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Projeção de custos variáveis: guia da Aula 05 do curso

Aprenda a projetar custos variáveis pelo CPV e CMV, monte fichas técnicas e chegue à margem de contribuição. Guia da Aula 05 do Curso de Planejamento

Neste artigo

Um gráfico de barras geométrico crescente com um mostrador de custo ao lado, dentro de um painel de luz numerado, representando a aula 05 do curso sobre custos variáveis

Custo é como unha: você tem que cortá-lo constantemente. A frase do instrutor soa como clichê até o momento em que você percebe que está vendendo um produto com margem de contribuição negativa e nem sabia disso. Quanto mais você vende, maior é o prejuízo, e o orçamento projetado é exatamente o instrumento que revela esse problema antes que ele devore o caixa.

A Aula 05 do Curso Completo de Planejamento Orçamentário da Treasy mostra como sair da posição reativa, aquela de olhar para trás e fazer a autopsia do resultado, e passar a projetar os custos variáveis com antecedência. Você assiste à aula completa abaixo e encontra neste guia a organização dos conceitos e do passo a passo praticado na aula.

Capa do vídeo: Aula 05 - Projeção de Custos Variáveis - Curso Completo de Planejamento OrçamentárioVídeo · YouTube

O que são custos variáveis e por que projetá-los

Custo, no sentido técnico, é todo desembolso referente à aquisição ou produção de mercadorias: matéria-prima, mão de obra direta, gastos gerais de fabricação, manutenção de máquinas, energia do galpão. O adjetivo "variável" acrescenta uma premissa fundamental: esse custo varia conforme o volume produzido. Se a empresa não vende, o custo não ocorre.

Essa lógica, baseada na ótica do resultado, é a que o orçamento precisa usar. Projetar os custos variáveis antecipa três vantagens concretas:

  1. Negociação com fornecedores com base no volume projetado, chegando a melhores preços ao comprar antecipadamente.
  2. Planejamento de mão de obra para picos de produção ou sazonalidades, sem contratação de última hora.
  3. Estimativa da margem com a qual cada produto precisa ser vendido para que a operação seja saudável.

A aula deixa claro que o ponto de partida para projetar o custo já está pronto quando a empresa termina de projetar o volume de vendas. Quem abriu a projeção de receita de vendas em volume e preço tem metade do trabalho feito.

CPV ou CMV: qual método usar

A aula trabalha dois métodos de custeio variável, e a escolha depende do setor da empresa.

CPV (Custo do Produto Vendido): considera a composição completa do produto por meio da ficha técnica de produção. Matérias-primas, embalagens, insumos e produtos intermediários entram no cálculo. É o método típico da indústria.

CMV (Custo da Mercadoria Vendida): considera o preço de compra da mercadoria como custo. É mais simples e adequado ao comércio. Comprou por X, vendeu por Y: o custo é X.

Os dois métodos compartilham uma premissa importante: o custo só existe se a empresa vender. É por isso que eles servem à ótica de resultado, e não à ótica de produção.

CritérioCPVCMV
Setor típicoIndústriaComércio
Base do custoFicha técnica (matérias-primas + insumos)Preço de compra da mercadoria
ComplexidadeAlta: exige cadastro de materiais e alocação por produtoBaixa: preço de compra unitário por produto
Produto intermediárioSim: um produto pode compor outro antes da vendaNão se aplica
Variação por canalPossível (custo logístico diferente por praça)Possível (custo logístico diferente por praça)
Vínculo com volume de vendasDireto: custo total = unitário × volume projetadoDireto: custo total = preço de compra × volume projetado

Passo a passo do CPV: da matéria-prima à ficha técnica

A aula usa o exemplo da Campos Confecções, uma indústria de vestuário que produz internamente camisas, bermudas, calças e camisetas. O exercício é dividido em duas etapas.

Etapa 1: cadastro das matérias-primas e insumos

O primeiro passo é listar todos os itens que entram na produção de cada produto. No exemplo da aula, a camisa esporte usa:

  • Tecidos: tactel (comprado em metro, a R$ 6,25/m)
  • Insumos: botão (R$ 0,10/unidade), etiqueta (R$ 0,05/unidade), linha (R$ 0,10/metro), estampa (R$ 1,00/unidade)

Cada item recebe uma unidade de medida de compra porque essa unidade será usada para calcular o consumo na ficha técnica. Se o tactel é comprado em metro mas o produto consome 90 cm, a conversão é feita no próximo passo.

Uma vantagem importante: os preços podem ser projetados mês a mês. Se há uma negociação com fornecedor que entra em vigor em julho, o orçamento já reflete esse custo futuro e o impacto na margem aparece no demonstrativo de resultados antes do fato acontecer.

