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Orçamento Empresarial Ao vivo

Planejamento orçamentário e simulação de cenários na prática

Como montar o planejamento orçamentário do zero e simular cenários otimista, realista e pessimista. Aula 3 da Jornada da Meta ao Resultado 2025.

Neste artigo

Duas barras lado a lado, planejado e realizado, com uma pilha de moedas douradas ao fundo, representando a simulação de cenários do orçamento

Você define a meta de EBITDA, fecha o número na reunião com a diretoria e volta para a mesa com uma pergunta concreta: agora, como a gente chega lá? É exatamente esse salto, da meta para o plano, que a terceira aula da Jornada da Meta ao Resultado 2025 percorre do início ao fim, usando uma empresa real como fio condutor. Se você ficou com a sensação de que meta é uma coisa e orçamento é outra, esta aula desfaz esse nó.

Assista à live completa abaixo e continue lendo para aprofundar cada etapa.

Capa do vídeo: Planejamento Orçamentário e Simulação de Cenários - Jornada da Meta ao Resultado 2025Vídeo · YouTube

O ponto de partida: metas já definidas, plano ainda em branco

A aula retoma onde a anterior parou. A Campus Climatização, empresa fictícia usada ao longo de toda a Jornada, já tinha definido as metas: R$ 3 milhões de receita bruta e R$ 876.600 de EBITDA para 2025. O exercício agora é montar o planejamento orçamentário que sustente esses números.

O ponto central é este: enquanto você não tem um plano detalhado por rubrica, não sabe se a meta é alcançável com os recursos que você tem. A Campus, por exemplo, chega ao final do exercício com uma projeção de R$ 800 mil de EBITDA, próxima mas abaixo dos R$ 876 mil. E isso não é fracasso; é informação. Com ela, a empresa pode ajustar metas, rever premissas ou decidir que vai correr o risco.

Projeção de receita: quantidade vezes preço médio

O primeiro bloco do orçamento é receita. A Campus tem três produtos de ar condicionado (9.000, 12.000 e 15.000 BTUs) e dois tipos de serviço (instalação e manutenção). A lógica é simples: estimativa de volume por produto vezes o preço médio por unidade.

  • 15 unidades de 9.000 BTUs a R$ 1.900 = R$ 28.500/mês
  • 10 unidades de 12.000 BTUs a R$ 2.100
  • 6 unidades de 15.000 BTUs a R$ 2.500
  • 200 instalações/mês a R$ 450
  • 180 manutenções/mês a R$ 100

Somando tudo, a Campus chega a R$ 3,17 milhões de projeção de faturamento, acima dos R$ 3 milhões de meta. Até aqui, o plano segura a receita.

Um detalhe importante da aula: sazonalidade. A Campus está no Nordeste e não sofre com variações de clima. Se a sua empresa tiver picos de venda em certos meses, o orçamento precisa refletir isso mês a mês. Quanto mais histórico você tiver, mais precisa será essa distribuição.

Deduções: onde o plano encontra a realidade tributária

Aqui a aula entrega uma das melhores sacadas práticas. A Campus havia estimado 12% de deduções sobre a receita bruta. Quando o orçamento é montado por rubrica, aparece um problema: ela está no Simples Nacional e a alíquota real sobre mercadorias é de 14,3%. Nos serviços, chega a 21%.

O resultado: a projeção de deduções sobe para R$ 614 mil, contra R$ 361 mil de meta. O sinal de alerta é imediato. Com esse faturamento, pode valer a pena analisar a migração para Lucro Real ou Presumido. O planejamento tributário deixa de ser pauta de contador e vira parte do planejamento orçamentário.

Somadas as taxas de meios de pagamento (3% em média), as deduções chegam perto de R$ 700 mil. A receita líquida projetada fica em R$ 2,46 milhões, abaixo dos R$ 2,64 milhões de meta.

Custo das mercadorias vendidas e o orçamento de pessoal

A Campus pratica um markup que resulta em 70% de custo sobre o preço de venda dos equipamentos. Aplicado ao volume projetado, o CMV chega a R$ 541 mil, acima dos R$ 420 mil de meta.

