Início A Plataforma Time de FP&A Integrações Metodologia de FP&A Serviços Como funciona Casos de Sucesso Blog Melhores Materiais Universidade Treasy Biblioteca Treasy Caixa de Ferramentas Controller Cast Canal no YouTube Trilhas de Conhecimento Treasy para seu Negócio Experimentar grátis →
Orçamento Empresarial Ao vivo

Planejamento orçamentário: da meta ao número na prática

Como montar o planejamento orçamentário por área, produto e canal. Aula 4 da Jornada da Meta ao Resultado, com o caso prático da Campos Bikes.

Neste artigo

Duas barras alinhadas representando o planejamento orçamentário na prática

Você já fez a parte difícil: definiu premissas, montou o organograma, deixou o mapa de indicadores no ar. Agora vem a virada, o momento em que aquele trabalho que parecia preparatório começa a devolver número. É aqui que você senta com cada gestor e transforma meta em receita por produto, custo por componente, salário por cargo, aluguel por loja. É exatamente o que a Aula 4 da Jornada da Meta ao Resultado mostra do começo ao fim, com Daniel Fernandes conduzindo o caso da Campos Bikes passo a passo.

Assista à aula completa antes de continuar: o caso da Campos Bikes mostra, do começo ao fim, como esse processo acontece numa empresa real.

Capa do vídeo: Jornada da Meta ao Resultado - Planejamento Orçamentário (Aula 4)Vídeo · YouTube

O time que entra em cena agora

Nas aulas anteriores o foco estava na equipe de gestão financeira e no time estratégico. O planejamento orçamentário muda o ângulo: agora é a controladoria trabalhando junto ao time executivo, ou seja, gerentes, coordenadores e diretores de cada área. São eles que sabem quanto vão vender, quantas pessoas vão precisar e o que vão gastar por mês.

O erro mais comum nessa passagem é a controladoria não comunicar o que foi decidido nas etapas anteriores. O gestor comercial monta uma projeção sem saber qual é a meta de margem bruta. O responsável por compras calcula preços sem conhecer as restrições estratégicas. Resultado: orçamentos desalinhados que precisam voltar do zero. A aula é clara: antes de pedir que qualquer gestor preencha um número, a controladoria precisa deixar o time na mesma página. Metas, premissas, restrições e modelagem financeira, tudo comunicado antes.

Como o orçamento de vendas funciona na prática

A Campos Bikes trabalha com três lojas físicas (Joinville, Rio de Janeiro, São Paulo), um ecommerce e três grupos de produto: próprios, mercadorias e serviços. A controladoria definiu um responsável para cada unidade, Cláudio em Joinville, Diogo Campos no Rio, José Campos em São Paulo, Rafael no ecommerce, e pediu que cada um projetasse quantidade e preço médio de venda por produto. Quem conhece a operação é quem orça. A controladoria só prepara o terreno.

O orçamento de vendas tem uma lógica simples: quantidade × preço médio = receita projetada. Na loja de Joinville, bicicletas adulto: 10 unidades por mês a R$ 2.500, gerando R$ 25.000 mensais. Triciclos: 3 unidades a R$ 1.600. E assim para cada produto em cada canal.

Daniel faz questão de parar num detalhe que muita gente passa batido: serviço por assinatura tem meta crescente, não estática. A Campos Bikes projeta ganhar 5 assinantes de plano de revisão por mês em Joinville, chegando a 90 clientes recorrentes em 18 meses e saindo de R$ 500 para R$ 9.000 de receita mensal só nesse produto. Quem orça receita recorrente como número fixo do ano enxerga só o começo da curva e deixa de planejar o que ela vira lá na frente.

Quando todos os gestores terminam suas projeções, a primeira análise que aparece é a composição da receita. No caso da Campos Bikes: 69% vem de produtos próprios, 21% de mercadorias, 10% de serviços. Por canal: 51% online e 49% nas lojas físicas. Dentro das lojas, São Paulo responde por mais da metade das vendas presenciais.

Essa visão já revela os riscos principais: dois terços do faturamento dependem de um único grupo de produtos e mais da metade das vendas online, que é o canal que cresceu mais rápido, concentra a maior parte das expectativas.

