Antecipar recebível de cartão todo mês é um empréstimo que você contrata sem perceber que contratou.
Não tem contrato para assinar. Não tem parcela para lembrar. A taxa simplesmente sai do valor que cai na conta, e você segue tocando o mês.
Estava com uma empresa que vive assim há anos. Quando somamos o custo dessa antecipação ao longo do tempo, o número incomodou todo mundo na sala.
A reação natural veio na hora: então a gente para de antecipar no mês que vem.
Essa é exatamente a decisão que quebra o caixa.
Se a empresa depende do dinheiro adiantado para pagar a operação, cortar de uma vez abre um buraco imediato do tamanho de um ciclo inteiro de recebimento.
O que montamos foi uma saída em degraus.
Todo mês, uma reserva equivalente a cerca de 10% do valor transacionado em cartão fica separada e não é usada. Essa reserva vai ocupando, aos poucos, o espaço que a antecipação ocupava.
Em torno de dez meses, o próprio caixa financia o que a antecipação financiava.
É o mesmo princípio de trocar uma dívida cara por capital de giro próprio, só que construído mês a mês, em vez de contratado de uma vez.
Sair de um vício de liquidez é projeto, não decisão. Precisa de percentual definido, data-alvo e acompanhamento mensal, senão vira intenção.
Você já calculou quanto custa, em um ano inteiro, a antecipação que a sua empresa faz todo mês?
#FluxoDeCaixa #CapitalDeGiro #Controladoria
Publicado originalmente no LinkedIn em 25 de agosto de 2026. Ver o post original
