Início A Plataforma Time de FP&A Integrações Metodologia de FP&A Serviços Como funciona Casos de Sucesso Blog Melhores Materiais Universidade Treasy Biblioteca Treasy Caixa de Ferramentas Controller Cast Canal no YouTube Trilhas de Conhecimento Treasy para seu Negócio Experimentar grátis →
Planejamento e Estratégia Ao vivo

Definições estratégicas no orçamento: como definir metas

Como construir o Sumário Executivo, definir metas no mapa de indicadores e montar o calendário orçamentário. Aula 3 da Jornada da Meta ao Resultado.

Neste artigo

Alavanca no ponto de partida representando as definições estratégicas do orçamento

Antes de abrir qualquer planilha de orçamento, existe uma pergunta que poucos times financeiros respondem com clareza: quais são as regras do jogo para este ciclo? Quais restrições são inegociáveis? Qual indicador a empresa vai perseguir como objetivo principal? Sem isso, o planejamento orçamentário começa no meio, e cada gestor de departamento acaba montando o seu pedaço sem enxergar o todo.

A Aula 3 da Jornada da Meta ao Resultado resolve exatamente isso. Ela cobre a etapa de definições estratégicas, a ponte entre a modelagem financeira (Aula 2) e o planejamento orçamentário propriamente dito (Aula 4). Assista à aula completa abaixo.

Capa do vídeo: Jornada da Meta ao Resultado - Definições Estratégicas (Aula 3)Vídeo · YouTube

Por que as definições estratégicas vêm antes do orçamento

O processo orçamentário percorre um caminho lógico: modelagem financeira, definições estratégicas, planejamento, simulação de cenários, acompanhamento e revisões. Cada etapa alimenta a próxima.

Na etapa de modelagem, o time constrói o idioma único da empresa, sincronizando contabilidade, financeiro e gestão em uma só estrutura. Na etapa de definições estratégicas, o time estratégico e a Controladoria entram em cena para responder: onde queremos chegar, quais são nossas restrições e quem é responsável por quê.

O time executivo, formado pelos gestores de departamento, fica em espera. Eles só entram no próximo passo, quando precisam montar os planos detalhados para chegar nas metas que foram definidas agora.

O Sumário Executivo: as regras do jogo documentadas

A ferramenta central desta etapa é o Sumário Executivo. O nome impressiona mais do que o conteúdo, porque na prática ele organiza informações que toda empresa deveria ter claras, mas raramente estão escritas em um único lugar.

O Sumário Executivo reúne quatro blocos:

Perfil da empresa. Setor, vertical de negócio, porte, número de funcionários, regime tributário e faixa de faturamento. Parece básico, mas gestores que chegaram há pouco tempo na empresa frequentemente desconhecem esses dados. Na hora de montar o orçamento, isso causa projeções desconectadas da realidade.

Cadeia de valor. Como a empresa ganha dinheiro (produtos, mercadorias, serviços), por quais canais de venda, como compra e como administra a operação. Esses dados conectam diretamente com as premissas orçamentárias que cada gestor vai usar no planejamento.

Riscos e indexadores. Quais fatores externos podem mudar os resultados da empresa, e qual a probabilidade e impacto de cada um. A aula usa o exemplo de uma empresa de bicicletas que compra componentes importados e precisa monitorar o dólar. Além do câmbio, ela mapeou o IGPM (que corrige contratos com fornecedores) e o Dissídio Coletivo da categoria dos funcionários. Cada um desses indexadores vai alimentar a simulação de cenários na Aula 5.

Posicionamento estratégico e premissas inegociáveis. Toda empresa se posiciona em algum ponto entre inovação, exclusividade e baixo custo. A aula cita Lojas Renner como exemplo de foco em baixo custo, e marcas como Nike como foco em inovação. Empresas que tentam fazer tudo ao mesmo tempo tendem a não executar nada bem. Junto com o posicionamento, vêm as restrições que ninguém pode violar durante o planejamento: no exemplo da aula, a empresa não aceita reduzir a qualidade dos componentes, não permite mais de 15% de horas extras e exige saldo de caixa equivalente a três meses de operação sem faturamento.