O bloco mais trabalhoso, e o que mais pega nas empresas, é o orçamento de gastos com pessoal. A aula mostra a lista de funcionários da Campus por centro de resultado:

  • 2 vendedores (comercial): salário + R$ 500 de comissão cada
  • 3 técnicos de instalação (atendimento): R$ 3.500/mês cada
  • 2 técnicos de manutenção (atendimento): salário mais elevado
  • 1 analista de atendimento/pós-venda: R$ 3.000/mês
  • 1 analista de RH: R$ 3.500/mês
  • 1 analista financeiro: R$ 3.500/mês

Para cada funcionário CLT, o orçamento precisa incluir FGTS (8%), INSS (20% patronal), provisão de férias, décimo terceiro e benefícios. A Campus oferece vale refeição (R$ 770), vale transporte (R$ 264) e plano de saúde (R$ 350 em média). Quem monta o orçamento em planilha precisa criar um "pacote de pessoal" que calcule esses encargos automaticamente para cada posição adicionada. A projeção de encargos e benefícios é um dos pontos que mais gera surpresa para quem faz o primeiro orçamento.

Despesas operacionais: da ocupação ao marketing

Além do pessoal, a Campus tem despesas fixas distribuídas por centro de resultado corporativo e de marketing:

  • Aluguel: R$ 5.000/mês
  • Energia elétrica: R$ 1.000/mês
  • Internet e telefone: R$ 300/mês
  • Material de escritório: R$ 200/mês
  • Material de consumo (instalação + manutenção): R$ 2.000/mês
  • Agência de marketing: R$ 3.000/mês
  • Google Ads: R$ 2.000/mês
  • Meta Ads: R$ 2.000/mês
  • Pró-labore dos sócios: R$ 5.000 (um sócio na folha)
  • Adiantamento de dividendos: R$ 10.000 (dois sócios)
  • BPO contábil: R$ 1.500/mês
  • BPO de controladoria: R$ 1.000/mês

O total de despesas e gastos com pessoal da Campus chega a R$ 1,22 milhão. Algumas rubricas ficam dentro da meta, outras estouram. A soma com os custos anteriores deixa o EBITDA projetado em R$ 800 mil, 8,8% abaixo do objetivo de R$ 876.600.

O que fazer quando o plano não bate a meta

A pergunta que a aula responde com honestidade: o orçamento da Campus chegou perto, mas não atingiu os R$ 876 mil. O que fazer?

Primeiro, entender que isso é normal no primeiro ciclo. Sem histórico de planejamento, as metas são mais intuitivas do que calibradas. A cada ciclo que você rodar, as estimativas ficam mais precisas e o processo mais rápido.

Segundo, usar o próprio orçamento para decidir: a meta ficou muito conservadora ou a empresa não tem como atingi-la com a estrutura atual? Essa é uma decisão de gestão, não de planilha.

Terceiro, reconhecer que o valor do orçamento não está em acertar o número exato. Está em ter um plano para seguir e, quando o planejado e realizado divergirem, entender o porquê rapidamente.

Cenários: um plano, três versões do futuro

A segunda metade da aula aborda simulação de cenários. A distinção que o instrutor faz é importante: planos e cenários não são a mesma coisa.

Plano é a estratégia que você escolheu para atingir o objetivo. A Campus poderia ter um plano A (crescer receita) e um plano B (reduzir despesas). São dois caminhos diferentes, cada um com sua estrutura de recursos, fornecedores e equipe.

Cenário é a variação dentro de um mesmo plano. Você escolhe o plano A e simula o que acontece com ele se o câmbio subir, se o Dissídio Coletivo for de 5% ou 10%, se o preço de insumos aumentar.

