
Margens de lucro cada vez menores, lucratividade e rentabilidade caindo, pressão por resultados, custos crescentes, perda de clientes ou liquidez limitada são fatores que tornam a operação vulnerável. Se isso estiver “tudo junto e misturado”, o cenário torna-se mais extremo e coloca em risco a continuidade da organização. Para evitar chegar naquele momento em que a diretoria se vê sem saída, é imprescindível intervir.
Mas como agir, sendo que é preciso continuar operando, gerindo times e mantendo a empresa em pé? É aí que entra a reestruturação financeira, com o controller atuando como o elo entre o diagnóstico e a ação. Neste conteúdo super especial que preparamos, mostramos a você o papel da controladoria no processo estratégico de retomada. Veja como o controller pode transformar dados, análises e planejamento em decisões que conduzem a empresa de volta ao equilíbrio.
- Margens em queda e custos crescentes
- Problemas de fluxo de caixa
- Orçamento sem aderência à realidade
- Decisões financeiras reativas (em vez de estratégicas)
- Diagnóstico financeiro
- Análise das causas
- Revisão do orçamento e análise de desvios orçamentários
- Planejamento de cenários
- Monitoramento constante
O que é reestruturação financeira?
A reestruturação financeira, como o nome sugere, é um processo que busca recuperar as finanças de um negócio. Não se trata, porém, de um “simples” corte de custos, mas sim de analisar e repensar a gestão orçamentária, a gestão financeira, o fluxo de caixa, as dívidas e os investimentos. O objetivo é criar sustentabilidade a longo prazo, visando, claro, o crescimento futuro.
Mas para pensar no futuro, a reestruturação financeira precisa lidar com o presente. Para isso, ela visa uma jornada de diagnóstico e transformação que depende, acima de tudo, de informação confiável e capacidade analítica. E é justamente essa “capacidade analítica”, somada à visão 360 graus, que faz do controller o profissional indispensável no processo.
Antes de seguirmos sobre a importância da controladoria na recuperação financeira, é importante destacar os objetivos da reestruturação em diferentes horizontes de tempo:
No curto prazo
- Corrigir distorções imediatas que comprometem o caixa da empresa.
- Renegociar dívidas, prazos e condições para aliviar a pressão sobre a liquidez.
- Fortalecer a viabilidade operacional, vinculando o serviço da dívida (juros e amortizações) a um fluxo de caixa sustentável e realista.
No médio e longo prazo
- Reabilitar a empresa, tornando-a mais competitiva por meio de estratégias eficazes e sustentáveis.
- Restaurar a confiança de credores, fornecedores e investidores.
- Melhorar a recuperação para todas as partes interessadas, garantindo que cada uma delas tenha ganhos mais sólidos e duradouros.
Em suma, a reestruturação financeira trata de um reposicionamento estratégico, visando apagar os incêndios que comprometem a empresa no presente, mas sem tirar o olho do futuro.
Quando uma empresa precisa passar por uma reestruturação financeira
Os motivos que podem levar uma empresa a ter que recorrer a uma reestruturação financeira são muitos. Raramente há um único culpado, pois o que normalmente se observa é um conjunto de fatores que se sobrepõem: margens em queda, aumento de custos, problemas de caixa, orçamentos desalinhados e decisões tomadas sem base em dados.
Quando somados, esses sinais criam um efeito dominó que enfraquece o negócio aos poucos. A seguir, destacamos os principais sintomas que indicam a necessidade de uma reestruturação.
Margens em queda e custos crescentes
Os custos crescem, mas a receita não acompanha. E o que pode ser pior: muitas vezes esse problema demora a ser identificado, especialmente quando as vendas aumentam.
Diversas empresas têm lucro no papel, “tocam sinos” por fecharem vendas grandes e até batem metas ousadas mensalmente. Mas, dependendo da situação financeira, embora as vendas estejam indo bem, a lucratividade não cresce na mesma proporção (ou pior, diminui). É quando ocorre o famoso “crescer perdendo dinheiro”, que é quando um negócio vende mais, mas cada venda rende menos.
