Treasy | Planejamento e Controladoria

Da crise à reestruturação financeira: como o controller conduz a recuperação da empresa

homem colocando blocos de madeira em fila

Margens de lucro cada vez menores, lucratividade e rentabilidade caindo, pressão por resultados, custos crescentes, perda de clientes ou liquidez limitada são fatores que tornam a operação vulnerável. Se isso estiver “tudo junto e misturado”, o cenário torna-se mais extremo e coloca em risco a continuidade da organização. Para evitar chegar naquele momento em que a diretoria se vê sem saída, é imprescindível intervir. 

Mas como agir, sendo que é preciso continuar operando, gerindo times e mantendo a empresa em pé? É aí que entra a reestruturação financeira, com o controller atuando como o elo entre o diagnóstico e a ação. Neste conteúdo super especial que preparamos, mostramos a você o papel da controladoria no processo estratégico de retomada. Veja como o controller pode transformar dados, análises e planejamento em decisões que conduzem a empresa de volta ao equilíbrio.

    Sem tempo para ler agora?
    Faça o download do arquivo em PDF

    (e aproveite para enviar à seus colegas)


    O que é reestruturação financeira?

    A reestruturação financeira, como o nome sugere, é um processo que busca recuperar as finanças de um negócio. Não se trata, porém, de um “simples” corte de custos, mas sim de analisar e repensar a gestão orçamentária, a gestão financeira, o fluxo de caixa, as dívidas e os investimentos. O objetivo é criar sustentabilidade a longo prazo, visando, claro, o crescimento futuro

    Mas para pensar no futuro, a reestruturação financeira precisa lidar com o presente. Para isso, ela visa uma jornada de diagnóstico e transformação que depende, acima de tudo, de informação confiável e capacidade analítica. E é justamente essa “capacidade analítica”, somada à visão 360 graus, que faz do controller o profissional indispensável no processo. 

    Antes de seguirmos sobre a importância da controladoria na recuperação financeira, é importante destacar os objetivos da reestruturação em diferentes horizontes de tempo:

    No curto prazo

    No médio e longo prazo

    Em suma, a reestruturação financeira trata de um reposicionamento estratégico, visando apagar os incêndios que comprometem a empresa no presente, mas sem tirar o olho do futuro.

    Quando uma empresa precisa passar por uma reestruturação financeira

    Os motivos que podem levar uma empresa a ter que recorrer a uma reestruturação financeira são muitos. Raramente há um único culpado, pois o que normalmente se observa é um conjunto de fatores que se sobrepõem: margens em queda, aumento de custos, problemas de caixa, orçamentos desalinhados e decisões tomadas sem base em dados.

    Quando somados, esses sinais criam um efeito dominó que enfraquece o negócio aos poucos. A seguir, destacamos os principais sintomas que indicam a necessidade de uma reestruturação.

    Margens em queda e custos crescentes

    Os custos crescem, mas a receita não acompanha. E o que pode ser pior: muitas vezes esse problema demora a ser identificado, especialmente quando as vendas aumentam. 

    Diversas empresas têm lucro no papel, “tocam sinos” por fecharem vendas grandes e até batem metas ousadas mensalmente. Mas, dependendo da situação financeira, embora as vendas estejam indo bem, a lucratividade não cresce na mesma proporção (ou pior, diminui). É quando ocorre o famoso “crescer perdendo dinheiro”, que é quando um negócio vende mais, mas cada venda rende menos.

    Normalmente, o problema está na precificação, na estrutura de custos ou na eficiência operacional. A questão é que muitas empresas não conseguem identificar essa queda de margem a tempo, porque analisam apenas faturamento e metas comerciais, sem considerar margens, custos unitários ou rentabilidade por produto. E é exatamente aí que começam os desequilíbrios de caixa, como veremos a seguir.

    👉 Regra dos 40: Como medir o equilíbrio entre crescimento e lucratividade no seu negócio

    Problemas de fluxo de caixa

    Toda empresa, em algum momento, enfrenta desafios de fluxo de caixa. A diferença está na frequência e na origem desses problemas. Quando o descasamento entre entradas e saídas se torna recorrente e a organização precisa recorrer constantemente a crédito de capital de giro, antecipação de recebíveis ou crédito bancário, o alerta deve ser ligado.

    Isso porque esse movimento é um forte indicativo de que há um desequilíbrio estrutural na gestão financeira, ou seja, não é apenas uma oscilação momentânea. Vale destacar que, apesar de não ser uma regra, essa falta de equilíbrio costuma surgir quando há ausência de integração entre as áreas. Quer um exemplo?

    1. O comercial fecha vendas com prazos longos e promete descontos;
    2. O financeiro paga fornecedores com prazos curtos;
    3. O controller precisa correr atrás para equilibrar o caixa no fim do mês.

