O resultado do mês fechou positivo, e ainda assim a empresa tinha encolhido.
Estava numa reunião de fechamento e o número na tela era confortável. Lucro na casa de um quinto da receita. Todo mundo relaxou.
Aí eu fiz a conta que ninguém tinha feito. Comparado ao mesmo período do ano anterior, o resultado tinha crescido menos do que a inflação acumulada.
Em dinheiro, cresceu. Em poder de compra, perdeu.
Essa é uma das armadilhas mais silenciosas da gestão financeira. Lucro nominal positivo dá sensação de avanço, e sensação de avanço adia decisão.
A régua correta não é "eu cresci?". É "eu cresci mais do que a corrosão do período?".
Um resultado que sobe 3% num ano de inflação de 5% não é crescimento modesto. É queda disfarçada de vitória.
E a conversa muda completamente quando você aceita isso.
A pauta daquela reunião deixou de ser corte de despesa, que já estava razoavelmente enxuta, e virou receita. Relevância da oferta, mix de serviços, inteligência comercial.
Porque quando a margem está estagnada e a estrutura já está apertada, o próximo ganho não vem de gastar menos. Vem de vender melhor.
Corrigir o resultado por um índice do período leva dois minutos e muda o tom da reunião inteira.
Você acompanha o seu resultado em valor nominal, ou já compara com algum índice de correção do período?
#Controladoria #FPeA #GestãoFinanceira
Publicado originalmente no LinkedIn em 21 de agosto de 2026. Ver o post original