Os indexadores mais comuns que a aula lista:

  • Câmbio (dólar, euro): afeta empresas que compram insumos importados ou pagam ferramentas em moeda estrangeira
  • IGPM e IPCA: usados em reajuste de contratos com clientes e fornecedores
  • Preço de commodities e insumos: combustível para a frota, matéria-prima
  • Dissídio Coletivo: reajuste salarial dos funcionários CLT

A Campus aplica o exemplo do Dissídio. Com 5% de reajuste nos salários a partir de agosto (cenário realista), o EBITDA cai de R$ 800 mil para R$ 790 mil. No cenário pessimista (10% de reajuste), cai para R$ 779 mil. No otimista (3,5%), fica nos mesmos R$ 790 mil no exemplo simplificado da aula.

Tabela de referência: indexadores e impacto por cenário

Indexador Cenário otimista Cenário realista Cenário pessimista
Dólar (R$) 5,50 6,00 7,00
Dissídio salarial 3,5% 5,0% 10,0%
IPCA estimado 3,5% 5,0% 7,0%
IGPM estimado 3,0% 5,0% 8,0%
EBITDA Campus (ex. Dissídio) R$ 790 mil R$ 790 mil R$ 779 mil

Por que simular cenários vale o esforço

O instrutor resume bem: depois de todo o trabalho de montar o orçamento, criar os cenários é a parte mais rápida, especialmente com uma ferramenta adequada. Para quem quer começar sem construir do zero, o modelo de simulação de cenários já traz a estrutura de indexadores pronta. Você liga os indexadores ao plano e, em segundos, tem três versões do futuro projetadas.

O ganho não é adivinhar qual vai acontecer. É ter planos de ação prontos para cada possibilidade. Se o câmbio chegar a R$ 7 e o custo com ferramentas online disparar, você já sabe o impacto no resultado e pode acionar as alavancas antes que o caixa aponte o problema.

Essa é a diferença entre reagir e antecipar, e é o que transforma o controle orçamentário em ferramenta de gestão real.

O que vem a seguir na Jornada

A próxima aula da série cobre o acompanhamento orçamentário e as revisões: como comparar o planejado com o realizado mês a mês, como identificar desvios orçamentários e quando revisar o orçamento em vez de simplesmente tolerar o desvio.

Se você ainda não acompanhou as aulas anteriores, comece pela primeira aula da Jornada da Meta ao Resultado, que cobre o mapa do lucro e a definição de metas. Para aprofundar os fundamentos de como fazer um orçamento empresarial fora do contexto da série, o guia completo de orçamento empresarial cobre o terreno do início ao fim.

