Insumos e matéria-prima não são a mesma coisa. Entenda!

Publicado dia 16 de junho de 2013

Madeira, tinta, furadeira, parafusadeira, trena, parafusos, porcas, dobradiças, martelo e serra. Esses são alguns dos materiais que uma marcenaria precisa ter para conseguir fabricar os móveis. Embora os itens variem para cada finalidade, todos são essenciais para o negócio. E, por isso mesmo, são considerados matérias-primas do trabalho. Ou seriam insumos? Mas, espera aí, não é tudo a mesma coisa?

Insumos e matéria-prima

A resposta é não. Por mais que os dois conceitos ainda sejam utilizados muitas vezes como sinônimos, a verdade é que suas definições são diferentes e têm impacto também diferente no dia a dia corporativo, principalmente quando o assunto é o orçamento.

Assim, entender o que é e as diferenças entre insumos e matéria-prima é fundamental para que nenhum detalhe passe despercebido na gestão e traga problemas sérios ao negócio. Ficou curioso? Então, continue com a gente e entenda em detalhes cada termo e sua importância para a administração da sua empresa!

O que é matéria-prima?

Vamos começar explicando o significado de matéria-prima. De maneira resumida, podemos entendê-la como todo o material que está agregado no produto e que é empregado na sua fabricação, tornando-se parte dele. Em outras palavras, são, por exemplo, os componentes de um celular ou os ingredientes de um prato em um restaurante.

Existem três tipos de matéria-prima: vegetal, animal e mineral. Elas podem ser utilizadas no estado natural ou transformadas, quando são processadas por outra indústria e dão origem a um material semimanufaturado.

Um exemplo de matéria-prima é o algodão, que é colhido a partir de plantas. O algodão pode ser transformado em fio (também considerado uma matéria-prima), que pode ser transformado em tecido, um material semi-acabado. O algodão é então utilizado como matéria-prima em muitas outras indústrias para fabricar produtos acabados.

No caso da marcenaria, os exemplos de matérias-primas dos móveis fabricados são as madeiras, as porcas, os parafusos, as dobradiças e qualquer outro item que seja incorporado ao produto, fazendo parte dele e dando origem a algo acabado.

Veja: todos eles são transformados. A madeira, por mais próxima que esteja do seu estado natural, também é processada. Isso porque ela precisa ser serrada, cortada em tábuas, tratada, envernizada, enfim, deve passar por todas as etapas anteriores ao uso propriamente dito.

Em relação aos tipos de matérias-primas, a madeira é, obviamente, vegetal, enquanto porcas, parafusos e dobradiças são originados dos minérios utilizados para formar ligas metálicas.

O que é insumo?

Como significado de insumo, podemos afirmar que trata-se de todo e qualquer tipo de material utilizado na prestação de um serviço ou na produção de um determinado tipo de produto, mas que não necessariamente faça parte dele.

Existem três tipos de insumos: naturais, do trabalho e capital. Isso inclui ferramentas, energia, mão de obra, água, máquinas, a própria matéria-prima e tudo o que servir para gerar, no fim, o produto acabado.

Na indústria têxtil, por exemplo, para se confeccionar camisetas, utiliza-se a matéria-prima algodão. Então, todos os outros materiais e equipamentos podem ser considerados insumos, tais como a máquina de tecer, a água que lavou as camisetas, os produtos amaciantes, a máquina que colheu o algodão e todos os demais elementos que fizeram parte da elaboração do produto acabado.

No caso da marcenaria, podemos colocar como exemplos de insumos a trena, a parafusadeira, a furadeira e o martelo. Tudo faz parte do conjunto de materiais que são utilizados para fabricar os móveis.

Mas aqui há um detalhe importante. Não é todo material utilizado dentro de uma empresa que pode ser considerado insumo. Os materiais de escritório, por exemplo, não fazem parte dessa classificação. A razão é simples: eles não são aproveitados na fabricação dos produtos. E o mesmo vale para a alimentação dos funcionários ou para as peças publicitárias da marca.

Insumos na prestação de serviços

A prestação de serviços também necessita de insumos. E eles são parecidos com os da fabricação de produtos. Vamos pensar, por exemplo, no trabalho de manutenção de computadores.

O trabalho do profissional já pode ser considerado como insumo. Do mesmo modo, a energia que ele utiliza, as ferramentas e as peças de um computador que precisam ser trocadas.

