábil, ou da retificação de erro imputável a determinado exercício anterior, e que não possam ser atribuídos a fatos subsequentes.
  • 2º A demonstração de lucros ou prejuízos acumulados deverá indicar o montante do dividendo por ação do capital social (na DRE, consta que deve informar o lucro líquido por ação) e poderá ser incluída na Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL), se elaborada e publicada pela companhia.

Como fazer a estrutura da Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados?

Como vimos, na lei existem alguns itens obrigatórios que devem constar na DLPA. Por isso, vamos a um exemplo de Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados para entendermos como funciona na prática.

Imagine que determinada empresa terminou o ano de 2015 com um prejuízo de R$ 70 mil. Para fazer a DLPA de 2016, temos as seguintes informações:

  • O ajuste credor de períodos anteriores é de R$ 10 mil
  • Os dividendos propostos pela administração são de R$ 150 mil
  • A constituição da reserva legal é de R$ 20 mil
  • O lucro líquido do exercício é de R$ 400 mil
  • A reversão da reserva de contingências é de R$ 70 mil
  • A constituição de outras reservas de lucros é de R$ 240 mil

Então, a Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados fica assim:

DLPA

Note que o saldo final desse período fechou em R$ 0, o que significa que 2017 começou sem lucro, mas também sem nenhuma dívida a ser compensada.

De modo geral, a estrutura da DLPA é bem simples. O segredo está em entender quais as contas que aumentam e diminuem o seu saldo para que você consiga chegar aos valores corretos de forma mais tranquila.

O que os resultados da DLPA dizem sobre a empresa?

Os resultados obtidos com a DLPA vão muito além de um procedimento burocrático. Com eles é possível compreender de uma maneira ampla a performance da empresa. Afinal, conhecer cada detalhe da empresa é essencial para saber suas possibilidades de expansão, se há como investir em novos produtos ou instalações, por exemplo.

O uso da tecnologia como facilitador na elaboração da DLPA

Não é novidade para ninguém o quanto a tecnologia é capaz de simplificar o nosso dia a dia, não é mesmo? Para elaborar a DLPA não é diferente. Atualmente, o mercado dispõe de inúmeros softwares que trazem todas as informações que você precisa para isso — uma vez que você alimente a ferramenta constantemente.

A Treasy, por exemplo, oferece uma solução para ajudá-lo a controlar a empresa com muito mais facilidade. Isso porque, além de auxiliar nas questões orçamentárias do negócio, à medida que você nutre a ferramenta com dados, tem à sua disposição vários relatórios que contribuem para otimizar a gestão empresarial. Entre os relatórios que disponibilizamos está o DRE, um dos itens de essenciais para você montar a sua DLPA. Desse modo, é possível economizar tempo e proporcionar mais agilidade às suas tomadas de decisões.

Concluindo

Fazer anualmente a Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados, além de obrigatório, é extremamente importante para saber como andam as finanças da sua empresa e, principalmente, quais medidas são necessárias para garantir um futuro bem-sucedido. Além de auxiliar na tomada de decisão, com as informações desse relatório é possível montar um orçamento muito mais realista, que realmente esteja de acordo com a saúde financeira da organização.

E por falar em orçamento, antes de finalizar este artigo, preciso fazer uma pergunta para você: como está a Gestão Orçamentária do seu negócio? Você está nos estágios iniciais ou é já um craque em organizar e planejar o orçamento? Para ajudá-lo com isso, temos uma última dica: faça o download do e-book Estágios de Maturidade na Gestão Orçamentária, descubra em qual estágio sua empresa se encontra e como montar um plano de acordo com ele. Afinal, fazer um bom planejamento orçamentário é um item primordial para garantir bons resultados, certo? Acesse o banner abaixo e tenha esse material à sua disposição sempre que precisar!

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