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Controller: conquiste previsibilidade financeira na empresa

Como um controller transforma a gestão financeira da empresa: papéis, estágios de maturidade e dicas para contratar ou formar esse profissional.

Neste artigo

Grafico de barras com linha de tendencia suave representando a previsibilidade financeira do controller

Quarenta e oito por cento das empresas brasileiras encerram as atividades até o terceiro ano. O Sebrae rastreou o motivo: falta de planejamento e descontrole da gestão. Não é falta de produto, não é falta de cliente. É falta de alguém que organize os números antes que eles se transformem em surpresas ruins.

Esse alguém tem nome: controller. E o webinar abaixo, conduzido pela Treasy, explica em cerca de 40 minutos por que esse profissional é o que separa empresas que crescem de empresas que apenas sobrevivem.

Capa do vídeo: Webinar: Conquiste previsibilidade financeira para sua empresa: tenha um controllerVídeo · YouTube

O papel real do controller (e o que ele não é)

O controller não é o contador da empresa. O contador cuida das obrigações legais. O controller cuida do futuro.

Na prática, ele é quem transita entre a operação e a diretoria sem ficar preso em nenhuma das duas (o e-book Controller: a ponte entre a diretoria e os gestores detalha esse papel com exemplos práticos). Fica fora da pirâmide hierárquica tradicional justamente para ter uma visão completa do desempenho, sem o viés de proteger o próprio departamento. Quando os números mostram que uma área está drenando resultado, é o controller que traz isso para a reunião sem clima de acusação, mas com dados.

As responsabilidades centrais que o webinar elenca são:

  • Elaboração das metas financeiras junto à diretoria, traduzindo o plano estratégico em números concretos para os próximos meses e anos.
  • Projeções de custos, despesas e receitas por área, coletando informações internas e olhando para o que acontece no mercado.
  • Desenvolvimento e acompanhamento de indicadores-chave, aqueles que a diretoria não pode tirar o olho.
  • Relatórios gerenciais periódicos (DRE, DFC, balanço) e pontuais para suportar decisões específicas, como contratar um novo time ou abrir uma filial.
  • Identificação de gargalos e pontos de melhoria, sugerindo ações concretas para áreas de vendas, custo e produção.
  • Análise de viabilidade de investimentos, calculando retorno antes de a empresa comprometer caixa.
  • Implantação e acompanhamento do processo orçamentário, o mais formal e estruturado de todos os papéis.

Um detalhe que o webinar faz questão de marcar: a chegada do controller costuma expor feridas. Contratos com margem negativa, custos escondidos na operação, premissas de venda que nunca foram revisadas. Isso gera algum desconforto. Mas é exatamente esse diagnóstico que abre caminho para o crescimento consciente.

Os estágios de maturidade que a maioria das empresas percorre

O webinar descreve uma trajetória que se repete em muitas empresas, independente do setor. Conhecer esses estágios ajuda a entender em qual deles você está e o que fazer a seguir.

Etapa 1: Foco no caixa imediato. O empreendedor concentra toda a energia na operação. A pergunta do mês é simples: tem dinheiro para pagar as contas? Não há projeção, não há relatório, não há indicadores. A visão vai até 30 dias, na melhor das hipóteses.

Etapa 2: Controles básicos aparecem, mas somem. O dono ou o financeiro começa a montar planilhas, tentar acompanhar as despesas, criar algum controle de caixa. O problema é o acúmulo de funções: a operação engole o tempo e esses controles ficam desatualizados. Quando o empresário vai consultar, a informação está defasada e ele para de usar.

Etapa 3: A dor fica clara. A empresa cresceu, a complexidade aumentou, mas a gestão não acompanhou. Aparecem crises que poderiam ter sido evitadas: rescisão não provisionada, 13º que não foi reservado, empréstimo de urgência no banco. Nessa etapa o empresário já entende o problema, mas ainda tenta resolver por conta própria.

Etapa 4: A controladoria entra. A empresa estrutura a área, o controller assume o processo orçamentário, os gestores passam a ter metas e relatórios de acompanhamento. A visão deixa de ser o retrovisor e passa a ser o horizonte dos próximos meses.

Etapa 5: A área se torna estratégica. Com o processo rodando, o controller começa a sair da operação dos relatórios (que passam a ser automatizados) e volta ao papel estratégico: melhoria contínua, cenários, decisões de investimento.

Estágio Sinal típico Ferramenta dominante Visão de resultado
1: Sobrevivência Saldo do banco é a única métrica Nenhuma (ou caderno) Até 30 dias
2: Primeiros controles Planilhas criadas e abandonadas Planilha desatualizada 2 a 3 meses de caixa
3: Crise revela o problema Empréstimo de urgência Financeiro fazendo tudo Retrovisão
4: Controladoria estruturada DRE, DFC e orçamento rodando Software especialista + controller 12 meses projetados
5: Área estratégica Decisões de investimento baseadas em análise Automatização + cenários Curto, médio e longo prazo

Por que o controller é diferente das alternativas que as empresas tentam antes

O webinar toca num ponto que muitos empresários reconhecem: antes de contratar um controller, a empresa tenta três caminhos que não funcionam.

