
Você sabe quanto a empresa fatura. Mas se alguém da diretoria perguntar qual serviço cresceu mais no semestre, qual cliente sustenta a maior fatia da receita ou quando aquele faturamento de março efetivamente virou caixa, você consegue responder agora, direto do sistema? Na maioria das PMEs, a resposta honesta é não. O número existe no ERP, mas chegar nele exige exportação, planilha e tempo que o operacional não deixa sobrar.
Esta live do canal Treasy na Prática mostra como sair disso. Daniel Salomão, cofundador da Treasy, conecta Omie e Conta Azul ao Treasy e percorre as análises de receita de composição, comportamento histórico, Planejado × Realizado e análise vertical e horizontal, tudo sem linha de código e sem abrir Excel. Assista abaixo e, na sequência, o texto organiza cada camada do que foi demonstrado.
O problema que o faturamento bruto esconde
Quando o relatório do ERP entrega um único número de receita, ele já está respondendo uma pergunta que raramente importa sozinha: "quanto entrou?". O que orienta decisões é saber de onde veio, como se compõe, se cresceu ou encolheu em relação ao período anterior e quando efetivamente vira liquidez.
Três problemas aparecem com frequência nas PMEs que tentam esse aprofundamento sem uma ferramenta adequada:
- A composição não está clara no ERP porque os lançamentos foram feitos sem critério de categoria ou sem data de competência correta.
- Os relatórios do sistema mostram sempre um período fixo e não permitem comparação direta com o histórico.
- A análise por cliente ou por projeto exige exportar dados e montar uma planilha do zero, o que transforma uma consulta rotineira em um projeto de meio dia.
O resultado prático é que o financeiro conhece o total mas não entende a composição, e acaba tomando decisões sobre estratégia de produto ou gestão de carteira com visibilidade parcial.
O pré-requisito que ninguém menciona: qualidade dos lançamentos
Antes de qualquer análise avançada, existe uma condição que a live deixa explícita: os lançamentos no ERP precisam ter três datas preenchidas corretamente.
- Data de competência: quando a receita ou despesa teve o fato gerador, independentemente de pagamento.
- Data de vencimento: quando o valor é esperado para entrar ou sair.
- Data de pagamento: quando efetivamente transitou no caixa.
Esse tripé é o que permite chavear a análise entre resultado (competência) e liquidez (pagamento). Sem ele, os relatórios misturam regimes diferentes e a leitura fica distorcida, especialmente quando há inadimplência ou antecipação de recebíveis. O regime de caixa versus competência não é detalhe contábil: é o que separa uma análise de desempenho de uma análise de disponibilidade de caixa.
Modelagem financeira: o de-para que habilita tudo
O segundo pré-requisito é a modelagem financeira. O ERP tem seu próprio plano de contas, com nomes e categorias que fazem sentido para o processo operacional de registro. O Treasy tem uma estrutura de naturezas e contextos orientada à análise gerencial. A modelagem faz o de-para entre os dois.
Na prática, cada linha do ERP é associada a uma natureza do Treasy. A partir daí, todos os relatórios, indicadores e painéis são calculados automaticamente. Segundo a live, esse trabalho é feito uma única vez e raramente precisa ser refeito, a não ser que o plano de contas do ERP mude. Se você ainda não fez a sua, vale ler sobre modelagem financeira e orçamentária antes de começar.
Composição da receita: quem sustenta o negócio
Com o de-para feito, a primeira análise que a live percorre é a de composição. Em uma empresa fictícia de serviços com três linhas (consultoria financeira, BPO financeiro e CFO as a Service), o painel mostra a participação de cada linha mês a mês, em barras ou em gráfico de rosquinha.
O ponto que chama atenção na demonstração é a concentração: mais de 50% da receita estava em um único serviço, o CFO as a Service. Essa informação passa despercebida quando o relatório entrega só o total. Com a composição visível, surge a pergunta certa: o que acontece com o resultado se esse serviço cair 20% no próximo ano?
A mesma lógica se aplica quando a análise muda do eixo serviço para o eixo cliente. A live mostra a análise de concentração por carteira: se o cliente A responde por uma fatia desproporcional da receita, o risco de churn tem impacto financeiro mensurável. Essa é a análise de receita recorrente que vai além de olhar para o número agregado.
Regime de análise: competência ou caixa, com um clique
Um dos diferenciais demonstrados na live é a troca de regime sem retrabalho. Ao analisar resultado, o analista usa competência. Ao analisar liquidez ou projeção de fluxo de caixa, muda para data de pagamento. No Treasy, isso é uma chave no painel: o mesmo relatório, o mesmo período, dois ângulos diferentes.
Esse detalhe resolve um problema clássico: comparar receita por competência com recebimentos por pagamento é comparar grandezas diferentes. A inadimplência aparece exatamente aí, quando a receita reconhecida em competência não tem correspondência nos pagamentos recebidos. Separar os dois regimes é o que permite diagnosticar se um problema é de resultado ou de caixa.
