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Como construir o orçamento empresarial em 5 passos

Aprenda a construir o orçamento empresarial em 5 passos: metas de venda, custos fixos, margem de contribuição, investimentos e carga tributária.

Neste artigo

Cinco degraus com moedas representando os passos de construcao do orcamento empresarial

Você sabe exatamente de onde vem sua meta de venda para o próximo ano? Se a resposta for "a gente cresceu X% no ano passado, então mira mais X%", o orçamento que sai daí vai ter um problema sério de fundação. Sem ancorar a meta no retorno que o capital investido precisa gerar, o número vira chute bem-apresentado, e o ano todo vai sendo gerenciado com base numa régua torta.

Este vídeo da Treasy vai direto ao ponto: cinco passos para montar o orçamento empresarial do zero. Abaixo, a gente detalha cada etapa e explica por que a ordem importa.

Capa do vídeo: Como construir o Orçamento Empresarial em 5 simples passos!Vídeo · YouTube

Por que a sequência dos 5 passos existe

Montar um orçamento fora de ordem é o erro mais comum. A maioria das empresas abre a planilha do ano passado, cola os custos com um índice de correção e só depois pergunta se as receitas sustentam tudo aquilo. O resultado é um orçamento que nasce torto: os custos definem as vendas, quando deveria ser o contrário.

Os cinco passos do vídeo invertem essa lógica. Você começa de onde a empresa precisa chegar e vai construindo a estrutura de dentro para fora. É o caminho mais curto entre o planejamento e um orçamento empresarial que realmente orienta decisões.

Passo 1: defina as metas de venda pelo retorno que o capital exige

O ponto de partida não é o histórico de vendas. É o retorno sobre o investimento (ROI) que o capital próprio aplicado na empresa precisa gerar. Se o patrimônio líquido é R$ 1 milhão e a taxa de remuneração mínima aceitável é 18% ao ano, a meta de resultado líquido já está definida: no mínimo R$ 180 mil.

A partir daí, você calcula o ponto de equilíbrio, soma a remuneração mínima e chega na meta de vendas real. Esse número ancora todo o resto do orçamento. Sem ele, cada departamento vai operar com uma régua diferente.

Quem nunca formalizou esse cálculo pode começar lendo sobre como elaborar o orçamento de vendas e sobre como realizar a previsão de vendas.

Passo 2: levante todos os custos e despesas fixas por conta e centro de resultado

Com a meta de venda definida, o segundo passo é colocar na ponta do lápis tudo o que a empresa gasta, independente do volume de vendas. Custos e despesas fixas conta a conta, centro de resultado a centro de resultado.

Esse levantamento serve para duas coisas ao mesmo tempo: calcular o ponto de equilíbrio com precisão e identificar onde há gordura para cortar. Toda linha que não passa por uma análise crítica nesse momento tende a se repetir no orçamento por inércia, sem questionar se ainda faz sentido para a estratégia do ano.

Entender a diferença entre custos diretos, indiretos, fixos e variáveis é o alicerce dessa etapa. E o orçamento de despesas tem dicas práticas de como estruturar esse levantamento por área.

Passo 3: calcule a margem de contribuição por produto, grupo ou família

Saber que a empresa precisa faturar R$ 2 milhões ainda não diz qual produto ou serviço vai entregar esse resultado. O terceiro passo é calcular a margem de contribuição por produto, grupo de produto, família ou mercadoria, conforme a estrutura de negócio.

A margem de contribuição mostra quanto cada unidade vendida sobra para cobrir os custos fixos e gerar lucro. Com ela na mão, você sabe quais produtos realmente empurram o resultado e quais consomem estrutura sem trazer retorno proporcional. Muitas revisões de mix de produto começam exatamente aqui.

Se a empresa nunca calculou isso de forma sistemática, o post sobre como calcular a margem de contribuição é um bom ponto de partida. Para quem quer detalhar por canal de venda, vale também ver margem de contribuição por canal.

Passo 4: defina claramente os investimentos e suas fontes de recursos

O quarto passo exige disciplina: levantar todos os investimentos previstos, identificar as fontes de recursos mais adequadas para cada um e calcular os custos financeiros envolvidos.