Deduções de vendas: o que sai antes da receita líquida

Antes de calcular margem, a Campos Bikes precisou orçar as deduções de vendas. Como está no lucro real e vende produtos, mercadorias e serviços, os impostos variam por grupo: PIS (1,65%) e Cofins (7,6%) incidem em tudo; ICMS (18%) só em mercadorias; IPI em produtos industrializados; ISS em serviços. Além disso, há taxas de cartão de crédito e custo de plataforma de ecommerce, que incide apenas no canal online.

O resultado: de quase R$ 15 milhões de receita bruta projetada, 20% ficam em deduções, chegando a quase R$ 3 milhões. A meta da controladoria era 10% de deduções. O desvio já no planejamento, antes de qualquer mês acontecer, é sinal de que a controladoria precisa entender o que está puxando esse número. Esse é um dos pontos que a aula usa para mostrar que o acompanhamento planejado x realizado começa na etapa de planejamento, não depois.

Custo variável: a ficha técnica como base

A controladoria da Campos Bikes preparou a composição de cada produto antes de pedir o orçamento a Adriano, o responsável por compras. Uma bicicleta adulto usa: 1 câmbio, 1 quadro, 2 rodas. A ficha técnica está pronta e Adriano precisa apenas informar o preço de cada componente: câmbio a R$ 350, quadro e rodas com seus respectivos preços de mercado. Como a projeção de vendas já chegou pronta, ele também já sabe quantos câmbios e quantas rodas vai consumir por mês, o que muda a conversa com fornecedor.

Com o preço de compra e a quantidade que vai ser consumida (que vem direto do orçamento de vendas), o custo total de cada produto por mês sai automaticamente. No caso da bicicleta adulta, custo de produção de R$ 1.350 contra preço de venda de R$ 2.500. Boa margem, em tese. O problema aparece quando a controladoria consolida o total: o custo variável projetado chega a 56% da receita líquida. A meta era 33%.

A causa identificada: alta do dólar. A Campos Bikes importa componentes e o índice não estava na premissa original. A restrição estratégica definida pelo time de direção proíbe redução de qualidade dos componentes. Então o que fazer? Pausar o orçamento, sentar com a diretoria e decidir, antes de continuar para as próximas peças.

Esse é um dos ensinamentos mais práticos da aula: quando os primeiros componentes do mapa de indicadores já mostram que a meta não vai ser atingida, não adianta continuar orçando pessoal e despesas. Resolve primeiro o que está travado.

Componente do orçamento Meta (% da receita líquida) Planejado (% da receita líquida) Situação
Deduções de vendas 10% 20% Desvio de 100% (investigar)
Custo variável (matéria-prima) 33% 56% Alta do dólar (plano parado)
Gastos com pessoal A definir Em elaboração Aguarda resolução do custo
Despesas operacionais A definir Em elaboração Aguarda resolução do custo
Investimentos A definir Em elaboração Aguarda resolução do custo

Gastos com pessoal: a controladoria faz o trabalho pesado antes

Quando o orçamento de custo variável for resolvido, o próximo passo é gastos com pessoal. A controladoria já deixou toda a estrutura pronta: cargos por unidade, alíquotas de encargos (FGTS 8%, INSS, férias, 13º) e política de benefícios (vale-transporte R$ 300, vale-refeição R$ 800, plano de saúde R$ 250, plano odontológico).

O gestor de cada área precisa informar apenas duas coisas: quantas pessoas ele vai ter no período e qual o salário médio. Tudo o mais, o modelo já calcula. Na montagem da Campos Bikes em Joinville: começa o ano com 10 montadores, chegando a 6 ao final do ano por automação de processos em andamento. O gestor define os números. A controladoria já tem os encargos associados.

Isso também aparece no orçamento de gastos com pessoal: quanto mais a controladoria deixa pronto, mais fácil é engajar o gestor e mais rápido o processo fecha.

Despesas e investimentos: a mesma lógica, área por área

Despesas operacionais seguem o mesmo padrão. Por unidade, por centro de resultado, por conta. Aluguel da fábrica de Joinville: R$ 25.000/mês. Loja de Joinville: R$ 3.500. Rio de Janeiro: R$ 15.000. São Paulo (shopping): R$ 35.000. Ecommerce: zero.