Análise histórica: você contra você mesmo
Depois da composição, a live avança para a análise comparativa. O Treasy traz lado a lado o realizado do período atual e o histórico do mesmo período no ano anterior. No exemplo, janeiro de 2025 contra janeiro de 2024, em barras e linha sobrepostas.
Esse tipo de comparação tem dois usos diretos:
- Sazonalidade: com dois ou mais anos de dados, o padrão fica evidente. Se a receita sempre sobe nos últimos meses do ano, planejar como se o comportamento fosse linear subestima a necessidade de caixa no primeiro semestre.
- Base para o orçamento: o histórico consistente é o ponto de partida para a projeção de vendas e para o orçamento de vendas. Sem histórico limpo, a premissa orçamentária fica no achismo.
Planejado × Realizado: o termômetro das metas
Com o orçamento de receita cadastrado no Treasy, o painel mostra realizado e planejado lado a lado, na mesma visão. É o acompanhamento Planejado × Realizado aplicado diretamente à linha de receita.
A live demonstra isso com a análise por regime de competência, que é o regime em que o orçamento empresarial é construído. A partir daí, é possível ver o desvio mês a mês, por linha de serviço, e entender se a variação é estrutural ou pontual, sem abrir o ERP.
Análise horizontal e vertical: sem fórmula, sem DAX
Dois recursos que costumam exigir planilha ficaram disponíveis na demonstração com poucos cliques:
Análise horizontal: mostra o crescimento percentual mês a mês. No exemplo, +4% de receita do mês um para o mês dois. Com a troca de granularidade, o mesmo cálculo funciona para comparação ano a ano ou semestre a semestre. É a base para entender tendência e ritmo de crescimento sem montar série histórica manual.
Análise vertical: mostra o quanto cada linha representa do total. Aplicada à DRE, entrega a participação de cada serviço na receita bruta. No exemplo da live, confirma numericamente o que o gráfico de rosquinha já havia sinalizado: concentração em duas linhas de serviço.
Essas análises aparecem automaticamente quando o analista ativa a opção no relatório, sem fórmula, sem aprender DAX, sem exportar para Excel. Se você quer montar a sua DRE antes de conectar o ERP, o modelo de DRE em planilha é um ponto de partida prático.
Como montar um relatório de receita recorrente vs. pontual
A parte mais prática da live é a criação de um relatório personalizado do zero. O exemplo segrega receita recorrente (BPO financeiro + CFO as a Service) de receita pontual (serviços de consultoria avulsa), dois indicadores criados no Treasy em menos de dois minutos, sem código.
O processo segue a mesma lógica de qualquer indicador financeiro personalizado: escolha as naturezas que compõem o indicador, defina a operação (soma, no caso) e publique. O resultado aparece imediatamente em mapa, painel ou formato de relatório com detalhamento até o lançamento original no ERP.
Essa separação tem valor estratégico direto. Receita recorrente é previsível e sustenta o fluxo de caixa operacional. Receita pontual tem volatilidade maior e não deve entrar como base fixa para compromissos de longo prazo. Confundir as duas na análise leva a problemas de fluxo de caixa que aparecem apenas meses depois.
O que fica disponível no plano gratuito
A live faz questão de pontuar o que está acessível sem custo: toda a análise de composição e histórico que foi demonstrada está no plano free do Treasy, desde que o ERP esteja conectado e a modelagem financeira feita. O P×R (realizado versus planejado) exige o módulo de orçamento, disponível a partir do plano Light.
| Tipo de análise | O que responde | Plano mínimo |
|---|---|---|
| Composição por serviço/produto | Quais linhas sustentam a receita | Free |
| Composição por cliente | Concentração e risco de carteira | Free |
| Histórico comparado (ano a ano) | Sazonalidade e tendência | Free |
| Chave competência vs. caixa | Resultado vs. liquidez | Free |
| Planejado × Realizado | Desvio em relação ao orçamento | Light |
| Relatório personalizado (recorrente vs. pontual) | Qualidade e previsibilidade da receita | Light |
| Análise horizontal e vertical | Crescimento e participação sem planilha | Light |
| Detalhar até o lançamento | Rastreabilidade sem acessar o ERP | Light |
Por onde começar
Se o ERP ainda não está conectado ao Treasy, esse é o primeiro passo. Omie e Conta Azul têm integração nativa por chave de API, processo de minutos. Depois, a modelagem financeira define o de-para entre o plano de contas do ERP e as naturezas do Treasy. A live menciona que há um episódio dedicado só a esse processo.
Com a base pronta, a sequência natural é: composição primeiro, histórico na sequência, P×R quando o orçamento estiver cadastrado. Não é necessário implementar tudo de uma vez. O controle financeiro melhora por camadas, e a análise de receita com composição já muda a qualidade das perguntas que chegam para o financeiro na reunião mensal.
Se você quer entender como o orçamento de receita se encaixa nesse ciclo, veja também como elaborar o orçamento de vendas e projeção de receita. E quando a análise mostrar desvios que precisam de explicação, o modelo de FCA é o próximo passo.
Para colocar em prática com os dados do seu ERP, crie sua conta gratuita no Treasy e conecte a sua fonte de dados. A composição da sua receita já está lá esperando para ser lida.