Etapa 2: produto intermediário e ficha técnica do produto acabado

A aula introduz o conceito de produto intermediário para simplificar fichas técnicas com muitos produtos que compartilham a mesma base. No exemplo, a maioria das camisas usa o mesmo molde. Em vez de repetir o molde em cada ficha, a empresa cadastra um produto intermediário "molde" com sua própria composição (tactel: 0,9m, botão: 1un, linha: 1m) e depois inclui esse molde na ficha de cada camisa acabada.

A ficha técnica da camisa esporte fica assim:

  • 1 unidade de produto intermediário "molde"
  • 1 unidade de estampa

Qualquer alteração no preço ou na composição do molde impacta automaticamente todos os produtos acabados que o utilizam, sem precisar abrir ficha a ficha.

Com a ficha técnica pronta, o cruzamento com o volume de vendas projetado gera:

  • Custo unitário (CPV unitário): quanto custa fabricar uma unidade do produto.
  • Custo total mensal: custo unitário multiplicado pelo volume projetado mês a mês.
  • Quantidade total de cada matéria-prima: permite negociar volume com fornecedores com dados reais na mão.

Esse resultado vai direto para o orçamento de custo dos produtos vendidos e alimenta o demonstrativo de resultados.

Passo a passo do CMV: mais simples, mesmo resultado

Para empresas de comércio, o caminho é mais curto. Não há ficha técnica nem produto intermediário. O custeio começa direto no módulo de custo variável, onde cada produto recebe um preço de compra unitário.

A aula mostra que o custo pode variar por canal de distribuição. A camisa esporte vendida na loja de Copacabana tem custo diferente da vendida na loja da Avenida Paulista por razões logísticas. Quando esse custo é idêntico em todos os canais, a função de aplicação em lote resolve o preenchimento de uma vez para todos os canais selecionados.

Quem abriu a projeção de receita por famílias de produto e usou preço médio precisa seguir a mesma lógica aqui: projetar um custo médio para cada família. O raciocínio é o mesmo do lado da receita, agora aplicado ao custo.

Da projeção à margem de contribuição

Com CPV ou CMV projetados, o demonstrativo de resultados avança para a margem de contribuição bruta. A aula descreve esse indicador com precisão: é o quanto sobra das vendas após deduzir impostos e pagar fornecedores, ou seja, o valor que de fato contribui para cobrir as despesas fixas da empresa.

A análise vertical do demonstrativo transforma essa leitura em percentual. Em vez de olhar só o valor absoluto, você vê qual proporção da receita bruta cada linha representa. Isso permite comparar:

  • Qual canal de distribuição tem a melhor margem e merece ser impulsionado.
  • Quais canais têm margens ruins e precisam de ajuste ou descontinuação.
  • Quais produtos contribuem positivamente e quais geram margem negativa.

A aula menciona um ponto que vale reforçar: empresas que não fazem esse exercício de custeio frequentemente mantêm produtos com margem de contribuição negativa sem perceber. Quanto mais vendem esses produtos, mais prejudicam o resultado. O orçamento de despesas e a projeção de margem de contribuição existem exatamente para iluminar esses pontos cegos antes que se tornem problemas.

Como a projeção de custos se encaixa no orçamento completo

A aula é a quinta de uma sequência que já passou por receitas brutas, deduções e receita líquida. Com a projeção de custos variáveis concluída, o demonstrativo de resultados tem três blocos preenchidos: receita bruta, deduções e custos variáveis, chegando à margem de contribuição.

Os próximos blocos, despesas fixas e resultado operacional, completam o caminho até o DRE projetado. Cada aula do curso acrescenta uma camada ao mesmo demonstrativo, o que torna mais fácil entender o impacto de cada decisão orçamentária no resultado final.

Para quem está começando, o ponto de entrada prático é o CMV: cadastrar os produtos, informar o preço de compra e cruzar com o volume de vendas já projetado. Isso já mostra a margem de contribuição e revela os produtos que precisam de atenção. Quem vai além e monta as fichas técnicas pelo CPV ganha visibilidade sobre o consumo de cada matéria-prima e a capacidade de negociar com fornecedores com dados concretos. Para ver esse processo aplicado dentro do Treasy, o webinar de projeção de custo variável no Treasy mostra passo a passo como montar o CPV e o CMV diretamente na ferramenta.

Se quiser ir além da planilha e ter o histórico do seu ERP alimentando o orçamento automaticamente, experimente o Treasy sem custo e veja a margem de contribuição surgir sem trabalho manual mês a mês.