A lógica do orçamento de despesas é detalhar o suficiente para identificar onde há gordura e onde há rigidez. Aluguel é fixo. Energia elétrica pode variar com a produção. Material de escritório pode ser reduzido. O orçamento explicita isso.

Investimentos fecham o ciclo. A controladoria já definiu a vida útil dos ativos: computadores (5 anos), ferramentas (10 anos), galpões (20 anos). Com base na depreciação prevista, consegue antecipar quais equipamentos vão precisar de reposição no próximo ciclo. O gestor define o que comprar e quando. A controladoria já sabe o quanto vai depreciar a partir do mês seguinte ao investimento.

O papel da consolidação: onde a controladoria soma e confere

Com todos os gestores tendo entregado suas peças, a controladoria consolida o orçamento. Consolidar não é só somar. É verificar se a receita que a área comercial projetou está alinhada com o que a área de produção planeja entregar, se não há despesas duplicadas entre unidades, se os investimentos de uma área não criam demanda de pessoal que não foi orçada em outra.

Esse processo de consolidação orçamentária resulta em um documento único que vai para a diretoria. A diretoria aprova ou reprova. Se aprovado, o ciclo segue para simulação de cenários e depois para o acompanhamento mensal. Se reprovado, os gestores voltam para ajustar até as metas serem alcançáveis dentro das premissas.

A aula encerra com uma lembrança que vale guardar: o planejamento não precisa de anos de maturidade para começar a dar resultado. Daniel conta o caso de um cliente da Treasy de Manaus, com lojas por toda a região norte e canal online, que fez um exercício simples durante o planejamento: se vendessem um produto de cada linha em cada loja, quanto faturariam? O número dobrava o faturamento atual. No dia seguinte, os gestores das lojas foram convocados. No mês seguinte, o faturamento subiu. O orçamento não é burocracia, é o exercício que mostra o dinheiro que já está em cima da mesa.

Por onde começar quando o seu orçamento parar na metade

Se o seu planejamento travou como o da Campos Bikes, o problema geralmente está em uma de duas coisas: premissa não documentada ou componente do modelo que não está conectado ao seguinte. Vale revisar o mapa de indicadores e conferir se cada linha tem meta, histórico e responsável definidos antes de abrir o orçamento para os gestores.

Para estruturar a base antes de chamar as áreas, como fazer o planejamento orçamentário traz a sequência das etapas. Para ir fundo no orçamento de vendas, como elaborar orçamento de vendas detalha os modelos por quantidade, preço e canal. Para engajar os gestores sem precisar explicar encargos do zero, como engajar os colaboradores no orcamento empresarial vai direto ao ponto.

A próxima aula da Jornada trata de simulação de cenários, que é onde o orçamento aprovado começa a ser testado contra o que pode mudar no mercado. Se quiser se preparar, simulações de cenários e análise de cenários orçamentários cobrem os conceitos que a aula vai usar.

Para seguir o curso do começo, acesse o canal da Treasy. Se quiser ter o processo documentado para usar como referência na sua empresa, o guia de orçamento empresarial na prática cobre cada etapa com a mesma sequência que a Jornada segue. E quando quiser sair da planilha e rodar o orçamento com os dados do seu ERP entrando sozinhos, experimente o Treasy de graça e veja o planejamento virar a régua do mês.

