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Criar ambiente de planejamento orçamentário: passo a passo

Como criar seu ambiente de planejamento orçamentário: regime de competência x caixa, premissas, metodologias e configuração prática. Aula 02 do curso da

Neste artigo

Passo a passo para criar o ambiente de planejamento orçamentário

Você abre a planilha, digita o primeiro número e segue em frente. Parece o início do orçamento, mas é o início do retrabalho. Antes de qualquer número entrar em qualquer planilha ou sistema, duas coisas precisam estar resolvidas na sua cabeça: de onde vem esse número e qual régua mede ele. Sem isso, o orçamento nasce com os pés tortos, e você passa o ano inteiro consertando projeções que foram concebidas com bases diferentes. Acertar isso agora é a diferença entre um orçamento que você confia e um que você refaz toda revisão.

A Aula 02 do Curso Completo de Planejamento Orçamentário da Treasy enfrenta exatamente esse ponto. Ela cria o ambiente de trabalho, alinha os conceitos que sustentam tudo o que vem depois e mostra como configurar o plano orçamentário na prática. Assista ao vídeo completo e use este guia para fixar cada etapa.

Capa do vídeo: Aula 02 - Criando seu Ambiente de PlanejamentoVídeo · YouTube

Duas óticas para enxergar o mesmo número

O primeiro conceito que a aula alinha é fundamental: o orçamento precisa entregar duas visões complementares do desempenho da empresa, e elas funcionam com regras diferentes.

Regime de competência: o registro acontece na data em que o evento ocorreu, independente de quando o dinheiro vai entrar ou sair. Uma venda fechada hoje de R$ 60.000 parcelada em seis vezes entra toda no mês da venda. É essa ótica que alimenta o demonstrativo de resultados (DRE) projetado.

Regime de caixa: o registro acontece na data do pagamento ou recebimento efetivo. A mesma venda de R$ 60.000 entra R$ 10.000 por mês, durante seis meses. É essa ótica que alimenta a projeção de fluxo de caixa.

As duas visões não são rivais: são complementares. Você precisa do DRE para entender resultado e tomar decisão estratégica. Você precisa do fluxo de caixa para garantir que a empresa tem fôlego para executar. Quem trabalha só com uma delas enxerga metade do jogo, e entender a diferença entre regime de caixa e regime de competência é o ponto de largada do orçamento.

Premissas: as regras do jogo antes de qualquer projeção

Com as óticas claras, a aula avança para o segundo bloco: as premissas orçamentárias. São elas que norteiam todas as projeções que virão.

Pense nas premissas como as regras do jogo: aquilo que a empresa não abre mão durante o processo de planejamento. Elas precisam ser levantadas junto aos decisores, documentadas em um quadro formal e comunicadas a todos os gestores que vão participar do processo, especialmente em um orçamento descentralizado.

Se a empresa tem um planejamento estratégico formal, as premissas saem diretamente dele: análise de cenário macro, situação interna atual e objetivos estratégicos já mapeados. Se não tem, algumas perguntas práticas ajudam a chegar lá:

  • Quanto a empresa espera vender? Qual é a meta de crescimento mês a mês?
  • Vai haver mudança no quadro de pessoal durante o exercício?
  • Qual é a política de prazos médios de pagamento e recebimento?
  • Qual é o resultado esperado no final do ano?

Essa última pergunta é a mais importante. Mais do que saber quanto vai vender ou quanto vai gastar, você precisa saber o resultado que a empresa quer alcançar. Planejar sem essa resposta é como entrar num voo sem saber o destino.

Premissas internas e externas

O quadro de premissas separa dois tipos de variáveis:

Internas e gerenciáveis: meta de vendas por unidade, capacidade máxima de produção, teto de horas extras. São números que dependem de decisão interna.

Externas ou não gerenciáveis: preço de matéria-prima, cotação do dólar, inflação setorial. Você não controla, mas precisa monitorar. A saída é trabalhar com simulação de cenários para preparar a empresa para variações nessas variáveis.

Uma vez aprovadas pela diretoria, as premissas viram verdade dentro do processo. Sempre que surgir dúvida durante o planejamento, o quadro de premissas é o primeiro lugar a conferir.

Qual metodologia usar?

Com premissas documentadas, a próxima decisão é a metodologia. Existem dezenas de abordagens possíveis: orçamento base zero (OBZ), orçamento base histórico, orçamento estático, flexível, orçamento contínuo, matricial e outras. Cada uma tem vantagens, limitações e se adequa melhor a determinado estágio de maturidade.

