O orçamento de marketing estourou em mais de 50%. E foi uma boa notícia.
Semana passada, numa análise de resultado com um cliente, apareceu esse desvio. O reflexo comum seria cortar. Mas quando abrimos os números, o faturamento tinha superado a meta — puxado justamente por esse investimento.
Aí mora um mito perigoso: "desvio orçamentário = problema".
Desvio é sinal, não sentença. A análise de desvio séria faz duas perguntas antes de qualquer corte:
1. Qual foi a causa? (decisão consciente, erro de premissa, erro de classificação?)
2. Qual foi o retorno? (o gasto extra gerou receita, margem, ou só gerou gasto?)
Gastar mais do que o planejado em algo que devolve resultado é gestão. Cortar tudo que passa da linha, sem olhar o retorno, é burocracia com aparência de disciplina.
O contrário também vale: ficar abaixo do orçamento não é automaticamente mérito. Às vezes é investimento que deixou de ser feito — e a conta chega depois.
Orçamento bom não é o que ninguém estoura. É o que provoca a conversa certa todo mês.
Como funciona aí: desvio vira análise ou vira caça ao culpado?
#orcamento #controladoria
Publicado originalmente no LinkedIn em 30 de julho de 2026. Ver o post original