    Essa é uma situação mais comum do que você imagina e, se não tratada a tempo,  pode impactar diretamente a liquidez, a margem e até a credibilidade da empresa perante fornecedores e investidores. 

    Orçamento sem aderência à realidade

    Outro sinal que indica que uma reestruturação financeira pode ser necessária é quando o orçamento empresarial não reflete a realidade do negócio. 

    Tudo normalmente começa quando o budget é criado sem considerar o planejamento estratégico. Nesse caso, a empresa caminha em direção ao norte, enquanto o objetivo era ir para o sul. Esse é um erro muito comum na hora de elaborar o orçamento empresarial, e ele pode levar a metas inatingíveis, projeções distorcidas e decisões financeiras baseadas em suposições.

    Outro problema que cria a desconexão do orçamento com a realidade é conhecido como “orçamento de gaveta”. O termo se refere ao budget que é criado, mas que nunca é realmente utilizado ou implementado. Mesmo que o documento esteja bem alinhado ao planejamento estratégico, a empresa segue no modo automático, cortando custos ou fazendo investimentos sem consultar o que foi previsto (e sem saber como anda o realizado).

    Nesse cenário, o orçamento perde completamente sua função de guia, pois as decisões passam a ser baseadas em urgências, e não em prioridades, o que abre espaço para desperdícios, desalinhamentos e riscos financeiros desnecessários.

    👉 Como integrar Orçamento Empresarial e Planejamento Estratégico

    Decisões financeiras reativas (em vez de estratégicas)

    Imagine que você entre em um imóvel e a primeira coisa em que repara são os baldes espalhados pela sala. De repente, alguém passa correndo por você com um balde na mão, tentando conter mais uma goteira. Quando percebe, o ambiente está cheio de vazamentos, mas ninguém tem tempo de consertar o telhado, apenas de trocar os baldes de lugar.

    Essa gestão reativa é um problema de muitas empresas e costuma ser o que leva à necessidade de reestruturação financeira. Isso porque, ao agir “apagando incêndios” (ou “trocando os baldes de lugar"), cada novo problema de caixa, custo ou orçamento é tratado como se fosse uma emergência isolada.

    Assim, as decisões são baseadas em urgência e não em planejamento, o que leva a ações que, apesar de tratarem os sintomas, fazem com que a causa fique adormecida até chegar ao ponto de ser tarde demais. 

    O papel do controller e da controladoria em um processo de reestruturação financeira

    O fato é que, depois de correr com baldes nas mãos, chega o momento de subir no telhado e entender a causa do vazamento. Em um processo de reestruturação financeira o papel do controller e da controladoria está em: 

    A seguir, veja as principais frentes de atuação que tornam o controller essencial na retomada financeira:

    Diagnóstico financeiro

    Não tem como fazer reestruturação sem entender onde estão os gargalos. Levando isso em consideração, o controller faz um raio X das finanças da empresa. Por exemplo, ele avalia o endividamento, a rentabilidade, a liquidez e os custos. Ele também analisa demonstrativos financeiros e indicadores para entender como está a geração de valor. 

    Aliás, em uma reestruturação financeira, o controller precisa ir além da rentabilidade operacional e adotar uma gestão baseada em valor. Nessa abordagem, o foco não está apenas em analisar iniciativas para aumentar o lucro, mas em garantir que cada decisão financeira contribua para o crescimento sustentável do negócio.
    Indicadores como EVA (Economic Value Added), WACC (Custo Médio Ponderado de Capital) e ROIC (Retorno sobre o Capital Investido), quando analisados em conjunto, ajudam a traduzir esse conceito em números e mostram se a empresa está, de fato, se fortalecendo financeiramente ou apenas “sobrevivendo com bons resultados contábeis”. 

    Se quiser se aprofundar nesse tema, vale assistir ao episódio #58 do Controller Cast com Marcelo Luz Alves, consultor de empresas, professor de MBA e sócio fundador da Apolo Value Investing. Na conversa, ele explica por que as empresas precisam olhar para os indicadores certos e como evitar armadilhas como depender exclusivamente do EBITDA para medir o desempenho:

    Análise das causas

    Depois de mapear os gargalos, é preciso entender quais causas exigem ação imediata e quais podem ser tratadas de forma gradual. O controller consolida as informações levantadas no diagnóstico e classifica os riscos conforme seu impacto no resultado e na liquidez.

    Algumas perguntas fundamentais que podem ser feitas: 

    Essa etapa é essencial para evitar dois erros: o de agir por impulso e tomar decisões que não trarão o impacto necessário no presente, e o de investir tempo em problemas secundários enquanto as causas críticas continuam crescendo.

