
Antes de projetar uma única linha de receita, você precisa de dois pilares: saber em qual ótica vai enxergar os números e ter as premissas do orçamento documentadas. Sem isso, cada gestor parte de um pressuposto diferente e o consolidado vira uma colcha de retalhos. A Aula 02 do Curso Completo de Planejamento Orçamentário resolve exatamente isso, numa sequência que vai dos conceitos básicos até o ambiente funcionando na ferramenta.
Se você ainda não assistiu à Aula 01, ela cobre o processo orçamentário no estado da arte e mostra o ciclo completo que o curso vai construir.
Competência ou caixa: qual ótica usar no orçamento
O planejamento orçamentário trabalha com duas óticas ao mesmo tempo, e confundir uma com a outra é o erro que mais distorce projeções.
Regime de competência: o evento é registrado na data em que aconteceu, independente de quando o dinheiro entra ou sai. Uma venda de R$ 60.000 parcelada em seis vezes aparece inteira no mês em que foi realizada. É a base do DRE projetado.
Regime de caixa: o registro segue a data do pagamento ou recebimento. Aquela mesma venda de R$ 60.000 aparece fracionada, R$ 10.000 por mês, ao longo de seis meses. É a base da projeção de fluxo de caixa.
As duas visões são complementares. O DRE mostra se o negócio está gerando resultado. O fluxo de caixa mostra se tem dinheiro para honrar os compromissos enquanto esse resultado chega. Quem gerencia só pelo resultado pode ter lucro no papel e caixa negativo. Quem gerencia só pelo caixa perde a visão de tendência. Para entender a diferença entre regime de caixa e regime de competência aplicada à gestão, vale ler o artigo específico sobre o tema.
No curso, a construção começa pela ótica de competência (DRE projetado) e termina com a projeção de caixa, entregando as duas peças completas.
Premissas orçamentárias: as regras do jogo
As premissas orçamentárias são os balizadores que orientam todas as projeções do período. Pense nelas como as regras que todos os participantes do orçamento precisam conhecer antes de começar. Sem elas, o orçamento descentralizado vira um exercício sem norte.
De onde vêm as premissas
Se a empresa tem um planejamento estratégico formal, as premissas saem naturalmente dele: análise do cenário externo, diagnóstico interno e objetivos estratégicos já mapeados. Se não tem, algumas perguntas básicas resolvem:
- Quanto a empresa espera vender e crescer mês a mês?
- Vai haver alteração no quadro de pessoal?
- Qual a política de prazos médios de pagamento e recebimento?
- Qual o resultado esperado ao final do ano?
Premissas internas e externas
O quadro de premissas separa duas categorias:
Internas e gerenciáveis: variáveis que a empresa controla. Meta geral de vendas, capacidade máxima de produção, teto de horas extras. A controladoria e os gestores respondem por elas diretamente.
Externas e não gerenciáveis: variáveis de mercado que influenciam o negócio mas não dependem de decisão interna. Cotação do dólar, preço de matéria-prima, inflação setorial. Para essas, a resposta é a simulação de cenários: projetar o que acontece se a variável mudar e ter planos alternativos prontos.
Depois de aprovadas pela diretoria, as premissas são tomadas como verdade para todo o ciclo. Qualquer gestor com dúvida durante o planejamento deve consultar o quadro antes de avançar.
Metodologias: base zero ou base histórico
O curso trabalha com as duas metodologias mais usadas como ponto de partida, especialmente para quem está fazendo o primeiro ou segundo orçamento. Se ainda não definiu qual adotar, o guia de metodologia de gestão orçamentária cobre os critérios de escolha em detalhe.
Orçamento base zero (OBZ): todas as projeções partem do zero, sem pressupor os valores históricos. Cada conta e linha de receita é justificada pelos gestores com base no conhecimento do negócio e do mercado. É trabalhoso porque exige mais discussão e envolvimento, mas elimina gorduras e força uma reflexão real sobre cada item. Especialmente útil para o primeiro orçamento, quando o histórico ainda não existe ou não é confiável.
Orçamento base histórico: usa os números dos exercícios anteriores como referência para projetar o próximo. Aumenta a acuracidade das projeções e acelera o processo. Funciona bem para empresas que já operam há algum tempo e têm histórico consistente. Para saber mais sobre as diferenças práticas entre as duas abordagens, o artigo sobre orçamento base zero e orçamento base histórico detalha os critérios de escolha.
