Falência e Recuperação Judicial são palavras que dificilmente uma empresa quer ouvir. O que muitas não sabem é que há práticas de gestão que podem ser fundamentais para evitar que o negócio se complique ao ponto de chegar em situações delicadas como essas. Uma ferramenta que pode ser uma importante aliada das organizações é o Planejamento Orçamentário.
O consultor e controller Gustavo Guaresi falou sobre o tema durante a edição #13 do Controller Cast. Além de explicar questões jurídicas e práticas numa Recuperação Judicial, Guaresi deu dicas preciosas para que as empresas consigam ter uma gestão mais sustentável. Escute agora mesmo pelo player o nosso podcast que tem o objetivo de tornar o time de controladoria ainda mais estratégico.
Se preferir, também pode acessar nosso canal no Soundcloud. O Controller Cast é um podcast pensado especialmente para profissionais das áreas de Planejamento, Controladoria e Finanças. Nele discutimos temas relacionados com a área, trazendo insights, conteúdos práticos e entrevistas com profissionais que estão fazendo a diferença em suas empresas.Veja também os episódios anteriores:
#07: Controller Cast com Rui Cadete, sócio da Rui Cadete Consultoria, sobre Contabilidade do Futuro;
#08: Controller Cast com Piero Contezini, CEO da AsaaS, sobre Bitcoin, Blockchain e Ethereum;
#09: Controller Cast com Waldir Mafra, gerente de Controladoria da Liga Solidária, sobre Controladoria no Terceiro Setor;
#10: Controller Cast com o autor e controller Clóvis Luís Padoveze sobre Contabilidade Gerencial;
#11: Controller Cast com Alexsandro Lima sobre o processo de Descentralização Orçamentária;
#12: Controller Cast com Wellington Machado sobre mitos e verdades na relação entre o CEO e a Controladoria.
Sobre Gustavo Guaresi

Gustavo Guaresi é fundador da Panorama Gestão de Custos e Resultados, empresa de assessoria com foco em Gestão de Custos e Contabilidade Gerencial. O executivo é formado em Contabilidade e Administração e especialista em Finanças e Controladoria.
Um bate papo sobre Orçamento Empresarial e Recuperação Judicial, com Gustavo Guaresi
Veja o que conversamos:
- Para começar, antes de falar sobre Recuperação Judicial, precisa falar sobre falência? Há uma ligação direta?
- Primeiro, é preciso lembrar que falência não tem objetivo de recuperar o negócio.
- A ligação entre falência e empresas em recuperação, estaria mais relacionada quando há um insucesso de Recuperação Judicial.
- Se o plano proposto para a recuperação de um negócio não for cumprido, ou sequer for aprovado, a empresa será submetida a um processo de falência.
- Segundo, é importante saber que ao se fazer um plano para recuperar uma organização financeiramente, o objetivo é apresentar um plano para os credores, como a sociedade local que traga a credibilidade de volta para a empresa, assim como sustentação para que possa se recuperar, de fato.
- Nessa linha, então, consegue explicar o que significa em termos práticos que uma empresa está passando por um processo de Recuperação Judicial?
- Na prática, uma empresa que busca sair de uma situação de deficiência de recurso financeiro precisa lidar com elevado endividamento e dificuldade de atuação com bancos bons.
- Um dos principais objetivos é buscar recuperação e continuidade do negócio.
- Entretanto, infelizmente, há empresas que usam o recuperação judicial para interesses paralelos. Principalmente depois da Lei nº 11.101, de Recuperação e Falência de Empresas, por causa dos benefícios que chamam atenção dos empresários.
- O processo de recuperação judicial é bastante complexo e demanda exercícios que uma empresa que está chegando ao ponto de Recuperação Judicial não praticava. Coisas simples como planejamento do negócio, projeção de cenários e uso de ferramentas certas.
- Como a empresa entra em recuperação judicial? Qual o procedimento? É um processo muito burocrático?
- Não é muito burocrático, basta o administrador legal do negócio fazer um requerimento, acompanhado por um advogado para fazer a petição inicial.
- A Lei nº 11.101 determina um protocolo que as empresas precisam entregar, numa vara cível normal e buscar auxílio na justiça para uma intervenção no negócio.
- As principais informações englobam questões financeiras, societárias e patrimoniais.
- Gustavo, o que leva uma empresa chegar nesse ponto? Quais os erros mais comuns que você enxerga as empresas cometendo e que levam a um cenário de recuperação judicial?
- Muitos fatores, mas aqui há um ponto de atenção. Algumas acabam pedindo a recuperação judicial de forma prematura, muito por sugestão de consultorias que estão iniciando os trabalhos na área.
- Em geral, a deficiência administrativa-financeiro costuma ser um dos principais motivos de colocar a empresa numa situação difícil.
- Um ponto que agrava é a falta do Planejamento Estratégico do negócio. Empresas sem controles internos e gestão de processos. Isso fragiliza as empresas e deixa elas expostas.
- Tem um dado, Gustavo, que eu queria discutir com você. De acordo com o Indicador Serasa Experian de Falências e Recuperações, os pedidos de Recuperação Judicial diminuíram em 23,8% em 2017, somando 1.420 requisições. Já em 2016 foram registradas 1.863 requisições, o maior volume registrado desde 2006, após a entrada em vigor da Nova Lei de Falências (junho/2005). O mercado influencia muito nas empresas? O cenário econômico do país, por exemplo, é um fator determinante?