O primeiro é o dono resolver por conta própria. Boa vontade não falta, mas a operação consome todo o tempo e os relatórios ficam para depois. O segundo é o software sem responsável humano: a ferramenta existe, mas ninguém garante que os dados estão sendo alimentados e analisados com regularidade. O terceiro é colocar o financeiro (responsável pelo contas a pagar) no chapéu da controladoria. O acúmulo de funções faz com que a análise sempre fique em segundo plano.

Um controller dedicado resolve os três problemas de uma vez: tem foco, tem método e tem autonomia para pressionar por informações quando elas não chegam.

Quanto custa e quando vale o investimento

O webinar cita um dado direto: a média salarial de um controller em 2024 ficava entre R$ 8 mil e R$ 12 mil mensais, considerando benefícios. Para empresas nos primeiros anos, pode parecer alto. O ponto que o webinar coloca é: o que custa não ter? Uma rescisão não provisionada, um contrato com margem negativa que ninguém revisou, um investimento feito sem análise de retorno. Esses custos costumam ser muito maiores que o salário do profissional.

Para empresas que ainda não comportam a contratação de um controller sênior, o webinar apresenta uma alternativa: o BPO de controladoria, que terceiriza o processo e entrega relatórios, análises e reuniões mensais com um custo mais compatível com o estágio da empresa.

Se quiser entender mais sobre essa modelagem, o post sobre BPO de controladoria na prática detalha como funciona e o que esperar do serviço.

Cinco dicas práticas para preparar o terreno antes de contratar

O webinar encerra com orientações concretas para quem quer avançar. Vale registrar as cinco principais:

1. Comece pelos dados mais importantes, não por todos. Se você quer entender a performance dos produtos, comece pela margem de contribuição por família de produto, não por cada SKU individual. Simplificar o ponto de partida é o que garante que o hábito se sustenta.

2. Crie indicadores-chave, não uma lista interminável. Escolha os indicadores mais críticos para o seu modelo de negócio, defina metas claras para cada um e os acompanhe com regularidade. Indicadores demais paralisam; indicadores certos orientam.

3. Registre os lançamentos desde o primeiro dia. Custo, despesa, receita: tudo precisa estar registrado no sistema ou na planilha com a categoria correta. Corrigir a bagunça do passado é muito mais caro do que manter a ordem desde o início.

4. Olhe para resultado, não só para caixa. Empresa que olha só para o saldo bancário pode parecer saudável e estar deteriorando a margem sem perceber. O DRE projetado e o fluxo de caixa projetado juntos dão uma visão completa que o extrato bancário sozinho nunca vai dar.

5. Envolva os gestores desde cedo. A gestão orçamentária colaborativa faz com que cada área se sinta responsável pelo próprio resultado. Isso cria uma cultura orcamentária que o controller sozinho nunca consegue instalar por decreto.

O que muda na empresa quando o controller entra

O caso que o webinar menciona: após implantar a controladoria, uma empresa identificou contratos antigos com margens negativas. Depois de renegociar e fazer os ajustes, alguns contratos tiveram a margem melhorada em 70%.

Esse tipo de descoberta não vem do acaso. Vem de alguém que olha para os números com método, compara o planejado com o realizado, investiga os desvios orçamentários e leva para a diretoria não só o problema, mas o plano de ação.

É o que separa uma empresa que apenas tem dados de uma empresa que usa os dados para decidir melhor.

Como dar o próximo passo

Se você está nos estágios iniciais, o caminho começa antes do controller: organize os lançamentos, separe as contas pessoais das contas da empresa (um erro que o post sobre como separar despesas pessoais aborda em detalhe) e crie pelo menos um relatório de resultado mensal.

Se você já tem algum controle rodando e quer dar o próximo salto, o webinar recomenda começar o processo orçamentário antes de contratar. Ter o terreno preparado faz com que o controller entre e produza resultados muito mais rápido.

Para entender o que é exatamente uma área de planejamento e controladoria e quais são as principais atribuições do profissional, o post sobre o que faz a área de planejamento e controladoria é um bom ponto de partida. Já se o objetivo é estruturar a área do zero, o guia sobre como implantar uma área de controladoria detalha os primeiros passos.

Quando a gestão estiver organizada e você quiser colocar o orçamento para rodar com o histórico do seu ERP integrado automaticamente, experimente o Treasy de graça e veja o processo orçamentário sair do papel de vez.