Quando um gestor chega na etapa de planejamento sabendo dessas restrições, ele não vai propor reduzir custo de matéria-prima para melhorar a margem. Vai buscar outra estratégia. É isso que o Sumário Executivo entrega: direção antes de execução.

Como a comparação com o mercado refina as metas

Antes de definir para onde a empresa quer ir, vale entender onde o mercado está. A aula detalha como segmentar a comparação para comparar laranja com laranja:

  • Setor (comércio, indústria, serviço)
  • Vertical dentro do setor (comércio varejista de bens de consumo, por exemplo)
  • Faixa de faturamento
  • Regime tributário

Mesmo segmentando bem, a comparação tem limites. Duas empresas idênticas em porte e mercado podem ter números muito diferentes por razões internas. O objetivo não é copiar o referencial do mercado, mas entender onde há espaço para melhorar e o que os melhores do setor fazem diferente.

No exemplo da aula, a empresa de bicicletas tinha receita líquida de 88% do faturamento bruto, acima da referência setorial de 85%. Mas a margem de 13% ficou abaixo do referencial de 15%, indicando onde concentrar esforço no próximo ciclo.

Critério de segmentação Por que importa na comparação Exemplo prático
Setor Estrutura de custos e margens muda radicalmente entre comércio, indústria e serviço Comparar uma fábrica com uma varejista distorce todos os indicadores
Vertical Dentro do mesmo setor, verticais têm dinâmicas próprias de precificação e distribuição Comércio de alimentos vs. comércio de eletrônicos
Faturamento Empresas de portes diferentes têm acesso a crédito, escala e estrutura distintos Empresa de R$ 30M/ano não compete com empresa de R$ 500M/ano
Regime tributário Deduções sobre vendas e encargos trabalhistas variam muito entre Simples, Presumido e Real Margem líquida comparável só faz sentido no mesmo regime

Definindo metas no mapa de indicadores

Com o Sumário Executivo pronto, o time volta para o mapa de indicadores, a ferramenta apresentada na Aula 2 que conta o caminho do dinheiro na empresa. Desta vez, as caixas estão vazias, e o objetivo é escolher onde se quer chegar.

O primeiro passo é definir o plano orçamentário: um nome, um horizonte temporal e um objetivo principal. No exemplo da aula, a empresa criou o "Orçamento 2022/2023", com 18 meses de duração e foco em geração de caixa. O histórico desse indicador era -R$ 33.000. A meta para o novo ciclo: R$ 250.000 positivos.

A partir daí, cada indicador do mapa recebe uma meta, usando o histórico e a referência setorial como base. A aula mostra isso passo a passo:

  • Volume de vendas: 150 produtos no histórico, meta de 250
  • Preço médio: R$ 2.000 no histórico, meta de R$ 2.200
  • Receita bruta projetada: R$ 550.000 (contra R$ 300.000 no período anterior)
  • Deduções: redução de 12% para 10% do faturamento, após negociação com a área responsável
  • Receita líquida: meta de 90% (contra 88% histórico e 85% de referência setorial)

A aula deixa um aviso importante: essa não é a etapa do fechamento orçamentário. Definir metas é diferente de montar o orçamento detalhado por centro de custo. As metas traçam o destino. O planejamento orçamentário, etapa seguinte, é o GPS que mostra como chegar lá, com cada gestor de departamento construindo seus planos para atingir os números acordados.

Olhar só para o indicador final e ignorar os intermediários também é armadilha. Quem cortou demais o backoffice para melhorar a margem descobre que as rotinas financeiras, de RH e de controladoria começam a falhar, desestruturando o que estava funcionando. As metas orçamentárias precisam ser coerentes entre si.

Organograma e calendário orçamentário: quem faz o quê e até quando

Definir metas sem combinar quem executa e em qual prazo é uma receita para o plano virar gaveta. A etapa de definições estratégicas fecha com dois instrumentos simples e muito subestimados.

O organograma orçamentário mapeia quem pertence a cada time. O time estratégico (diretoria e sócios) define metas e premissas. O time de gestão financeira (Controladoria) conduz e facilita. O time executivo (gestores de departamento) recebe as metas e vai construir os planos. Nomear as pessoas, não só os cargos, resolve dúvidas de comunicação no dia a dia.

