Capital próprio
O que é
É o capital que vem dos proprietários, sócios e acionistas, com origem no patrimônio líquido e nos lucros gerados pela própria atividade. Ele não precisa ser devolvido, mas o fluxo de caixa é residual e a distribuição de resultados se dá por dividendos, com maior envolvimento dos sócios nas decisões.
Aparece na conta que toda empresa em crescimento enfrenta: reinvestir o lucro ou buscar capital de terceiros, comparação detalhada em Custo de Capital: Capital Próprio ou Capital de Terceiros, o que é melhor?
Como funciona
O capital próprio entra na empresa de duas formas: o aporte inicial dos sócios e a retenção de lucros ao longo dos anos, em vez de distribuí-los integralmente. Ele fica registrado no patrimônio líquido e cresce ou encolhe conforme o resultado de cada exercício.
Diferente do capital de terceiros, ele não tem prazo de vencimento nem taxa de juros fixa, mas o dono do capital, o sócio, tem prioridade menor no recebimento em caso de dificuldade: primeiro se paga o credor, depois sobra (ou não) para o acionista, tema que aparece em tesouraria estratégica: os 4 pilares que blindam o caixa.
Exemplo prático
Uma indústria de embalagens tem patrimônio líquido de R$ 2.000.000, todo formado por aporte dos três sócios fundadores mais oito anos de lucro retido, sem nenhum empréstimo bancário em aberto.
Ao decidir expandir a planta, os sócios avaliam usar R$ 500.000 de capital próprio, reinvestindo o lucro do último ano em vez de distribuí-lo, e compararam o custo de oportunidade dessa decisão com o de tomar um financiamento equivalente, como discute o caso da Dbug Telecom, que superou a falta de previsibilidade financeira com mais controle sobre suas próprias decisões de capital.
Como interpretar e erros comuns
Capital próprio alto não é sinônimo de empresa saudável: significa baixa alavancagem, o que pode ser prudência ou pode ser deixar de crescer mais rápido usando capital de terceiros mais barato que o custo de oportunidade do sócio. Misturar capital próprio da empresa com o patrimônio pessoal do sócio é o erro que mais distorce os dois números.
Vale vigiar também: distribuir todo o lucro em dividendos sem reservar capital próprio para o crescimento, e ignorar o custo de oportunidade do capital próprio, tratando-o como se fosse gratuito, o mesmo raciocínio de quando um sócio decide sair e é preciso apurar o valuation na saída do sócio.
Para ir além
- Guia completo: Custo de Capital: o guia completo para decidir entre Capital Próprio e Capital de Terceiros
- Ferramenta: Modelo de Balanço Patrimonial em Excel: para organizar ativo, passivo e patrimônio líquido da empresa.
- Artigo: Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido: como o capital próprio se movimenta no balanço de um ano para o outro.
- Artigo: Divisão de lucros: as boas práticas para distribuir resultado entre os sócios sem desgaste.
Leve Capital próprio para dentro da rotina financeira da sua empresa.
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