Normalmente, o problema está na precificação, na estrutura de custos ou na eficiência operacional. A questão é que muitas empresas não conseguem identificar essa queda de margem a tempo, porque analisam apenas faturamento e metas comerciais, sem considerar margens, custos unitários ou rentabilidade por produto. E é exatamente aí que começam os desequilíbrios de caixa, como veremos a seguir.
👉 Regra dos 40: Como medir o equilíbrio entre crescimento e lucratividade no seu negócio
Problemas de fluxo de caixa
Toda empresa, em algum momento, enfrenta desafios de fluxo de caixa. A diferença está na frequência e na origem desses problemas. Quando o descasamento entre entradas e saídas se torna recorrente e a organização precisa recorrer constantemente a crédito de capital de giro, antecipação de recebíveis ou crédito bancário, o alerta deve ser ligado.
Isso porque esse movimento é um forte indicativo de que há um desequilíbrio estrutural na gestão financeira, ou seja, não é apenas uma oscilação momentânea. Vale destacar que, apesar de não ser uma regra, essa falta de equilíbrio costuma surgir quando há ausência de integração entre as áreas. Quer um exemplo?
- O comercial fecha vendas com prazos longos e promete descontos;
- O financeiro paga fornecedores com prazos curtos;
- O controller precisa correr atrás para equilibrar o caixa no fim do mês.
Essa é uma situação mais comum do que você imagina e, se não tratada a tempo, pode impactar diretamente a liquidez, a margem e até a credibilidade da empresa perante fornecedores e investidores.
Orçamento sem aderência à realidade
Outro sinal que indica que uma reestruturação financeira pode ser necessária é quando o orçamento empresarial não reflete a realidade do negócio.
Tudo normalmente começa quando o budget é criado sem considerar o planejamento estratégico. Nesse caso, a empresa caminha em direção ao norte, enquanto o objetivo era ir para o sul. Esse é um erro muito comum na hora de elaborar o orçamento empresarial, e ele pode levar a metas inatingíveis, projeções distorcidas e decisões financeiras baseadas em suposições.
Outro problema que cria a desconexão do orçamento com a realidade é conhecido como “orçamento de gaveta”. O termo se refere ao budget que é criado, mas que nunca é realmente utilizado ou implementado. Mesmo que o documento esteja bem alinhado ao planejamento estratégico, a empresa segue no modo automático, cortando custos ou fazendo investimentos sem consultar o que foi previsto (e sem saber como anda o realizado).
Nesse cenário, o orçamento perde completamente sua função de guia, pois as decisões passam a ser baseadas em urgências, e não em prioridades, o que abre espaço para desperdícios, desalinhamentos e riscos financeiros desnecessários.
👉 Como integrar Orçamento Empresarial e Planejamento Estratégico
Decisões financeiras reativas (em vez de estratégicas)
Imagine que você entre em um imóvel e a primeira coisa em que repara são os baldes espalhados pela sala. De repente, alguém passa correndo por você com um balde na mão, tentando conter mais uma goteira. Quando percebe, o ambiente está cheio de vazamentos, mas ninguém tem tempo de consertar o telhado, apenas de trocar os baldes de lugar.
Essa gestão reativa é um problema de muitas empresas e costuma ser o que leva à necessidade de reestruturação financeira. Isso porque, ao agir “apagando incêndios” (ou “trocando os baldes de lugar"), cada novo problema de caixa, custo ou orçamento é tratado como se fosse uma emergência isolada.
Assim, as decisões são baseadas em urgência e não em planejamento, o que leva a ações que, apesar de tratarem os sintomas, fazem com que a causa fique adormecida até chegar ao ponto de ser tarde demais.
O papel do controller e da controladoria em um processo de reestruturação financeira
O fato é que, depois de correr com baldes nas mãos, chega o momento de subir no telhado e entender a causa do vazamento. Em um processo de reestruturação financeira o papel do controller e da controladoria está em:
- Diagnosticar as causas dos desequilíbrios;
- Planejar soluções sustentáveis;
- Garantir que o fluxo de decisões esteja alinhado à estratégia do negócio.