O calendário orçamentário é o que garante o ritmo. Para cada etapa do processo, o calendário define as atividades-chave, os responsáveis e os prazos. A aula é direta: sem calendário, o processo orçamentário vira evento de dezembro e não governança o ano inteiro. Para quem quer começar com uma estrutura pronta, o Kit Calendário Orçamentário traz os marcos do ciclo já organizados por etapa. Quem já criou uma cultura orçamentária na empresa sabe que o calendário é o que mantém essa cultura viva, porque ele obriga o acompanhamento mensal, as revisões trimestrais e a renovação anual do planejamento a acontecerem no tempo certo.

Para a etapa de definições estratégicas especificamente, todas as atividades (sumário executivo, definição de metas, organograma e calendário) acontecem uma vez ao ano, antes do início do horizonte orçamentário. No exemplo da aula, o prazo era 15 de outubro de 2021 para um plano que começava em janeiro de 2022.

O papel da Controladoria nesta etapa

Uma pergunta que aparece sempre: quem decide as metas? A resposta da aula é clara. A Controladoria conduz e facilita. Quem decide é o time estratégico.

Isso importa porque controllers que tentam definir metas sozinhos acabam com um orçamento sem compra-in da diretoria. E diretores que definem metas sem a Controladoria facilitando o processo acabam com números desconectados do que é possível operacionalmente.

A aula vai além e discute o que garante que as pessoas respeitem o Sumário Executivo no dia a dia. A resposta tem três partes: talento (pessoas certas nas funções certas), método (o processo documentado com as ferramentas corretas) e ritmo (o calendário garantindo que o acompanhamento acontece). Cultura orçamentária não nasce de uma reunião de kick-off. Ela se forma quando o time estratégico aparece nas reuniões de acompanhamento orçamentário e cobra resultados. Quando a diretoria trata o orçamento como ferramenta de decisão, não como relatório do financeiro.

A aula cita um ponto honesto: a própria Treasy passou um ano com o processo de planejamento defasado durante a pandemia. Quando voltou ao ritmo, os fundadores lembraram que gestão tem memória muscular, assim como esporte. Quem constrói o hábito e para por um tempo consegue retomar. Quem nunca construiu precisa começar do zero.

O que vem depois

Com o Sumário Executivo, o mapa de indicadores com metas definidas, o organograma e o calendário prontos, a etapa de definições estratégicas está concluída. O material é comunicado para os gestores de departamento, que entram em cena na Aula 4 para construir o planejamento orçamentário detalhado, peça por peça.

Se você está nos primeiros passos do processo orçamentário na sua empresa, um bom lugar para começar é entender como fazer o planejamento orçamentário do início ao fim e montar um calendário orçamentário que mantenha o time no ritmo. Quando quiser colocar o processo para rodar com dados reais do seu ERP, experimente o Treasy de graça e veja o mapa de indicadores funcionando com os números da sua empresa.

