Risco de crédito
O que é
O risco de crédito é a chance de a empresa perder dinheiro porque o devedor não cumpre o combinado: um cliente que não paga ou uma instituição financeira que quebra com o caixa aplicado nela. O risco de crédito é um dos riscos tratados pela área de risco financeiro, ao lado dos riscos operacional, de mercado e de liquidez.
Pesa para quem vende a prazo e para quem aplica o caixa em instituições financeiras. No contas a receber, ele entra no cálculo da provisão que cobre a inadimplência, que também depende da inadimplência histórica e do perfil dos clientes.
Como funciona
O risco de crédito tem duas pontas. Na ponta do cliente, vira inadimplência. Na ponta da aplicação, vem da instituição: o CDB é considerado de baixo risco porque o Fundo Garantidor de Créditos, o FGC, o cobre até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ por instituição, mas o risco existe se a instituição quebrar, como mostra o texto sobre o limite de proteção do FGC.
Há instrumentos para reduzir a exposição: o fundo garantidor de risco de crédito complementa garantias de operações de financiamento, e as operações de factoring, ou faturização incluem seleção de riscos e gestão de crédito entre os serviços.
Exemplo prático
Considere, como cenário ilustrativo, uma distribuidora de insumos para padarias que fatura R$ 540.000 por mês, com um único cliente, uma rede de supermercados, respondendo por R$ 190.000 desse total, com pagamento em dois meses. Se essa rede atrasar o pagamento, mais de um terço do faturamento do mês (R$ 190.000 de R$ 540.000) fica preso fora do caixa além do prazo combinado.
A diferença de olhar a carteira é prática: o cliente que concentra o faturamento vira o primeiro nome na conversa sobre limite de prazo e sobre provisão para inadimplência.
Como interpretar e erros comuns
O risco sobe com a concentração da carteira e com a fragilidade do devedor; garantias e provisão amortecem o impacto. Quem faz a gestão de riscos da empresa identifica, mede e trata riscos de mercado, crédito e operação, e algumas confusões atrapalham essa conta:
- Olhar só o cliente: o caixa aplicado também corre risco de crédito, e o saldo acima da cobertura do FGC segue exposto à instituição.
- Provisionar sem histórico: a provisão depende da inadimplência histórica e do perfil dos clientes atuais, então copiar o percentual de outra empresa ignora a própria carteira.
- Misturar com o risco de taxa: na aplicação, o risco de taxa é o rendimento cair quando o CDI cai, e o de crédito é a instituição quebrar.
Para ir além
- Vídeo: o controller que olha além da planilha: propõe olhar de perto o cliente que aparece como risco de crédito na planilha.
- Artigo: o episódio do Controller Cast sobre decisões na tesouraria: mostra como o profissional transforma sinais dispersos, entre eles risco de crédito, juros e câmbio, em decisões concretas.
- Artigo: a certificação para quem trabalha com risco financeiro: apresenta a qualificação de quem controla, analisa ou avalia risco de crédito, de liquidez e de mercado.
Leve Risco de crédito para dentro da rotina financeira da sua empresa.
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