
Você está chegando ao último trimestre do ano com a sensação de que ainda dá para recuperar o atraso, mas sem saber exatamente por onde começar. Três meses parecem pouco, mas uma empresa que senta, define uma meta clara e acompanha o resultado mês a mês nesse período aprende mais sobre si mesma do que em anos de operação no achismo.
Nesta transmissão ao vivo, Daniel Fernandes, cofundador da Treasy, mostra um método direto para quem ainda não planejou 2018 formalmente, ou para quem planejou mas precisa revisar o rumo. O mesmo raciocínio vale para qualquer final de ano.
Por que planejar agora, com o ano quase acabando
A armadilha clássica é achar que planejar o trimestre restante não vale o esforço. A live derruba esse mito logo de cara.
Dados do IBGE mostram que 48,2% das empresas brasileiras encerram as atividades em até três anos. O Sebrae aprofundou o diagnóstico: o principal motivo é falta de planejamento e descontrole na gestão. Não é resultado ruim de vendas, que grita. É a ausência de acompanhamento, que o Daniel chama de "veneno de morte lenta": o empreendedor não percebe o problema porque está imerso na operação.
Quatro benefícios aparecem com consistência em quem planeja e acompanha o resultado com cadência:
- Ganhos financeiros reais: empresas que não conhecem a margem projetada dos seus produtos acabam pagando para trabalhar.
- Ganhos de oportunidade: com um plano afiado, fica mais fácil identificar qual canal ou produto performa mais.
- Crescimento acelerado com direção: não é só crescer rápido, é saber qual alavanca está gerando o resultado.
- Decisões baseadas em dados: eliminar o achismo não significa ignorar o instinto do empreendedor. Significa calibrá-lo com evidências.
A Métrica que Mais Importa (MTM) para o trimestre
O primeiro passo da metodologia Treasy para esse cenário de prazo curto é definir o que eles chamam de MTM (do inglês Most Important Metric, ou a "métrica que importa"). É um conceito próximo ao OKR, mas com foco total em tradução financeira.
A ideia é simples e difícil ao mesmo tempo: a empresa precisa escolher um objetivo principal para os próximos três meses, ligado diretamente ao desafio ou à oportunidade maior desse período. Não dois, não cinco. Um.
Antes de definir o MTM, faça uma retrospectiva honesta:
- Analise o resultado dos últimos meses, um DRE simples já serve.
- Entenda como o mercado se comportou no ano.
- Confira quais planos de ação foram executados e quais ficaram no papel.
Com esse diagnóstico em mãos, a pergunta certa é: o que preciso mover neste trimestre para fechar o ano com sentido? Dependendo do cenário, o MTM pode ser:
- Faturamento, se o objetivo é crescer e ganhar mercado.
- Margem de contribuição, se a prioridade é vender mais do que é rentável.
- Ponto de equilíbrio, se o cenário é de sobrevivência e o foco é não sair no negativo.
- Resultado operacional, se a meta é gerar lucro distribuível para os sócios.
Definido o MTM, comunique para toda a liderança. Orçamento é, antes de qualquer coisa, uma ferramenta de alinhamento entre as áreas.
Planos de ação: o que fazer antes de projetar qualquer número
Antes de abrir planilha, a equipe de liderança precisa entender que ações são necessárias para chegar ao MTM. Dois erros opostos aparecem aqui: subestimar o que dá para fazer em três meses (e criar planos raquíticos) ou superestimar (e colocar uma penca de iniciativas que não rodam).
A live apresenta três ferramentas para organizar esse trabalho:
5W2H. Para cada projeto ou processo que vai rodar no trimestre, responda o quê, por quê, onde, quem, quando, como e quanto. Simples e poderoso para garantir responsáveis e prazos.
Os três Cs. Para cada processo ou projeto da empresa, decida: você vai Começar a fazer, vai Continuar fazendo, ou vai Cessar? Essa triagem dá uma visão clara das iniciativas que vão de fato para a frente nos próximos meses.
Matriz RICE. Quando sobram 6 ou 7 planos e é preciso priorizar, use os critérios de Alcance, Impacto, Confiança e Esforço. Cada variável recebe uma nota, e o resultado indica por qual plano começar.
Ao fim desse trabalho, cada plano de ação vai ter um custo estimado. Esse valor alimenta o orçamento de despesas do trimestre.
Modelagem financeira: sintético é mais inteligente para prazos curtos
A modelagem financeira define como o plano de contas de receitas e despesas está organizado. A live traz um aviso importante: muitas empresas buscam um nível de detalhe que beira o preciosismo e caem na "paralisia por análise".
Para um planejamento de trimestre, especialmente o primeiro que a empresa está fazendo, o caminho mais seguro é o plano sintético: poucas linhas de receita, poucas linhas de despesa. Isso garante velocidade na elaboração e foco no aprendizado.