Perguntas frequentes

O que é a etapa de definições estratégicas no processo orçamentário?
É a etapa em que o time estratégico e a Controladoria definem as regras do jogo antes do planejamento orçamentário: premissas, restrições, objetivo principal do plano, metas para cada indicador, responsabilidades e prazos. Ela acontece após a modelagem financeira e antes do planejamento orçamentário detalhado pelos gestores de departamento.
O que é o Sumário Executivo no contexto do planejamento orçamentário?
É um documento que consolida as informações estratégicas da empresa necessárias para orientar o orçamento: perfil da empresa (setor, porte, regime tributário), cadeia de valor, riscos e indexadores relevantes, posicionamento estratégico e as premissas e restrições que não podem ser violadas durante o planejamento.
Quais informações compõem o perfil da empresa no Sumário Executivo?
Setor de atuação, vertical de negócio dentro do setor, número de funcionários, regime tributário (Simples, Lucro Presumido ou Lucro Real) e faixa de faturamento. Esses dados contextualizam o planejamento e ajudam a segmentar o benchmark de forma adequada.
Por que mapear riscos e indexadores antes de montar o orçamento?
Porque fatores como variação cambial, índices de reajuste contratual e dissídio coletivo impactam diretamente os resultados da empresa independentemente das decisões internas. Mapeá-los com cenários otimista, mais provável e pessimista é a base para a etapa de simulação de cenários.
Como funciona a segmentação do benchmark?
O benchmark é refinado por setor (comércio, indústria, serviço), vertical dentro do setor, faixa de faturamento e regime tributário. Comparar empresas com configurações diferentes distorce os indicadores. Mesmo com a segmentação correta, cada empresa é única, então o benchmark serve como referência de melhoria, não como meta a copiar.
O que são premissas e restrições estratégicas?
Premissas são condições que a empresa não abre mão durante o ciclo orçamentário, como manter um saldo de caixa mínimo equivalente a três meses de operação. Restrições são limites inegociáveis, como não substituir matéria-prima por componentes de qualidade inferior ou não ultrapassar 15% de horas extras. Elas orientam todos os gestores na hora de montar os planos.
Quais são os três tipos de posicionamento estratégico mencionados na aula?
Inovação, exclusividade e baixo custo. Empresas que tentam investir igualmente nos três tendem a não executar nenhum bem. A recomendação é definir onde concentrar os recursos e comunicar isso para todos os times antes do planejamento.
Como o mapa de indicadores é usado na etapa de definições estratégicas?
Com as caixas de indicadores em branco, o time define o objetivo principal do plano (o indicador mais importante) e as metas para cada indicador, usando o histórico do ciclo anterior e o benchmark como referência. Não é o detalhamento orçamentário, é a escolha do destino.
O que é o objetivo do plano e como ele é definido?
É o indicador que a empresa vai perseguir como prioridade máxima no ciclo. Pode ser geração de caixa, margem, receita ou outro indicador estratégico. O time estratégico escolhe esse objetivo com base no histórico, no benchmark e na situação atual da empresa.
Qual a diferença entre metas principais e metas complementares no mapa de indicadores?
A meta principal é o objetivo central do plano. As metas complementares são os demais indicadores que precisam ser monitorados porque afetam a meta principal. Focar só no indicador final e cortar demais nas áreas de apoio pode desestruturar as operações e comprometer o resultado.
O que é o organograma orçamentário?
É o mapeamento das pessoas que participam do processo orçamentário, organizadas em três times: estratégico (define metas e premissas), gestão financeira/Controladoria (conduz e facilita) e executivo (gestores de departamento que montam os planos). Nomear as pessoas, não só os cargos, facilita a comunicação no dia a dia.
O que é o calendário orçamentário e por que ele é importante?
É o documento que define as atividades-chave de cada etapa do processo orçamentário, quem é responsável por cada uma e até quando devem ser concluídas. É o que garante o ritmo do processo ao longo do ano, transformando o orçamento de evento de dezembro em governança contínua.
Qual é o papel da Controladoria na etapa de definições estratégicas?
Conduzir e facilitar o processo. As decisões de metas, premissas e posicionamento estratégico são do time estratégico (diretoria, sócios). A Controladoria organiza as informações, apresenta histórico e benchmark, e garante que as decisões fiquem documentadas e comunicadas para todos os envolvidos.
Como garantir que o Sumário Executivo seja respeitado no dia a dia?
A aula resume em três fatores: talento (pessoas certas nas funções certas), método (processo documentado com ferramentas claras) e ritmo (calendário garantindo que o acompanhamento acontece). Quando o time estratégico participa das reuniões e cobra resultados, a cultura se forma. Quando só o financeiro olha para o orçamento, o processo tende a ser ignorado.
A etapa de definições estratégicas acontece com que frequência?
Uma vez ao ano, antes do início do horizonte orçamentário. É diferente do acompanhamento, que ocorre mensalmente, e das revisões, que podem ser trimestrais ou semestrais. O calendário orçamentário define o prazo exato para cada ciclo.
O que acontece depois que as definições estratégicas estão concluídas?
O material produzido (Sumário Executivo, mapa de indicadores com metas, organograma e calendário) é comunicado para os gestores de departamento, que entram em cena para montar o planejamento orçamentário detalhado. É nessa etapa que cada área define os planos específicos para atingir as metas acordadas.

Leia também

Planejamento e Estratégia

Do planejamento à execução: os 3 passos da gestão estratégica

Planejamento e Estratégia

4 dicas para o planejamento de sua empresa!

Planejamento e Estratégia

5 dicas para ter um planejamento estratégico efetivo