Controller Cast #10 – Entrevista exclusiva com o autor Clóvis Luís Padoveze sobre Contabilidade Gerencial

Publicado dia 8 de março de 2018

Controller cast sobre Contabilidade GerencialDefensor de uma contabilidade gerencial e de maior proatividade por parte dos contadores, o autor Clóvis Luís Padoveze é referência no Brasil quando o assunto é Contabilidade, Administração e Controladoria. Pensando em trazer um pouco dos conhecimentos do pesquisador, convidamos-o para participar do Controller Cast.

Atuando no mercado há mais de 30 anos, com um currículo acadêmico brilhante e vários livros publicados, conversamos sobre a carreira de controladoria, o cenário brasileiro e processos orçamentários.

No episódio #10 do Controller Cast, você poderá conferir uma entrevista exclusiva com controller Clóvis Luís Padoveze. Destaque na conversa para a contabilidade gerencial, um dos temas mais debatidos por Padoveze.  Escute agora mesmo pelo player o nosso podcast que tem o objetivo de tornar o time de controladoria ainda mais estratégico

Se preferir, também pode acessar nosso canal no Soundcloud. O Controller Cast é um podcast pensado especialmente para profissionais das áreas de Planejamento, Controladoria e Finanças. Nele discutimos temas relacionados com a área, trazendo insights, conteúdos práticos e entrevistas com profissionais que estão fazendo a diferença em suas empresas. Veja também os episódios anteriores, se você perdeu algum é só conferir aqui:

#01: Controller Cast com Marcio Andrade, Controller da ContaAzul, para entender Os desafios da Controladoria em uma empresa de crescimento acelerado;

#02: Controller Cast com Daniela Sousa, Controller de uma holding, sobre sua experiência na Implantação dessa metodologia em um grande grupo de empresas;

#03: Controller Cast com Cícero Ferreira Filho, Sócio da Consultoria Ferreira Filho, sobre Como implantar a metodologia Orçamento Base Zero (OBZ) na prática;

#04: Controller Cast com Suzanne Sampaio, Coordenadora de Controladoria, sobre O desafio de implantar uma área de Controladoria;

#05: Controller Cast com Rafael Martins, Analista de Controladoria, sobre Transição de Carreira do Financeiro para Controladoria;

#06: Controller Cast com Alvaro Soncini, Controller na 99 Taxi, sobre Auditoria e Due Diligence;

#07: Controller Cast com Rui Cadete, sócio da Rui Cadete Consultoria, sobre Contabilidade do Futuro;

#08: Controller Cast com Piero Contezini, CEO da AsaaS, sobre Bitcoin, Blockchain e Ethereum;

#09: Controller Cast com Waldir Mafra, gerente de Controladoria da Liga Solidária, sobre Controladoria no Terceiro Setor.

Sobre Clóvis Luís Padoveze

Controller cast com Clóvis Luís Padoveze sobre Contabilidade Gerencial

Clóvis Luís Padoveze é doutor em Controladoria e Contabilidade, com mestrado em Ciências Contábeis e duas graduações, em Contabilidade e Administração de Empresas. Possui experiência de mais de 30 anos como Controller e Consultor Contábil e Financeiro.

Também atua como palestrante e professor de pós-graduação, além de possuir 15 livros publicados, todos na área de Controladoria, Contabilidade e Administração. Desses, foi premiado com Gerenciamento do Risco Corporativo em Controladoria na categoria Livro de Contabilidade pelo Jornal do Comércio, com o Troféu Cultura Econômica em novembro de 2009. Em 2005 recebeu a Medalha Horácio Berlink da Ordem do Mérito Contábil do Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo.

Um bate papo sobre as percepções e lições de Clóvis Luís Padoveze

Veja o que conversamos:

  • Como implementar uma cultura orçamentária?
    • A cultura orçamentária precisa ser criada a partir da contabilidade. Apesar de que muitos empresários ainda não têm a visão clara do poder e da finalidade da contabilidade.
    • Por isso o primeiro passo é avaliar a estrutura contábil, como centros de custos e planos de contas.
    • A etapa seguinte é estruturar um plano orçamentário, que tem dois fundamentos: os cálculos e promover a cultura orçamentária.
    • “Os cálculos” significa mensurar um plano, ou seja, verificar tudo que se imagina que vai acontecer no próximo ano ou nos 12 meses seguintes.
    • A parte mais difícil é promover a cultura orçamentária junto com os gestores porque muitos não tiveram contato com o Orçamento ou alguns têm dificuldade de entender fundamentos contábeis, como a diferença entre Regime de Caixa com Regime de Competência, como também, a distinção dentre Custo, Despesa e Investimentos.
    • Por isso, também é preciso ensinar os conceitos contábeis indispensáveis e promover treinamento para que todos pensem também no futuro.
  • O ideal é que seja uma evolução natural de carreira do contador virar controller, certo? Por quê?
    • Nos EUA, por exemplo, não tem o nome de controladoria nas disciplinas, nos cursos, mas sim contabilidade gerencial.
    • O controller é a pessoa que consegue, por meio do conhecimento, deixar os dois grandes segmentos da contabilidade ativos na organização: a contabilidade financeira (que tem que atender ativos societários, bolsa de valores e as práticas contábeis) e a contabilidade gerencial (que complementa a primeira com tudo o que é necessário para o processo de tomada de decisão e controle da empresa). É na parte gerencial entra o Orçamento Empresarial.
    • De fato, no Brasil há carência de profissionais e de visão dos contadores dessa evolução.
  • O conceito do contador de duas pernas seria um pouco desse contador controller?
    • O problema é que alguns contadores querem se aprofundar na formação de questões societárias e tributárias e não dão devida atenção para a parte gerencial, que é o Orçamento, Custos, Planejamento etc.
    • Atualmente, o empresário quer um tipo diferente de contador, eficaz na parte regulatória e proativo na parte gerencial.
    • Sem dúvidas, os estudantes devem se preparar para essa tendência.
  • Atualmente, existe formação dentro da universidade, onde o profissional pode ter uma noção básica de controladoria?
    • Os conteúdos programáticos no Brasil todo têm essa abordagem gerencial. Não há culpa das faculdades, dos cursos das universidades.
    • Mas há uma exigência maior no mercado e na sociedade da parte regulatória que faz com que a maioria dos contadores se esqueça do gerencial.
    • A parte de controladoria exige mais conceitos, mais teoria, e não há regras específicas. Por isso, tem que ter uma certa preparação de liderança. Aqui, há certa carência de saber que precisa ser líder, inspirar e ser proativo.
  • Saindo da questão de carreira, o que o senhor acha da controladoria dentro de pequenas e médias e empresas?
    • Não pode confundir função com exercício da função. Independente do porte da empresa, todas têm a necessidade de todas as funções, mas numa empresa menor há o acúmulo de funções.
    • É possível que alguém mais eclético consiga absorver esse acúmulo porque em empreendimentos menores, a complexidade também é menor. Por exemplo, um gestor financeiro exercer função de contabilidade e controladoria.
    • Definitivamente, controladoria é para qualquer empreendimento.
  • Ainda há dificuldade em falar sobre Orçamento nas empresas, independente do porte? Por quê?
    • A explicação está na história.
    • O Brasil tem passado por seguidas crises ao longos dos últimos 50 anos. Em alguns períodos de hiperinflação, por exemplo, não era fácil fazer Orçamento. Empresas maiores faziam o Orçamento em dólar, mas poucos tinham esse conhecimento. Isso inibiu, e muito, o uso de técnicas mais avançadas de controle do Orçamento.
    • Outro fator inibidor de uma contabilidade ativa é que por muito tempo o Brasil foi um país isolado, sem competitividade internacional.
    • Tudo isso impediu que o empresário brasileiro enxergasse com clareza o poder da contabilidade. Mas isso acabou.
  • Falando do Orçamento Empresarial, você defende que existem duas abordagens, a tradicional ou ortodoxa e as novas técnicas. A primeira pergunta que faço é se elas se anulam e qual a principal diferença entre essas abordagens.
    • A abordagem ortodoxa é o Orçamento Clássico e continua válida.
    • As novas técnicas são possibilidades conceituais para otimizar o Orçamento, que é ortodoxo. Ou seja, usando as novas técnicas é possível adicionar, estimular, motivar, provocar maior visão de profundidade do que já existe.
    • Resumindo: a abordagem ortodoxa é o plano orçamentário completo, que cabe em qualquer empresa. Na sequência é definido como conduzir, usando novas técnicas.
    • Por exemplo, Orçamento Base Zero é um conceito para aprofundar a análise das atividades que estão dentro da empresa e fazem parte do processo orçamentário. Orçamento Matricial é uma abordagem para aprofundar o conhecimento dos gastos.
  • Dentre as novas técnicas, existe alguma que mereça destaque ou varia muito de acordo com o estágio de maturidade da gestão da empresa?
    • Há em algum momento a necessidade de maturação gerencial, mas defendo, geralmente, o Orçamento Base Zero e o Matricial.
  • O Orçamento descentralizado é um instrumento para a criação de cultura?
    • Um Orçamento ditatorial não vinga, tem que ser participativo ou colaborativo, tem que haver a participação para ter também o comprometimento dos gestores.
    • Esse tipo de Orçamento dá certa autonomia, mas por outro se exige responsabilidades.
  • O que o senhor acha do uso de softwares, substituindo planilhas?
    • Sugiro tão logo possível sair do Excel e ir para um sistema orçamentário,  preparado, e aproveitar as melhores práticas que o mercado oferece.
    • É um caminho natural. Talvez no primeiro ano, de implantação, a planilha ainda tenha utilidade, a partir daí se recomenda fortemente a utilização de um sistema orçamentário para tornar o processo mais ágil e reprodutível ao longo dos anos.

A conversa com Clóvis Luís Padoveze trouxe discussões ricas sobre como os momentos econômicos e políticos nas últimas quatro décadas influenciaram e ainda influenciam as áreas de Controladoria, Contabilidade e Administração. Algumas provocações para os profissionais de como disseminar a cultura da contabilidade estratégica e, mais, de como buscar conhecimento constante e, por fim, a conscientização também do empresariado com demandas cada vez exigente.

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