Insumo ou matéria-prima: a importância de diferenciar os conceitos

Tipos de insumo

Ficou clara a diferença entre a definição de insumo e a definição de matéria-prima? Lembre-se que saber disso não é um mero detalhe. Pelo contrário, faz toda a diferença na administração do negócio, principalmente quando chega a hora de montar o orçamento empresarial.

Como já vimos aqui no blog, o orçamento empresarial é o documento pelo qual as empresas fazem previsões de receitas e despesas de um determinado período. Dessa forma, os profissionais podem direcionar melhor os recursos, definir prioridades nos investimentos e traçar metas e objetivos.

Bom, se o orçamento inclui a previsão de despesas, entram nessa conta os insumos e as matérias-primas utilizadas na fabricação de um produto. Até porque eles representam os gastos mais importantes de uma empresa.

Sendo assim, saber distinguir esses dois conceitos é fundamental para que os profissionais responsáveis pelo orçamento possam ter uma visão mais analítica dos números, separando de maneira correta quais grupos representam um maior percentual e precisam de ajustes ou identificando aqueles que poderiam receber investimentos. Dessa forma, podem tomar decisões mais estratégicas em relação aos recursos que têm disponíveis.

Imagine uma empresa que não faz essa distinção. Nas previsões, coloca tudo como custos produtivos, incluindo aí, no caso da marcenaria, por exemplo, a madeira, as ferramentas, os parafusos, enfim, tudo o que citamos anteriormente.

O problema chega na hora de fazer a revisão do orçamento. Como analisar de maneira correta os números sem conseguir visualizá-los detalhadamente? Não tem como saber o quanto a matéria-prima pesa em tudo isso. Então, qualquer interpretação feita com essa base de dados pode ser ilusória. Um gasto muito elevado com matéria-prima pode estar escondido em meio aos números gerais, impedindo, desse modo, uma atitude rápida e efetiva para solucionar a questão.

Isso pode atrapalhar até mesmo na hora de conseguir um investimento, porque bancos e investidores exigem conhecer diversos dados das empresas, entre eles um detalhamento de gastos com insumos e matérias-primas. Afinal, é uma forma de verificar a saúde financeira do negócio.

Então, na hora que o investidor perguntar o quanto a empresa gasta com insumos e tiver como resposta um dado abrangente e genérico, haverá, primeiro, uma arranhão na imagem, mostrando uma falha na gestão. E, depois, a visão sobre importantes detalhes será prejudicada.

Quer dizer, se o orçamento inclui essas e outras importantes variáveis, conhecê-las é essencial para qualquer negócio. E nós podemos ajudar você nessa missão com o Guia Prático do Orçamento Empresarial. No material, explicamos como funciona esse documento e apresentamos um passo a passo para a implantação do planejamento financeiro e do acompanhamento orçamentário em sua empresa. Clique no banner abaixo e faça o download gratuitamente!

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O que insumo e matéria-prima têm a ver com crédito de PIS e Cofins?

Há ainda outra questão bem importante que precisa ser considerada quando falamos sobre matéria-prima e insumo, que é o regime não cumulativo do PIS (Programa de Integração Social) e da Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social). Nesse modelo, as empresas do lucro real podem ter abatimento desses impostos por meio de créditos obtidos em algumas operações, entre elas a aquisição de insumos.

Portanto, saber classificar os materiais que são utilizados na produção ajuda até mesmo na parte tributária, permitindo que a empresa consiga reduzir o impacto dos impostos em seu caixa. No entanto, apenas isso não é suficiente para que um negócio tenha uma relação sustentável e saudável com as obrigações tributárias. É necessário planejamento e pensamento estratégico nesse momento, além, claro, de muito conhecimento na área.

Sabendo disso, temos mais uma dica: o e-book Planejamento Tributário. Nele, mostramos como planejar e reduzir os custos tributários da sua empresa, mostrando que tudo começa com a visão holística do planejamento estratégico, tático e operacional, passa pelo orçamento financeiro e pelo planejamento tributário e termina com a conexão de todos esses pontos. Clique na imagem a seguir e baixe o material agora mesmo:

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Concluindo

A distinção entre insumo e matéria-prima mostra que nenhum detalhe deve ser deixado de lado na gestão empresarial. Como vimos, ignorar as diferenças nesses conceitos pode trazer problemas sérios ao negócio. Então, se você ainda não tem essas categorias no orçamento, comece agora mesmo!

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Este tópico contém resposta, possui 1 voz e foi atualizado pela última vez por  Gilles B. de Paula 6 anos, 3 meses atrás.

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