A aula foca nas duas mais indicadas para quem está construindo o primeiro orçamento:

Orçamento base zero: todas as projeções partem do zero, sem tomar como pressuposto o que aconteceu antes. É mais trabalhoso porque exige reflexão sobre cada conta, mas é justamente esse trabalho que revela a gordura histórica que ninguém mais questionava e a oportunidade de venda que tinha sumido do radar. Indicado para o primeiro ciclo porque obriga a empresa a justificar cada número, em vez de carregar o do ano passado por inércia.

Orçamento base histórico: utiliza o que já foi realizado como ponto de partida para calibrar as projeções futuras. Se a empresa já opera há alguns anos com dados consistentes, abrir mão desse histórico é desperdício de informação.

A boa notícia é que as ferramentas, o quadro de premissas e o próprio processo que você vai aprender no curso funcionam com qualquer uma dessas metodologias. A escolha da metodologia não muda a estrutura de trabalho.

Criando o plano orçamentário na prática

A segunda metade da aula é mão na massa: ela mostra como configurar o ambiente de planejamento no Treasy passo a passo, mas os conceitos valem para qualquer ferramenta, incluindo planilha.

O plano orçamentário

Tudo no Treasy vive dentro de um plano. Ao criar um, você define:

  1. Nome do plano: identifica o exercício (ex.: "Orçamento Anual 2025").
  2. Métrica mais importante (OMTM): o indicador que vai acompanhar o trabalho o tempo todo. A aula sugere o EBITDA como ponto de partida para quem ainda não tem clareza sobre qual usar. Você coloca a meta de EBITDA e o sistema passa a mostrar o quanto as projeções se aproximam ou se distanciam desse número.
  3. Horizonte orçamentário: o período que vai ser orçado. O padrão é janeiro a dezembro, 12 meses.

O fluxo de trabalho do orçamento

O plano passa por três status ao longo do ciclo:

  • Definições estratégicas: a controladoria está levantando premissas, definindo participantes e estruturando o orçamento.
  • Em planejamento: os gestores entram e preenchem as projeções das suas áreas, no caso de um orçamento descentralizado.
  • Em acompanhamento: o planejado é bloqueado e começa a comparação mensal com o realizado. Os gestores passam a justificar os desvios orçamentários.

O que você encontra dentro do plano

A tela principal do plano traz, em um só lugar:

  • O DRE resumido com as principais linhas do orçamento
  • A decomposição do OMTM por peça orçamentária (receita, deduções, custos, despesas)
  • A evolução gráfica do indicador principal mês a mês
  • A comparação planejado versus histórico (e depois planejado versus realizado)

O menu de planejamento organiza as peças orçamentárias na mesma sequência do DRE: receitas, deduções, matérias-primas e custos variáveis, gastos com pessoal, despesas, até chegar a investimentos. Ao final, o sistema gera automaticamente o DRE projetado e a projeção de fluxo de caixa, sem parametrização adicional.

Comparativo das metodologias para o primeiro orçamento

Critério Base Zero (OBZ) Base Histórico
Ponto de partida Zero (sem referência anterior) Resultados dos anos anteriores
Esforço de elaboração Alto (exige reflexão em cada conta) Moderado (ajusta sobre o histórico)
Mais indicado para Primeiro orçamento, revisão de estrutura Empresas com histórico consistente
Risco principal Processo mais lento, exige mais gestores Perpetuar gorduras do passado
Benefício direto Elimina pressuspostos; identifica oportunidades Aumenta acuracidade das projeções
Compatível com o Treasy? Sim Sim

O que vem depois

Com o ambiente configurado, as premissas documentadas e a metodologia escolhida, a empresa está pronta para iniciar as projeções. A Aula 03 do curso avança para a projeção de receita, a primeira peça orçamentária e a que condiciona todas as demais.

Antes de chegar lá, vale garantir que o quadro de premissas está aprovado pela diretoria e que todos os participantes do processo entenderam as regras do jogo. Orçamento descentralizado funciona quando todos olham para as mesmas balizas, e isso começa na etapa que esta aula cobre. Não é teoria: a Senior Noroeste Paulista saiu de duas semanas para dois dias no fechamento orçamentário depois que o ambiente e as balizas ficaram montados de uma vez só, e não improvisados a cada mês.

Se quiser partir de um modelo pronto para organizar as premissas e dar os primeiros passos em planilha, há um modelo de planilha de orçamento empresarial disponível para download. E quando chegar a hora de acompanhar planejado versus realizado todo mês com os dados do seu ERP entrando automaticamente, experimente o Treasy de graça e veja o ambiente de planejamento funcionando com os números da sua empresa.