Quando quiser sair da teoria e colocar o processo para rodar com os dados reais do seu sistema financeiro, crie uma conta gratuita no Treasy e monte seu primeiro orçamento com os números da sua empresa.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre definir metas e montar o planejamento orçamentário?
A meta é o número que a empresa quer atingir (ex: R$ 876 mil de EBITDA). O planejamento orçamentário é o conjunto de projeções por rubrica (receita, deduções, custos, despesas, pessoal) que mostra se a empresa consegue de fato chegar lá com a estrutura que tem. Sem o plano, a meta é só uma intenção.
Como projetar a receita no orçamento?
A base é simples: estimativa de volume por produto ou serviço vezes o preço médio esperado. Para cada linha de receita, você define quantas unidades pretende vender e a que preço. Se a empresa tiver sazonalidade, distribua esse volume mês a mês conforme o histórico.
Por que as deduções surpreenderam no exemplo da Campus?
A Campus estimou 12% de deduções, mas quando o orçamento foi detalhado, a alíquota real do Simples Nacional era 14,3% para mercadorias e 21% para serviços. O orçamento revelou que, naquele nível de faturamento, talvez valha mais fazer uma análise tributária e considerar Lucro Real ou Presumido.
O que é o 'pacote de pessoal' e por que ele importa no orçamento?
É o conjunto de encargos e benefícios que incidem sobre cada funcionário CLT: FGTS (8%), INSS patronal (20%), provisão de férias, décimo terceiro e benefícios (vale refeição, vale transporte, plano de saúde). Sem o pacote de pessoal no orçamento, o custo real do time fica subavaliado.
Quanto custam os encargos sobre o salário de um funcionário CLT?
Aproximadamente 88% de encargos sobre o salário bruto, considerando FGTS, INSS patronal, provisão de férias e décimo terceiro. Benefícios adicionais (vale refeição, plano de saúde, vale transporte) aumentam esse percentual. O valor exato varia conforme a política de benefícios de cada empresa.
O que fazer quando o orçamento projetado não atinge a meta?
Primeiro, entender por qual rubrica o desvio é maior. Depois, decidir: a meta estava mal calibrada (e pode ser ajustada), a empresa pode aumentar receita ou reduzir custos para fechar a diferença, ou a empresa aceita correr o risco de tentar atingir uma meta que o plano não sustenta. O orçamento dá a informação; a decisão é da gestão.
Qual é a diferença entre plano e cenário no contexto orçamentário?
Plano é a estratégia escolhida para atingir o objetivo (ex: crescer receita via novos canais). Cenário é a variação dentro do mesmo plano, simulando o impacto de fatores externos (câmbio, reajuste salarial, preço de insumos). Você escolhe um plano e simula vários cenários sobre ele.
Quais são os principais indexadores a considerar na simulação de cenários?
Os mais comuns são: câmbio (dólar e euro, para empresas com compras ou despesas em moeda estrangeira), IGPM e IPCA (reajuste de contratos), preço de commodities e insumos, e Dissídio Coletivo (reajuste salarial dos funcionários CLT). Cada empresa tem seus próprios indexadores conforme o modelo de negócio.
Como o Dissídio Coletivo afeta o orçamento?
O Dissídio define o percentual de reajuste dos salários dos funcionários CLT de acordo com o sindicato da categoria. Ele costuma acontecer em data específica (ex: agosto para algumas categorias). No cenário realista, usa-se a estimativa mais provável; no pessimista, um percentual maior; no otimista, um menor.
Quantos cenários devo criar no orçamento?
O mínimo recomendado é três: otimista, realista e pessimista. Mas você pode criar quantos quiser, inclusive por variável (ex: cenário dólar R$ 6, cenário dólar R$ 7, cenário dólar R$ 8). O importante é que cada cenário use números realistas, porque o cenário aprovado pode virar meta.
Vale a pena montar dois planos diferentes antes de simular cenários?
Só se você tiver tempo e energia para isso. Cada plano exige uma estrutura de recursos diferente, o que aumenta muito o trabalho. Para o primeiro orçamento, escolha um plano e simule cenários sobre ele. Conforme a empresa ganha maturidade orçamentária, explorar planos alternativos passa a fazer sentido.
Como a Campus Climatização ficou no final do exercício?
A projeção de EBITDA chegou a R$ 800 mil, contra uma meta de R$ 876.600. A receita bateu a meta, mas deduções tributárias acima do estimado e custos de pessoal mais altos puxaram o resultado para baixo. No cenário pessimista com Dissídio de 10%, o EBITDA caía para R$ 779 mil.
Por que a sazonalidade importa na projeção de receita?
Se a empresa tem meses de pico e meses fracos, o orçamento mensal precisa refletir essa variação. Subestimar um mês de baixa pode gerar problema de caixa; superestimar um mês de pico infla a projeção anual. Quanto mais histórico disponível, mais precisa fica a distribuição mensal.
O que é o BPO de controladoria mencionado na aula?
É um serviço terceirizado de controladoria, em que uma empresa especializada monta e acompanha o mapa do lucro, o mapa do caixa e o planejamento orçamentário para empresas que não têm equipe interna para isso. A Campus Climatização contratou por R$ 1.000/mês para ter acesso a esse processo de gestão.
Qual é a próxima etapa depois de montar o planejamento e simular cenários?
O acompanhamento mensal: comparar o planejado com o realizado mês a mês, identificar os desvios e entender se eles exigem um ajuste de plano ou uma revisão orçamentária. Essa é a etapa seguinte da Jornada da Meta ao Resultado, coberta na aula 4.
É possível fazer o orçamento em planilha em vez de ferramenta específica?
Sim. A aula menciona explicitamente que o Excel é uma opção válida. A ferramenta específica ajuda a economizar tempo e a automatizar encargos e cenários, mas a lógica é a mesma: projetar receita, deduções, custos e despesas por rubrica e centro de resultado, mês a mês.

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