Perguntas frequentes

Qual é o objetivo da etapa de planejamento orçamentário dentro da Jornada da Meta ao Resultado?
Transformar as metas e premissas definidas pelo time estratégico em números concretos por produto, canal, centro de resultado e cargo, com cada gestor de área sendo responsável pela sua peça do orçamento.
Quem deve montar o planejamento orçamentário?
Os gestores de cada departamento, auxiliados pela controladoria. Cabe ao controller preparar a estrutura, modelos e premissas; cabe ao gestor informar quantidades, preços e necessidades da sua área.
Como funciona o orçamento de vendas na prática?
A lógica é quantidade × preço médio por produto e por canal de venda. Cada responsável de unidade projeta quantas unidades de cada produto planeja vender por mês e a que preço médio, gerando a receita bruta projetada.
Como orçar um produto ou serviço que ainda não tem histórico?
É possível usar benchmark de mercado, visitar empresas similares, pesquisar dados públicos em demonstrativos disponíveis na CVM ou usar a técnica do cliente oculto para entender como o mercado funciona. O ponto de partida pode ser o quanto o produto precisa gerar para justificar o investimento.
O que são valores comprometidos e por que eles importam no planejamento?
São receitas e despesas que a empresa já tem contratadas, como contratos com clientes ou fornecedores. Têm nível de certeza maior do que o planejado e precisam ser considerados no orçamento para que o plano seja realista.
Como a Campos Bikes identificou riscos durante o planejamento de vendas?
Ao consolidar o orçamento de vendas, ficou claro que dois terços do faturamento dependiam de produtos próprios e mais de 50% das vendas vinham do canal online. Qualquer desvio nessas áreas teria impacto desproporcional no resultado final.
Como orçar deduções de vendas quando a empresa tem diferentes tipos de produto?
Cada grupo de produto tem alíquotas diferentes. Na Campos Bikes, mercadorias pagam ICMS, produtos industrializados pagam IPI e serviços pagam ISS, além de PIS e Cofins em todos os grupos. O orçamento de deduções aplica as alíquotas corretas por grupo e por canal.
O que fazer quando o custo variável projetado está muito acima da meta?
Pausar o orçamento naquele ponto, investigar a causa (no caso da Campos Bikes, foi a alta do dólar sobre componentes importados) e decidir com a diretoria o que pode ser feito dentro das restrições estratégicas antes de continuar orçando despesas e pessoal.
O que é a ficha técnica do produto e como ela ajuda no orçamento de compras?
É a composição de componentes necessários para produzir uma unidade de cada produto. Com a ficha técnica pronta e o volume de vendas projetado, o gestor de compras sabe exatamente quanto de cada componente precisa comprar e pode negociar com fornecedores a partir desse volume.
Como simplificar o processo de orçamento de gastos com pessoal para os gestores?
A controladoria deve preparar toda a estrutura de encargos (FGTS, INSS, férias, 13º) e política de benefícios (vale-transporte, vale-refeição, plano de saúde) antes de chamar os gestores. Assim, cada responsável de área só precisa informar quantas pessoas precisa e qual o salário médio.
Como funciona o orçamento de investimentos em ativos?
A controladoria define a vida útil de cada categoria de ativo (computadores 5 anos, ferramentas 10 anos, galpões 20 anos). Com base nisso, identifica quais equipamentos vão precisar de reposição no período orçamentário. O gestor indica o que comprar e quando; o modelo já calcula a depreciação a partir do mês do investimento.
O que a controladoria verifica na etapa de consolidação do orçamento?
Verifica se o que a área comercial projetou vender está alinhado com o que a produção planeja entregar, se não há despesas duplicadas entre unidades, se investimentos de uma área não criam demanda de pessoal que não foi orçada em outra, e se o resultado consolidado bate com as metas estratégicas.
O que acontece se a diretoria reprovar o orçamento?
Os gestores voltam para a etapa de elaboração e ajustam seus orçamentos para que as metas sejam atingíveis dentro das premissas e restrições definidas. O processo pode ter mais de uma rodada até a aprovação final.
Qual o principal erro das empresas na passagem para o planejamento orçamentário?
Não comunicar as metas, premissas e restrições definidas nas etapas anteriores para o time executivo. O gestor monta o orçamento sem saber o que é inegociável, o que gera planos desalinhados que precisam ser refeitos do zero.
Como produtos com receita recorrente por assinatura são tratados no orçamento de vendas?
Diferente de produtos pontuais, as metas de assinatura são crescentes: o orçamento projeta quantos novos assinantes serão conquistados por mês e soma os recorrentes dos meses anteriores. Na Campos Bikes, 5 novos clientes por mês em Joinville resulta em 90 assinantes e R$ 9.000 de receita mensal ao fim do período.
Qual a próxima etapa após a aprovação do planejamento orçamentário?
Simulação de cenários, onde o orçamento base aprovado é testado contra variáveis externas como câmbio, inflação e mudanças de mercado, gerando cenários otimistas e pessimistas para que a empresa não seja pega de surpresa.

Leia também

Orçamento Empresarial

5 passos para definir metas com maestria em sua empresa!

Orçamento Empresarial

5 tomadas de decisão que a Gestão Orçamentária facilita para sua empresa

Orçamento Empresarial

5 vantagens da Gestão Orçamentária para sua empresa