
Você fecha um projeto, emite a nota, contabiliza a receita e parte para o próximo. No fim do mês, o resultado consolidado fecha bonito. Mas pare e responda: aquele projeto específico deu lucro, ou só pareceu que deu porque outro segurou a conta? E qual deles está corroendo a sua rentabilidade neste exato momento, sem que você perceba? Quando a resposta honesta é "mais ou menos", o que falta não é dado, é estrutura. E estrutura você monta em poucos passos: separa receita e despesa de cada projeto, filtra o DRE por projeto e passa a enxergar a margem de contribuição de um por vez, com nome e sobrenome.
Neste post, você acompanha o passo a passo que Rafael Fragalli, consultor de sucesso do cliente da Treasy, mostra no vídeo abaixo, com os detalhes que ajudam a replicar na sua empresa.
Por que estruturar o orçamento por projeto
Empresas de serviços, consultorias, construtoras e agências costumam misturar as receitas e despesas de todos os projetos num único bloco. O resultado fica correto no consolidado, mas você perde a visão individual: não dá para saber se o Projeto A compensa o prejuízo silencioso do Projeto B.
A gestão de projetos financeiramente saudável pede que cada projeto tenha sua própria linha de receita e sua própria estrutura de custos, para que o acompanhamento orçamentário planejado × realizado aconteça no nível certo de detalhe. Foi exatamente esse o caminho da Vianews, que usou o orçamento para sustentar a rentabilidade enquanto crescia, em vez de descobrir o estrago só depois. É isso que o Treasy viabiliza com canais de distribuição e centros de resultado.
Passo 1: estruture os projetos como canais de distribuição
O primeiro passo é acessar a tela de Receitas e montar a estrutura de canais de distribuição com os seus projetos. No vídeo, Rafael monta dois grupos:
- Projetos em andamento: projetos ativos, que ainda geram receita.
- Projetos finalizados: projetos concluídos, mantidos na estrutura para histórico.
Cada projeto vira um canal dentro desses grupos. O Projeto 2, por exemplo, tem uma receita orçada de R$ 15 mil por mês. Você lança o valor planejado para cada mês do período e salva.
Essa separação permite que você elabore o orçamento de vendas por projeto e acompanhe o realizado sem misturar números de contratos diferentes.
Passo 2: replique a estrutura nas despesas variáveis
O segundo passo espelha a mesma hierarquia na tela de Despesas variáveis. Você cria os mesmos grupos (projetos em andamento e projetos finalizados) como centros de resultado e adiciona cada projeto dentro do grupo correspondente.
No vídeo, o Projeto 2 aparece com uma despesa variável próxima de R$ 20 mil por mês, cobrindo os custos diretos do projeto: mão de obra alocada, subcontratados, insumos específicos ou qualquer despesa que varie com a execução.
Essa estrutura espelhada é o que torna possível calcular a margem de contribuição por projeto. Sem ela, as despesas ficam no bloco geral e você não consegue associar o custo à receita correspondente.
Passo 3: filtre o DRE por projeto
Com receitas e despesas estruturadas, vem o passo mais importante: gerar o DRE filtrado por projeto.
No Treasy, você acessa o demonstrativo de resultados e aplica dois filtros simultâneos:
- Canal de distribuição: seleciona o projeto (ex.: Projeto 2).
- Centro de resultado: seleciona o mesmo projeto na estrutura de despesas.
Salva o filtro e gera o DRE. O resultado mostra:
- Receita bruta de vendas do projeto.
- Deduções aplicadas.
- Despesas variáveis vinculadas.
- Margem de contribuição do projeto.
Se a margem for negativa, o projeto está consumindo mais do que traz, e agora você sabe disso pelo nome. Se for positiva, ele contribui para cobrir as despesas fixas e gerar lucro. Esse é o número que precisa estar na mesa antes de você assinar o próximo contrato parecido, não três meses depois, quando o caixa já avisou.
Análise vertical: quanto cada projeto representa no resultado
Além da margem absoluta, o vídeo menciona a análise vertical como segundo nível de leitura. Com o DRE filtrado por projeto, você vê não apenas os valores em reais, mas o percentual que cada linha representa sobre a receita daquele projeto.
Isso responde perguntas como: - Qual projeto tem a maior margem percentual? - Um projeto com receita alta pode ter margem percentual baixa, sinalizando que os custos crescem mais do que o faturamento. - Um projeto menor pode ser proporcionalmente mais lucrativo do que o principal.
Essa leitura enriquece a análise de indicadores financeiros e ajuda a tomar decisões sobre onde alocar o orçamento de vendas e operação.
Como usar isso no acompanhamento mensal
A estrutura que você monta uma vez serve para o acompanhamento mês a mês. Toda vez que o realizado de um projeto entra no Treasy, via integração com ERP ou lançamento manual, ele já aparece no DRE filtrado com o realizado vs. planejado.
Você identifica os desvios orçamentários por projeto, entende se o custo foi além do previsto ou se a receita ficou abaixo e toma a decisão certa: renegociar o contrato, ajustar o escopo ou revisar o preço do próximo projeto similar.
| Etapa | Onde no Treasy | O que configurar |
|---|---|---|
| 1. Receitas por projeto | Receitas → Canais de distribuição | Grupos: projetos em andamento e finalizados; cada projeto = um canal |
| 2. Despesas por projeto | Despesas variáveis → Centros de resultado | Mesma hierarquia de grupos e projetos; despesas diretas de cada um |
| 3. DRE filtrado | Demonstrativo de Resultados | Filtro simultâneo: canal + centro de resultado do mesmo projeto |
| 4. Margem de contribuição | DRE gerado | Receita bruta − deduções − despesas variáveis do projeto |
| 5. Análise vertical | DRE gerado | Percentual de cada linha sobre a receita do projeto |
Adapte para o seu modelo de negócio
O modelo mostrado no vídeo usa projetos como unidade principal, mas a mesma lógica funciona para outros contextos:
- Agências: cada cliente ou campanha vira um projeto.
- Consultorias: cada contrato ou fase de entrega.
- Construtoras: cada obra ou etapa da obra.
- Empresas de TI: cada produto ou squad.
O ponto central é sempre o mesmo: receita e despesa do mesmo projeto precisam estar vinculadas na estrutura para que o orçamento de projeto seja gerenciável. Sem esse vínculo, o acompanhamento fica limitado ao consolidado, e o controle orçamentário perde efetividade.
Se quiser aprofundar na lucratividade de projetos e na lógica por trás da margem de contribuição por unidade, o post sobre indicador de margem de contribuição detalha cada componente.
Para os que estão começando a planejamento e orçamento de projetos no Treasy, o caminho mais direto é configurar a estrutura já com a separação entre em andamento e finalizados. O guia de planejamento e orçamento de projetos aprofunda a lógica de estruturação de custos e receitas por projeto, com modelos prontos para adaptar. Isso evita retrabalho quando o projeto encerra e mantém o histórico acessível para comparações futuras.
Quando quiser ver o orçamento de cada projeto funcionando com o histórico do seu ERP entrando automaticamente, experimente o Treasy de graça e configure a estrutura de projetos na primeira semana.
![Capa do vídeo: [Treasy Tips] - Como usar o Treasy em Orçamento de Projetos](https://i.ytimg.com/vi/V8TwENFLlvg/hqdefault.jpg)