O Treasy suporta as duas metodologias sem exigir reconfiguração. Qualquer uma se encaixa dentro do mesmo plano.
Criando o ambiente de planejamento no Treasy
Com os conceitos alinhados, a aula mostra o passo a passo para criar a conta e configurar o primeiro plano.
Criar a conta: acesse www.treasy.com.br/cadastro, informe e-mail e senha, confirme o login. Em menos de dois minutos o ambiente está disponível.
Criar o plano: clique em "Novo plano" e preencha três informações:
- Nome do plano. Pode ser "Orçamento Anual 2026" ou qualquer nome que identifique o ciclo.
- Indicador primário (OMTM). A métrica mais importante que vai acompanhar o orçamento o tempo todo. Para quem não sabe qual usar, o EBITDA é a recomendação da aula: é um dos principais indicadores financeiros para avaliar desempenho e aparece detalhado nas aulas seguintes. Define a meta aqui (exemplo: R$ 1 milhão de EBITDA).
- Horizonte orçamentário. Geralmente janeiro a dezembro (12 meses). Para o primeiro orçamento, siga esse padrão.
O que o painel inicial mostra
Depois de criar o plano, a tela inicial do Treasy organiza tudo em uma visão de controle:
- Informações do plano: empresa, nome do plano, horizonte orçamentário.
- Workflow orçamentário: status atual do plano. Começa em "Definições estratégicas" (levantamento das premissas, OMTM, participantes), vai para "Em planejamento" (gestores preenchendo as projeções das áreas), depois "Em acompanhamento" (planejado bloqueado, realizado sendo registrado mês a mês) e termina em "Encerrado".
- OMTM ao vivo: conforme o planejamento é preenchido, o painel mostra quanto o acumulado está próximo ou distante da meta definida.
- DRE resumido: visão prévia das principais linhas do orçamento.
- Decomposição do OMTM: quanto cada peça orçamentária (receita, deduções, custos, despesas) contribui para o indicador principal.
- Painel de atividades: histórico de alterações de status do plano.
- Evolução gráfica: comportamento do indicador principal mês a mês.
- Planejado × Histórico e Planejado × Realizado: comparativo por mês ao longo do ciclo.
No menu de planejamento, os módulos seguem a estrutura lógica do DRE: receitas, deduções, matérias-primas, custos variáveis, pessoal, despesas e investimentos. Os relatórios (DRE e projeção de fluxo de caixa) e os gráficos e indicadores são configurados automaticamente conforme a modelagem financeira avança.
Comparativo entre as metodologias de orçamento
| Critério | Base Zero (OBZ) | Base Histórico |
|---|---|---|
| Ponto de partida | Zero: sem pressupor o passado | Histórico dos exercícios anteriores |
| Melhor para | Primeiro orçamento ou revisão radical de custos | Empresa com histórico confiável |
| Esforço | Alto: exige justificativa de cada linha | Moderado: ajusta sobre o que já existe |
| Acuracidade | Varia conforme o conhecimento dos gestores | Tende a ser mais preciso desde o início |
| Descoberta de oportunidades | Alta: reavalia premissas que se tornaram gordura | Menor: parte do que já foi validado |
| Combinação com o Treasy | Sim, sem reconfiguração | Sim, com carga do histórico disponível |
Por onde avançar
Com o ambiente criado e o plano configurado, as próximas aulas do curso começam a preencher cada peça do orçamento: projeção de vendas, custos, pessoal e, no final, o fluxo de caixa.
Se quiser aprofundar os conceitos enquanto avança nas aulas, esses artigos complementam bem:
- Como criar a modelagem financeira e orçamentária
- Premissas orçamentárias na prática
- Orçamento descentralizado e como engajar os gestores no processo
- Como fazer o planejamento orçamentário do início ao fim
- Metodologias de gestão orçamentária: visão completa de todas as variações
- Planejamento e orçamento: como as duas disciplinas se conectam
- DRE projetado: como garantir que o demonstrativo reflita a realidade
- Diferença entre DRE e DFC
Quando o orçamento estiver pronto e você quiser tirar a planilha do caminho e ter o histórico do ERP entrando automaticamente, experimente o Treasy de graça e veja o planejado e o realizado lado a lado sem retrabalho manual.