Veja também: - Custos diretos, indiretos, fixos e variáveis - Indicador de margem de contribuição - Como elaborar o orçamento de despesas operacionais - Orçamento de produção - Gestão de custos - Processo orçamentário no estado da arte - Curva ABC de custos - Despesas fixas e variáveis - Como fazer o planejamento orçamentário - Modelagem financeira e orçamentária

Perguntas frequentes

O que são custos variáveis no contexto do planejamento orçamentário?
São os custos que variam conforme o volume produzido ou vendido. No orçamento, utiliza-se a ótica de resultado: o custo só existe se a empresa vender. Isso inclui matérias-primas, embalagens, insumos e o preço de compra das mercadorias, dependendo do setor.
Qual a diferença entre CPV e CMV?
O CPV (Custo do Produto Vendido) considera a composição completa do produto por meio de ficha técnica, com matérias-primas, insumos e subconjuntos. É usado pela indústria. O CMV (Custo da Mercadoria Vendida) considera apenas o preço de compra da mercadoria e é mais simples, adequado ao comércio.
Como saber qual método de custeio usar na minha empresa?
A escolha depende do setor. Indústrias que produzem internamente usam CPV, porque precisam mapear matérias-primas e fichas técnicas. Empresas de comércio que compram e revendem sem transformação usam CMV. A plataforma de orçamento já identifica o modelo de negócio na configuração inicial e adapta o módulo de custo variável automaticamente.
Por onde começar a projeção de custos variáveis?
O ponto de partida é a projeção de volume de vendas já concluída. Com o volume definido, basta conhecer o custo médio ou as fichas técnicas dos produtos. Para o CPV, o próximo passo é cadastrar matérias-primas e insumos. Para o CMV, basta informar o preço de compra unitário de cada produto.
O que é um produto intermediário e para que serve?
É um subconjunto que participa da ficha técnica de um ou mais produtos acabados, mas não é vendido diretamente. No exemplo da aula, o molde de confecção é um produto intermediário: tem sua própria composição de matérias-primas e é reutilizado em várias camisas. Qualquer mudança no custo do molde se propaga automaticamente para todos os produtos que o utilizam.
Como montar a ficha técnica de um produto no CPV?
O processo tem duas etapas: primeiro, cadastrar as matérias-primas e insumos com suas unidades de medida de compra e preços; depois, criar a composição do produto informando quanto de cada item é consumido para fabricar uma unidade. Se o tactel é comprado em metro mas o produto consome 90 cm, a conversão é feita nessa etapa (0,9m).
O preço das matérias-primas pode variar ao longo do ano no orçamento?
Sim. A plataforma permite inserir preços diferentes para cada mês. Se há uma negociação com fornecedor que entra em vigor em determinado período, o orçamento já reflete esse custo futuro e mostra o impacto na margem de contribuição antes do fato acontecer.
O custo pode variar por canal de distribuição?
Sim. No CMV, a aula mostra que um mesmo produto pode ter custo de compra diferente em São Paulo e no Rio de Janeiro por razões logísticas. Quando o custo é idêntico para todos os canais, a função de aplicação em lote permite preencher o valor de uma vez para todos os canais selecionados.
O que a projeção de custos permite saber sobre as matérias-primas?
Com o volume de vendas e o consumo de cada matéria-prima por produto definidos, é possível calcular a quantidade total de cada item que será necessária no período. Isso permite negociar volume com fornecedores com dados concretos, comprar antecipadamente e conseguir melhores preços.
O que é margem de contribuição e como ela aparece no orçamento?
É o valor que sobra das vendas após deduzir impostos e custos variáveis. Representa o quanto cada venda contribui para cobrir as despesas fixas da empresa. No orçamento, aparece na sequência do demonstrativo de resultados: receita bruta menos deduções menos custos variáveis igual à margem de contribuição bruta.
Como analisar a margem de contribuição por produto e canal?
A análise vertical do demonstrativo de resultados converte cada linha em percentual da receita bruta. Com isso, é possível comparar a margem por canal de distribuição, por produto e até por vendedor, dependendo de como a projeção de receita foi estruturada.
O que significa ter um produto com margem de contribuição negativa?
Significa que quanto mais esse produto é vendido, maior é o prejuízo. O custo variável supera a receita líquida, então cada unidade vendida piora o resultado. A aula destaca que empresas que não fazem projeção de custos frequentemente mantêm esses produtos no portfólio sem perceber o problema.
Qual a relação entre a projeção de vendas e a projeção de custos?
A projeção de vendas em volume é o insumo principal para calcular o custo total. O custo unitário (CPV ou CMV) multiplicado pelo volume projetado gera o custo total mensal. Por isso a aula enfatiza que abrir a projeção de receita em volume e preço, e não só em receita fechada, é fundamental para o custeio funcionar corretamente.
A Aula 05 é adequada para empresas de serviços?
A aula cobre indústria (CPV) e comércio (CMV). Para serviços, o custo variável principal tende a ser mão de obra direta e insumos específicos por projeto, o que pode seguir uma lógica semelhante ao CPV com adaptações. A aula menciona que o sistema já configura o modelo de custeio conforme o tipo de negócio informado na configuração inicial.
Qual é o próximo passo após concluir a projeção de custos variáveis?
Com custos variáveis projetados, o demonstrativo de resultados chega à margem de contribuição. O próximo bloco a projetar são as despesas fixas, que incluem despesas operacionais, pessoal e outros gastos que não variam com o volume. Essa etapa é tratada nas aulas seguintes do mesmo curso.

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