A seguir, veja as principais frentes de atuação que tornam o controller essencial na retomada financeira:
Diagnóstico financeiro
Não tem como fazer reestruturação sem entender onde estão os gargalos. Levando isso em consideração, o controller faz um raio X das finanças da empresa. Por exemplo, ele avalia o endividamento, a rentabilidade, a liquidez e os custos. Ele também analisa demonstrativos financeiros e indicadores para entender como está a geração de valor.
Aliás, em uma reestruturação financeira, o controller precisa ir além da rentabilidade operacional e adotar uma gestão baseada em valor. Nessa abordagem, o foco não está apenas em analisar iniciativas para aumentar o lucro, mas em garantir que cada decisão financeira contribua para o crescimento sustentável do negócio.
Indicadores como EVA (Economic Value Added), WACC (Custo Médio Ponderado de Capital) e ROIC (Retorno sobre o Capital Investido), quando analisados em conjunto, ajudam a traduzir esse conceito em números e mostram se a empresa está, de fato, se fortalecendo financeiramente ou apenas “sobrevivendo com bons resultados contábeis”.
Se quiser se aprofundar nesse tema, vale assistir ao episódio #58 do Controller Cast com Marcelo Luz Alves, consultor de empresas, professor de MBA e sócio fundador da Apolo Value Investing. Na conversa, ele explica por que as empresas precisam olhar para os indicadores certos e como evitar armadilhas como depender exclusivamente do EBITDA para medir o desempenho:
Análise das causas
Depois de mapear os gargalos, é preciso entender quais causas exigem ação imediata e quais podem ser tratadas de forma gradual. O controller consolida as informações levantadas no diagnóstico e classifica os riscos conforme seu impacto no resultado e na liquidez.
Algumas perguntas fundamentais que podem ser feitas:
- O que está drenando mais recursos hoje?
- Quais áreas apresentam o maior potencial de ganho com ajustes rápidos?
- Quais decisões precisam ser tomadas agora para estabilizar o caixa?
Essa etapa é essencial para evitar dois erros: o de agir por impulso e tomar decisões que não trarão o impacto necessário no presente, e o de investir tempo em problemas secundários enquanto as causas críticas continuam crescendo.
Dica: na metodologia Treasy de Gestão Orçamentária, recomendamos a Análise FCA (Fato, Causa, Ação) para mapear a causa raiz dos problemas. Entenda como ela funciona:
- Fato: é o problema identificado. Exemplo: os custos com manutenção de equipamentos ultrapassaram o orçamento anual.
- Causa: é a origem desse desvio. Exemplo: falhas no cronograma de manutenção preventiva levaram a paradas inesperadas e reparos emergenciais, mais caros.
- Ação: é a medida definida para corrigir e prevenir o problema. Exemplo: adotar um plano de manutenção preditiva e reforçar o acompanhamento mensal das despesas operacionais.
Revisão do orçamento e análise de desvios orçamentários
Revisar o orçamento e entender como os desvios afetam o resultado global é uma das etapas mais importantes, porque é onde o controller deixa de olhar apenas para o que aconteceu e começa a agir sobre o que pode ser ajustado.
O ponto de partida é a análise de desvios orçamentários, na qual o profissional de controladoria compara o que foi planejado com o que foi realizado, linha por linha, para identificar diferenças relevantes. Vale ressaltar que o objetivo é procurar compreender o porquê do desvio ter ocorrido.
Voltando a falar da Metodologia Treasy, ela traz uma classificação prática e eficiente para analisar os desvios orçamentários (e tem ajudado muitas empresas a entender rapidamente de onde vêm as variações). Veja os três tipos mais comuns:
- Desvios corriqueiros: são aqueles que fazem parte da rotina e, em geral, não exigem ações corretivas. Um bom exemplo é o aumento da conta de energia em meses com mais dias úteis.