A comparação da live deixa claro:
| Critério | Plano Analítico | Plano Sintético |
|---|---|---|
| Nível de detalhe | Alto (cada conta individualmente) | Baixo (grupos principais) |
| Ideal para | Processo maduro, já rodando há ciclos | Primeiro orçamento ou prazo curto |
| Velocidade de elaboração | Mais lenta | Mais rápida |
| Facilidade de encontrar causas do desvio | Alta (detalhe já está lá) | Menor (exige um nível abaixo durante o acompanhamento) |
| Risco de paralisia por análise | Alto | Baixo |
| Ideal para aprender sobre a operação | Médio | Alto |
A modelagem também precisa refletir as estratégias do MTM. Se o objetivo é crescer via dois canais de venda (online e parceiro, no exemplo da live), as notas que entram no ERP precisam distinguir de onde veio cada venda. Sem isso, o acompanhamento mensal não consegue dizer se o MTM está sendo atingido pelo caminho certo.
Acompanhamento mês a mês: onde o planejamento vira resultado
Planejar sem acompanhar é desperdício. A live é categórica nisso: o acompanhamento mensal é tão importante quanto o próprio planejamento.
A ferramenta central é o DRE com duas colunas: o que foi planejado e o que foi realizado. A partir dessa comparação, você identifica os desvios orçamentários e entende, linha por linha, onde o resultado desviou do plano.
Para cada desvio relevante, a metodologia FCA (Fato, Causa, Ação) organiza a resposta. Se quiser registrar isso de forma estruturada, há uma planilha de FCA pronta para preencher:
- Fato: o que aconteceu (ex.: receita de parceiros ficou 15% abaixo do planejado).
- Causa: por quê isso aconteceu (ex.: dois parceiros pararam de vender em outubro).
- Ação: o que vai ser feito (ex.: reativar contato com os dois parceiros e prospectar um terceiro).
No modelo 5W2H, essa ação já sai com responsável, prazo e custo. O processo se retroalimenta: o plano gera o acompanhamento, o acompanhamento gera ações, e as ações viram insumo para o planejamento do próximo ano.
Para quem já tinha um planejamento para 2018, o último trimestre pode exigir uma revisão orçamentária: se o MTM mudou, ou se os planos ficaram incoerentes com a realidade, revisa-se antes de continuar acompanhando. Orçamento que não reflete mais a realidade não orienta ninguém. Para entender quando e como revisar, vale ver como funciona a revisão orçamentária ágil.
Atenção à sazonalidade e às variáveis do período
O último trimestre tem dinâmicas que afetam qualquer orçamento:
- Férias coletivas e recessos que reduzem a capacidade operacional.
- Projeções de pessoal com 13º salário e férias provisionadas.
- Sazonalidade de vendas, positiva em alguns segmentos (varejo, alimentação) e negativa em outros.
- Variáveis macroeconômicas, como eleições e câmbio, que podem alterar premissas.
A live recomenda levantar ao menos um cenário otimista e um pessimista antes de fechar o orçamento. Não para prever o futuro, mas para preparar ações antecipadas caso as variáveis se movam. Esse exercício de análise de cenários orçamentários é parte natural de qualquer planejamento financeiro bem feito.
Criar cultura pelo calendário orçamentário
A última parte da live traz uma dica que parece óbvia mas é raramente praticada: coloque datas fixas na agenda.
A gestão não pode acontecer no tempo que sobra. Se você não reservar um horário para analisar o resultado e discutir os desvios com a liderança, isso simplesmente não acontece. Não tem método nem ferramenta que substitua a disciplina de aparecer toda semana para olhar os números.
A sugestão prática: reuniões de acompanhamento orçamentário no início da semana, de manhã, antes de o dia encher de urgências. Isso reduz o risco de adiar para a semana seguinte e de novo, e de novo, até o trimestre acabar sem que nenhum desvio tenha sido tratado.
Além das reuniões, vale criar indicadores de desempenho que mostrem a distância do MTM em tempo real. O faturamento total é o MTM, mas sub-indicadores como tíquete médio e volume por canal mostram por qual caminho a empresa está caminhando até lá. Para quem quer estruturar isso com mais profundidade, o curso de gestão orçamentária da Treasy cobre cada etapa em detalhe.
O que fazer ainda esta semana
Você não precisa de semanas para começar. Precisa de um bloco de duas horas com as pessoas certas:
- Puxe o DRE dos últimos seis meses e faça a retrospectiva.
- Decida o MTM do trimestre com clareza.
- Liste os três a cinco planos de ação que vão mover esse MTM e atribua responsáveis.
- Monte um plano de contas sintético e projete receita e despesa nos próximos três meses.
- Bloqueie a agenda para a reunião de acompanhamento em quatro semanas.
Para começar com uma estrutura pronta, use um modelo de planilha de orçamento empresarial e adapte às linhas do seu negócio. E quando o volume de dados crescer e a planilha começar a travar o processo, o Treasy conecta o histórico do seu ERP direto no planejamento. Experimente de graça e veja o orçamento virar a régua do seu último trimestre.