    Dica: na metodologia Treasy de Gestão Orçamentária, recomendamos a Análise FCA (Fato, Causa, Ação) para mapear a causa raiz dos problemas. Entenda como ela funciona:

    Revisão do orçamento e análise de desvios orçamentários 

    Revisar o orçamento e entender como os desvios afetam o resultado global é uma das etapas mais importantes, porque é onde o controller deixa de olhar apenas para o que aconteceu e começa a agir sobre o que pode ser ajustado.

    O ponto de partida é a análise de desvios orçamentários, na qual o profissional de controladoria compara o que foi planejado com o que foi realizado, linha por linha, para identificar diferenças relevantes. Vale ressaltar que o objetivo é procurar compreender o porquê do desvio ter ocorrido.

    Voltando a falar da Metodologia Treasy, ela traz uma classificação prática e eficiente para analisar os desvios orçamentários (e tem ajudado muitas empresas a entender rapidamente de onde vêm as variações). Veja os três tipos mais comuns:

    Entender qual tipo de desvio está acontecendo é fundamental para priorizar esforços e não desperdiçar energia com ruídos operacionais.

    E para saber o que fazer após identificar os desvios, leia o conteúdo:

    👉 Como lidar com desvios orçamentários: da identificação à ação

    Planejamento de cenários

    Entendidos os problemas do presente e como solucioná-los, o controller olha para frente e simula possibilidades, antecipa impactos e desenha caminhos alternativos.

    Com o planejamento de cenários, o profissional de controladoria busca preparar a empresa para o futuro. Ao testar hipóteses, o controller oferece à liderança insumos para decisões mais seguras e embasadas, evitando que o negócio dependa apenas de um único plano ou expectativa.

    É aqui que o controller utiliza dados históricos, projeções e variáveis de mercado para construir diferentes panoramas: o otimista, o realista e o conservador. Essa análise permite visualizar o que acontece com o caixa, a margem e o resultado operacional se as premissas mudarem: por exemplo, se a receita cair 10%, se o custo de capital aumentar ou se uma porcentagem de clientes atrasar pagamentos.

    Em um processo de reestruturação financeira, o planejamento de cenários é uma bússola de gestão, pois ajuda a definir prioridades, direcionar recursos e ajustar estratégias conforme o ambiente muda. Resumindo: garante que a empresa mantenha o controle mesmo em tempos de instabilidade

    Caso precise de uma planilha para montar a análise de cenários, aproveite esta:

    Monitoramento constante

    A reestruturação financeira não termina quando a situação começa a melhorar. Pelo contrário, é aí que há a necessidade de um acompanhamento ainda mais de perto. Por essa razão, o controller busca garantir que todas as ações planejadas estão realmente sendo executadas e que os indicadores evoluem na direção certa.

    Nesta etapa, o uso da tecnologia faz toda a diferença. Com o apoio de dashboards e ferramentas de Business Intelligence (BI), como o BI Financeiro da Treasy, o controller consegue acompanhar, em tempo real, o desempenho financeiro e a evolução dos indicadores mais críticos para o negócio.

    Além disso, o BI da Treasy integra dados de diferentes fontes e consolida tudo em um só lugar, eliminando retrabalho com planilhas e garantindo visibilidade total da operação. Isso facilita o acompanhamento de indicadores como margem, rentabilidade, custos e fluxo de caixa, permitindo que a liderança tenha uma visão completa e atualizada da saúde financeira da empresa.

    Ah! E o BI da Treasy também faz a análise FCA (Fato, Causa, Ação) 🤩. Crie uma conta gratuita para experimentar a solução e entender do que estamos falando! É só clicar aqui ou na imagem:

    Conclusão

    A reestruturação financeira acontece naquele momento em que se percebe que a empresa não tem mais saída e é necessário analisar as finanças com um olhar mais estratégico. E como você viu neste conteúdo, o controller é a pessoa para isso.

    Sabemos que não é um processo fácil, mas procure enxergá-lo como um sinal de maturidade. Afinal de contas, é um movimento que mostra disposição para encarar os números de frente, corrigir o rumo e criar bases sólidas para o futuro. E, após o processo, esperamos que sua empresa consiga se manter na rota.

    Aqui no blog da Treasy, sempre temos conteúdos para ajudar negócios como o seu a lidar com os desafios financeiros. Além disso, reforçamos a importância de acompanhar métricas em tempo real de perto (por exemplo: receita total, lucro líquido e receita média por cliente). 

    Você consegue isso com o BI Financeiro da Treasy, que apresenta também um painel com uma visão geral abrangente dos dados financeiros. Isso faz com que o BI seja um excelente instrumento de análise também para os CFOs!

    Então, aproveite que já está aqui e experimente o Treasy BI Financeiro. Crie sua conta gratuita em menos de 1 minuto!