Perguntas frequentes

O que é um controller e qual a diferença em relação ao contador?
O contador cuida das obrigações legais e fiscais da empresa. O controller cuida do futuro: elabora projeções, analisa o desempenho financeiro, identifica gargalos e lidera o processo orçamentário. São papéis complementares, não substitutos.
Qual é o papel do controller dentro da hierarquia da empresa?
O controller fica fora da pirâmide hierárquica tradicional para ter visão completa do desempenho sem o viés de defender um departamento. Ele transita entre gestores e diretoria, funcionando como um elo neutro entre a operação e a estratégia.
Quais são as principais responsabilidades de um controller?
Elaborar metas financeiras com a diretoria, fazer projeções de receitas e despesas por área, desenvolver e acompanhar indicadores-chave, produzir relatórios gerenciais (DRE, DFC, balanço), identificar gargalos, analisar viabilidade de investimentos e conduzir o processo orçamentário.
Por que a chegada do controller causa desconforto em algumas empresas?
O controller costuma expor problemas que estavam ocultos: contratos com margem negativa, custos não monitorados, premissas desatualizadas. Esse diagnóstico gera desconforto, mas é exatamente ele que abre caminho para o crescimento sustentável.
Quais são os estágios de maturidade financeira que as empresas percorrem?
São cinco estágios: (1) foco exclusivo no saldo de caixa, (2) primeiros controles que não se sustentam, (3) crise que revela a falta de planejamento, (4) controladoria estruturada com orçamento rodando, (5) área estratégica com análises automatizadas e visão de longo prazo.
Quando a empresa mais sente falta de um controller?
O momento mais crítico é quando a empresa começa a crescer e a complexidade da gestão aumenta proporcionalmente. Rescisões não provisionadas, 13º não reservado e empréstimos de urgência são sinais de que a empresa já deveria ter estruturado a controladoria.
Por que contratar só um software de gestão financeira não resolve?
O software precisa de alguém que garanta que os dados estão sendo alimentados corretamente e analisados com regularidade. Sem um responsável humano pelo processo, a ferramenta cai em desuso e os problemas continuam.
Por que sobrecarregar o financeiro com funções de controladoria não funciona?
O profissional que cuida do contas a pagar e contas a receber já tem demandas operacionais que consomem todo o tempo. A análise financeira, que exige foco e continuidade, sempre fica para depois e nunca recebe a atenção necessária.
Quanto custa contratar um controller?
A média salarial de um controller em 2024 ficava entre R$ 8 mil e R$ 12 mil mensais, incluindo benefícios. Para empresas menores, o BPO de controladoria é uma alternativa que terceiriza o processo com custo mais compatível com o estágio da empresa.
O que é BPO de controladoria e quando faz sentido?
É a terceirização da área de controladoria para uma consultoria especializada. A empresa recebe relatórios, análises e reuniões mensais de resultado sem precisar contratar um controller em regime CLT. Faz sentido para empresas que precisam do processo mas ainda não comportam o investimento em um profissional dedicado.
Como preparar a empresa antes de contratar um controller?
Organize os lançamentos com categorias corretas, separe as finanças pessoais das finanças da empresa, crie pelo menos um relatório de resultado mensal e defina os indicadores mais críticos do seu negócio. Ter o terreno preparado acelera muito os resultados após a contratação.
Por que é importante olhar para resultado e não só para o caixa?
Uma empresa pode ter caixa positivo e estar deteriorando a margem sem perceber. O DRE projetado e o fluxo de caixa projetado juntos mostram a saúde real do negócio. Olhar só para o saldo bancário é como dirigir olhando só pelo retrovisor.
Como envolver os gestores no processo financeiro?
O controller deve apresentar as metas e os relatórios de cada área diretamente aos gestores responsáveis. Quando cada gestor entende os números do próprio departamento e tem metas claras, cria-se um senso de responsabilidade que a diretoria sozinha não consegue instalar.
Que resultado concreto a empresa pode esperar após implantar a controladoria?
Um exemplo citado no webinar: ao revisar contratos antigos, uma empresa identificou margens negativas que comprometiam 50% do resultado. Após renegociações orientadas pelo controller, alguns contratos tiveram aumento de 130% na margem.
Como a tecnologia ajuda o controller a ser mais estratégico?
Quando os relatórios são automatizados por um software especialista, o controller deixa de passar horas montando planilhas e passa a focar em analisar e agir. A tecnologia retira o controller da operação dos relatórios para que ele volte ao papel estratégico que realmente agrega valor.
Existe um momento ideal para iniciar o processo orçamentário?
Sim, mas o webinar é claro: o ideal é antes do crescimento, não depois da crise. Empresas que iniciam o processo orçamentário cedo passam pelos estágios de maturidade de forma muito menos dolorosa e com muito mais velocidade.

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