Investimento sem fonte de recurso definida é sonho, não plano. E fonte de recurso sem custo calculado é surpresa esperando acontecer. Se o crescimento exige abrir uma filial, comprar equipamento ou ampliar a equipe, isso precisa aparecer no orçamento com o custo do capital que vai financiar a decisão.

O orçamento de investimentos tem o detalhamento dessa etapa. Quem lida com projetos maiores pode se aprofundar em análise de viabilidade antes de fechar os números.

Passo 5: provisione a carga tributária operação por operação

Carga tributária já representa mais de um terço dos custos de boa parte das empresas brasileiras. Mesmo assim, é o item mais negligenciado nos orçamentos de pequenas e médias empresas: vira uma linha única de estimativa no final, quando deveria ser calculada operação por operação, identificando cada tributo dentro de cada linha de custo ou receita.

Provisionar tributos corretamente não é detalhe contábil, é precisão orçamentária. Um orçamento que subestima a carga tributária vai mostrar margens que não existem na prática, e o gestor vai tomar decisões com base num resultado que nunca vai aparecer no extrato bancário.

O post sobre gestão e planejamento tributário explica como estruturar esse olhar. Para quem opera em múltiplos regimes ou tem operações com alíquotas diferentes por produto, o cuidado precisa ser ainda maior.

Como os 5 passos se conectam numa estrutura coerente

Passo Entrega principal Erro típico sem ele
1 · Metas de venda Meta ancorada no retorno mínimo exigido pelo capital Meta baseada só em histórico, sem vínculo com o ROI
2 · Custos e despesas fixas Ponto de equilíbrio real + mapa de oportunidades de corte Custos replicados por inércia, sem questionamento
3 · Margem de contribuição Mix de produtos e serviços que sustenta o resultado Faturamento sem clareza de quais produtos pagam as contas
4 · Investimentos Capex planejado com fonte de recurso e custo financeiro Decisões de investimento fora do orçamento, sem custo do capital
5 · Carga tributária Tributos provisionados operação por operação Margem superestimada, resultado que não aparece no caixa

O que fazer depois que os 5 passos estiverem completos

Com os cinco elementos montados, você tem o orçamento base. Mas o trabalho não termina aí. O orçamento precisa ser aprovado pela diretoria, comunicado para os gestores e colocado para rodar com acompanhamento mensal.

O próximo passo natural é estruturar os cenários orçamentários, pelo menos um otimista e um pessimista, para não ser pego de surpresa quando as premissas mudarem. Depois, montar o calendário orçamentário para que cada revisão aconteça no momento certo durante o ano.

Por onde começar ainda esta semana

Se você está montando o orçamento do próximo ano, comece pelo passo 1: pegue o patrimônio líquido da empresa e defina qual a taxa mínima de retorno que você aceita. Esse número vai calibrar tudo o que vem depois.

Se quiser um modelo pronto para estruturar os dados, baixe um modelo de planilha de orçamento empresarial e adapte à realidade do seu negócio. E se a dúvida for sobre como engajar os gestores de cada área no processo, o post sobre como engajar os colaboradores no orçamento tem um caminho prático.

O orçamento empresarial só vira ferramenta de gestão quando sai do papel e entra no dia a dia das decisões. Os cinco passos são o mapa para chegar lá. Quando quiser sair da planilha e colocar o processo para rodar com os dados do seu ERP entrando automaticamente, experimente o Treasy de graça e veja a diferença na prática.