- Desvios por indexadores: ocorrem quando fatores externos influenciam diretamente o orçamento, como reajustes de dólar, dissídios coletivos ou variações de inflação. São desvios que fogem do controle da empresa, mas precisam ser acompanhados de perto para evitar efeito cascata nas despesas.
- Desvios estratégicos: esses merecem atenção redobrada. Costumam ser causados por decisões que fogem do plano original, como o início de um novo projeto sem previsão orçamentária ou um gasto que explodiu por falta de acompanhamento. São os desvios que mais impactam o desempenho e, portanto, exigem ação imediata e análise da controladoria.
Entender qual tipo de desvio está acontecendo é fundamental para priorizar esforços e não desperdiçar energia com ruídos operacionais.
E para saber o que fazer após identificar os desvios, leia o conteúdo:
👉 Como lidar com desvios orçamentários: da identificação à ação
Planejamento de cenários
Entendidos os problemas do presente e como solucioná-los, o controller olha para frente e simula possibilidades, antecipa impactos e desenha caminhos alternativos.
Com o planejamento de cenários, o profissional de controladoria busca preparar a empresa para o futuro. Ao testar hipóteses, o controller oferece à liderança insumos para decisões mais seguras e embasadas, evitando que o negócio dependa apenas de um único plano ou expectativa.
É aqui que o controller utiliza dados históricos, projeções e variáveis de mercado para construir diferentes panoramas: o otimista, o realista e o conservador. Essa análise permite visualizar o que acontece com o caixa, a margem e o resultado operacional se as premissas mudarem: por exemplo, se a receita cair 10%, se o custo de capital aumentar ou se uma porcentagem de clientes atrasar pagamentos.
Em um processo de reestruturação financeira, o planejamento de cenários é uma bússola de gestão, pois ajuda a definir prioridades, direcionar recursos e ajustar estratégias conforme o ambiente muda. Resumindo: garante que a empresa mantenha o controle mesmo em tempos de instabilidade.
Caso precise de uma planilha para montar a análise de cenários, aproveite esta:
Monitoramento constante
A reestruturação financeira não termina quando a situação começa a melhorar. Pelo contrário, é aí que há a necessidade de um acompanhamento ainda mais de perto. Por essa razão, o controller busca garantir que todas as ações planejadas estão realmente sendo executadas e que os indicadores evoluem na direção certa.
Nesta etapa, o uso da tecnologia faz toda a diferença. Com o apoio de dashboards e ferramentas de Business Intelligence (BI), como o BI Financeiro da Treasy, o controller consegue acompanhar, em tempo real, o desempenho financeiro e a evolução dos indicadores mais críticos para o negócio.
Além disso, o BI da Treasy integra dados de diferentes fontes e consolida tudo em um só lugar, eliminando retrabalho com planilhas e garantindo visibilidade total da operação. Isso facilita o acompanhamento de indicadores como margem, rentabilidade, custos e fluxo de caixa, permitindo que a liderança tenha uma visão completa e atualizada da saúde financeira da empresa.
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Conclusão
A reestruturação financeira acontece naquele momento em que se percebe que a empresa não tem mais saída e é necessário analisar as finanças com um olhar mais estratégico. E como você viu neste conteúdo, o controller é a pessoa para isso.
Sabemos que não é um processo fácil, mas procure enxergá-lo como um sinal de maturidade. Afinal de contas, é um movimento que mostra disposição para encarar os números de frente, corrigir o rumo e criar bases sólidas para o futuro. E, após o processo, esperamos que sua empresa consiga se manter na rota.
Aqui no blog da Treasy, sempre temos conteúdos para ajudar negócios como o seu a lidar com os desafios financeiros. Além disso, reforçamos a importância de acompanhar métricas em tempo real de perto (por exemplo: receita total, lucro líquido e receita média por cliente).
Você consegue isso com o BI Financeiro da Treasy, que apresenta também um painel com uma visão geral abrangente dos dados financeiros. Isso faz com que o BI seja um excelente instrumento de análise também para os CFOs!
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