- A recuperação já foi mais explorado entre o empresariado, entre 2011 e 2016. Teve uma maturação muito grande do empresariado sobre Recuperação Judicial, por isso tende a reduzir nos próximos anos.
- O fator econômico é determinante. Mas vale ressaltar que isso independe do porte e tamanho da empresa, a dificuldade que tem para um, tem para todos. Por isso o dever de casa está para todos também e o ônus e bônus é o fruto que se colhe.
- O ideal, para passar por esse processo e conseguir voltar ao mercado é construir um plano de recuperação, correto? O que deve constar nesse plano?
- É fundamental e previsto na lei a constituição de um plano.
- O plano tem o objetivo de mostrar que a empresa tem capacidade de se recuperar e tem itens obrigatórios, como justificar que a operação é viável.
- Destaque para definições práticas, como as propostas de pagamentos. Também é importante a previsão de deságio de valores e os prazos de carência para início do pagamento dos débitos.
- Se discute também a participação do administrador judicial.
- Tudo é submetido a uma assembléia e pode ser aprovado ou não. As empresas têm um período para efetuar esse plano e costuma acontecer entre 6 e 12 meses.
- Geralmente, quais áreas são envolvidas durante uma recuperação judicial? Qual o papel da controladoria nesse plano?
- Sem dúvida nenhuma o corpo diretivo da empresa e os departamentos jurídico, de controladoria e de contabilidade.
- Olhando bem para a estrutura da empresa, também precisa considerar o departamento Financeiro. Principalmente porque as empresas que estão em recuperação judicial é por falta, em geral, de controles.
- A equipe do financeiro trabalha muito, especialmente num primeiro momento, quando tem que fazer levantamento dos números, como débitos.
- Outra área importante é a de controladoria que tem a função de trazer informações na velocidade adequada, um quesito muito importante para o processo.
- Destaque para o fato de criar indicadores específicos para o acompanhamento do plano de recuperação.
- O administrador judicial é a ponte entre o juiz do processo e os credores.
- Nós vemos uma forte tendência das empresas a valorizar o caixa e não tratar com mesmo zelo a visão de resultado, você acredita que isso pode ser um ponto?
- Se você não tem performance de gestão, tende a tomar decisões tempestivas e isso não é saudável para negócio nenhum.
- O principal benefício do recuperação judicial é o congelamento de passivos privados, o que gera um fôlego para os negócios. Isso por si só, já deveria promover uma recuperação de caixa.
- Logo, aliar as duas questões: caixa e visão de resultados será fundamental para o êxito do plano de recuperação.
- O que acontece se uma empresa não conseguir um acordo ou não cumprir o plano de recuperação?
- Não conseguir um acordo, significa que a empresa não apresentou um plano equivalente às necessidades de recuperação. Ou seja, não vai haver aceitação e o plano não vai nem existir.
- Num segundo momento, o não cumprimento do plano é mais abrangente. Um ponto importante é que durante o processo, é possível que o planejamento seja modificado.
- Isso pode acarretar em questões mais sérias, como o não pagamento dos débitos.
- Um processo de planejamento e orçamento pode auxiliar a empresa a antecipar e até mesmo prevenir este cenário?
- Sem sombra de dúvidas. A ausência de uma visão de médio e longo prazos conotam o imediatismo, que não tem relação com velocidade, precisão e agilidade.
- Imediatismo e projeções estão em vias opostas.
- A Gestão do Orçamento permite conduzir com eficácia a administração das empresas, evita perca de tempo e desgastes internos.
- O Planejamento Orçamentário traça pontos de foco para o negócio. Direciona e orienta o negócio para um objetivo claro, comum, definido e alcançável.
- Gustavo, para encerramos o nosso papo, qual medida, cuidado ou ações que uma empresa precisa ter desde o começo de sua existência para evitar viver um processo de recuperação judicial?
- Velocidade na tomada de decisões é fundamental para fazer uma administração dar certo ou errado.
- Perda do domínio de processo de gestão, muito cuidado com isso porque a falta de controle gera confusão, gera prejuízo e prejuízo leva à recuperação judicial.
- Ter muito claro a visão de resultados de médio prazo é fundamental para evitar problemas como a recuperação judicial.
- Pensar bem antes de tomar a decisão e avaliar se uma Recuperação Judicial é a melhor saída porque é um desgaste muito grande para o negócio, de imagem.
Não sei se você conseguiu perceber, mas uma palavra bastante repetida pelo Gustavo Guaresi foi velocidade. Como ele mesmo comentou, é preciso agilidade na tomada de decisão, mas é fundamental que isso seja acompanhada de controle. Somente uma gestão com controles e processos terá segurança na hora de prever resultados e evitar problemas maiores, com uma Recuperação Judicial ou Falência.
Um dos destaques do Guaresi foi a importância da empresa fazer um Planejamento Orçamentário. Mas não é tão simples assim. Por isso, se você ainda não tem um Orçamento, nem tem um profissional dedicado à área de Controladoria, temos um Webinar: Orçamento Empresarial na prática que pode te auxiliar nos primeiros passos. No vídeo você aprenderá o passo-a-passo para implantação do Planejamento Financeiro e Acompanhamento Orçamentário em sua empresa. Assista agora mesmo!
Esperamos que você goste da nossa entrevista com o consultor Gustavo Guaresi e consiga tirar boas ideias para sua carreira. Assine nossa newsletter para ficar sabendo dos próximos Controller Cast!
Também publicado em Medium.


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