Perguntas frequentes

Qual é o primeiro passo para construir o orçamento empresarial?
Definir a meta de venda a partir do retorno mínimo exigido pelo capital investido. Se o patrimônio líquido é R$ 1 milhão e a taxa mínima aceitável é 18% ao ano, a empresa precisa gerar pelo menos R$ 180 mil de resultado. Esse número ancora toda a construção do orçamento.
Por que não devo começar o orçamento pelo histórico do ano anterior?
Porque o histórico reflete o que aconteceu, não o que precisa acontecer. Sem ancorar a meta no retorno sobre o capital investido e no ponto de equilíbrio real, o orçamento replica erros do passado e não conecta com a estratégia do negócio.
O que é ponto de equilíbrio e como ele entra no orçamento?
O ponto de equilíbrio é o volume de vendas necessário para cobrir todos os custos e despesas fixas sem gerar lucro nem prejuízo. No orçamento, ele serve como piso mínimo da meta de venda: a empresa precisa faturar acima dele para começar a gerar o retorno exigido.
Como levantar os custos e despesas fixas para o orçamento?
Listando todas as contas de custo e despesa fixas por centro de resultado, linha a linha, e avaliando criticamente cada uma. Esse levantamento identifica onde há gordura para cortar e garante que o ponto de equilíbrio calculado seja preciso.
O que é margem de contribuição e por que ela entra como um dos 5 passos?
A margem de contribuição é o quanto cada unidade vendida sobra após deduzir os custos variáveis, para cobrir os custos fixos e gerar lucro. Ela entra no orçamento porque mostra quais produtos, grupos ou famílias realmente sustentam o resultado e orienta decisões de mix de vendas.
Como calcular a margem de contribuição para o orçamento?
Subtraindo os custos e despesas variáveis diretamente ligados a cada produto do preço de venda. O resultado, dividido pelo preço, dá o percentual de margem. No orçamento, esse cálculo é feito por produto, grupo, família ou serviço conforme a estrutura de gestão da empresa.
Como tratar os investimentos no orçamento empresarial?
Levantando todos os investimentos previstos, identificando as fontes de recurso mais adequadas para cada um e calculando os custos financeiros envolvidos. Investimento sem fonte de recurso definida e sem custo calculado não é plano, é intenção.
Qual a diferença entre custo operacional e investimento no orçamento?
Custos operacionais são consumidos no período em que ocorrem e entram diretamente no resultado. Investimentos geram benefícios ao longo do tempo e entram pelo Capex, com depreciação impactando o resultado em parcelas ao longo da vida útil do ativo.
Por que a carga tributária deve ser provisionada operação por operação?
Porque tributos diferentes incidem sobre operações diferentes, com alíquotas que variam por produto, regime tributário e estado. Uma estimativa genérica no final do orçamento gera margens superestimadas e um resultado que não aparece no caixa real.
Quanto representa a carga tributária nos custos de uma empresa brasileira?
Em média, mais de um terço dos custos. Por isso negligenciar o detalhamento tributário no orçamento é um dos erros que mais distorcem a projeção de resultado das empresas brasileiras.
Qual a ordem correta dos 5 passos e por que ela importa?
A ordem correta é: (1) metas de venda, (2) custos e despesas fixas, (3) margem de contribuição, (4) investimentos, (5) carga tributária. Começar pelos custos e chegar à receita inverte a lógica e produz um orçamento que nasce distorcido, com os gastos definindo as metas em vez do contrário.
O orçamento empresarial é só para grandes empresas?
Não. O vídeo mostra que até empresas pequenas de criação de sites e lojas virtuais conseguem corrigir desvios do plano de expansão em cerca de três meses com um orçamento estruturado. O processo pode ser simples, mas a disciplina dos 5 passos se aplica a qualquer porte.
O que fazer depois que os 5 passos estiverem concluídos?
Levar o orçamento para aprovação da diretoria, comunicá-lo para os gestores e montar o processo de acompanhamento mensal. O próximo passo técnico é construir pelo menos um cenário otimista e um pessimista para preparar a empresa para variações nas premissas.
Como o orçamento empresarial se conecta com o planejamento estratégico?
O orçamento traduz as metas estratégicas em valores monetários para o período. Sem essa tradução, o planejamento estratégico fica no campo das intenções e não há como medir se a empresa está no caminho certo durante o ano.
Qual ferramenta usar para montar o orçamento empresarial?
Para começar, uma planilha estruturada com os 5 passos já resolve. Quando o processo amadurece e o volume de dados cresce, ferramentas especializadas de gestão orçamentária eliminam o retrabalho de consolidação e permitem o acompanhamento em tempo real do planejado versus o realizado.

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