Perguntas frequentes

O que é regime de competência no orçamento?
É a ótica em que cada receita ou despesa é registrada na data em que o evento aconteceu, independente de quando o dinheiro entra ou sai. Uma venda parcelada em 6 meses aparece toda no mês da venda no DRE projetado.
Qual a diferença entre regime de competência e regime de caixa no planejamento?
No regime de competência, o registro segue a data do fato gerador (venda, compra, contrato). No regime de caixa, segue a data do pagamento ou recebimento. As duas óticas são complementares: uma alimenta o DRE e a outra a projeção de fluxo de caixa.
O que são premissas orçamentárias?
São as regras do jogo do orçamento: os balizadores que definem o que a empresa não abre mão durante o planejamento. Elas saem do planejamento estratégico ou de perguntas-chave sobre metas de vendas, pessoal, prazos e resultado esperado.
Por que as premissas precisam ser documentadas?
Porque sem documentação elas ficam na cabeça de cada um e o processo perde consistência. Com o quadro de premissas aprovado pela diretoria, todos os gestores partem das mesmas bases e os desvios futuros ficam mais fáceis de explicar.
Qual a diferença entre premissas internas e externas?
Premissas internas são variáveis que a empresa controla, como meta de vendas, horas extras máximas e capacidade de produção. Externas são variáveis de mercado que a empresa não controla, como câmbio e preço de matéria-prima, mas que precisam ser monitoradas e incorporadas nos cenários.
O que é orçamento base zero (OBZ)?
É a metodologia em que todas as projeções partem do zero, sem tomar o histórico como ponto de partida. Exige mais esforço e envolvimento dos gestores, mas elimina gorduras orçamentárias acumuladas e força uma reflexão sobre cada linha da empresa.
Quando usar orçamento base histórico em vez de base zero?
Quando a empresa já tem alguns anos de operação e dados consistentes. O histórico aumenta a acuracidade das projeções porque dá uma referência real para calibrar cada número. Não faz sentido ignorá-lo quando ele existe e é confiável.
O que é OMTM no contexto do orçamento?
OMTM (One Metric That Matters, ou 'a métrica mais importante') é o indicador principal que vai acompanhar todo o processo orçamentário. A aula recomenda o EBITDA para quem ainda está escolhendo. A meta desse indicador aparece em destaque o tempo todo e ajuda a entender se o planejamento está no caminho certo.
Qual é o horizonte orçamentário mais indicado?
Para a maioria das empresas, 12 meses (janeiro a dezembro). Se for o primeiro orçamento e houver dúvida, esse é o período padrão. Empresas mais maduras podem trabalhar com rolling forecast, mantendo sempre 12 meses à frente.
Quais são as fases do fluxo de trabalho (workflow) do orçamento?
São três: Definições estratégicas (levantamento de premissas, definição de participantes), Em planejamento (gestores preenchem as projeções das suas áreas) e Em acompanhamento (o planejado é bloqueado e a comparação mensal com o realizado começa).
Posso usar qualquer metodologia com o Treasy?
Sim. O Treasy suporta base zero, base histórico e outras metodologias. A ferramenta não impõe a metodologia; ela estrutura o processo independente de qual abordagem você escolheu.
O que acontece quando o orçamento entra em acompanhamento?
O planejado é bloqueado e os valores realizados passam a entrar, geralmente vindos do ERP ou da contabilidade. Os gestores acessam o sistema para justificar os desvios entre o que foi planejado e o que aconteceu de fato.
O que o Treasy gera automaticamente após a configuração do plano?
Com base nas projeções inseridas em cada módulo (receitas, deduções, custos, despesas, investimentos), o Treasy monta automaticamente o DRE projetado e a projeção de fluxo de caixa, sem parametrização adicional.
Preciso de planejamento estratégico formal para definir as premissas?
Não. Se a empresa tiver, é mais fácil porque as premissas saem direto do estratégico. Mas sem ele, perguntas práticas sobre metas de vendas, crescimento esperado, quadro de pessoal e resultado desejado já são suficientes para montar um quadro de premissas funcional.
Posso exportar os dados do Treasy para continuar em planilha?
Sim. O Treasy permite exportar todas as informações para Excel ao final do processo. Isso significa que você pode usar o sistema durante o curso e continuar na ferramenta de sua preferência sem perder nada do trabalho realizado.
Como a projeção de receita se relaciona com as demais peças orçamentárias?
A receita é a primeira peça e a que condiciona todas as outras: deduções, custos variáveis, investimentos em maquinário ou pessoal e até despesas fixas dependem do volume de vendas projetado. Por isso o orçamento começa sempre pelas receitas.

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