Custo da mão de obra (MOD e MOI): entenda o impacto dos funcionários nas finanças da empresa

Publicado dia 9 de abril de 2018

Nós já falamos aqui no blog sobre o quanto a gestão de custos é importante para a saúde financeira de uma empresa. Afinal, é somente a partir da projeção correta desses custos que o empreendedor pode obter um orçamento empresarial mais consistente e ter mais sucesso em todos os processos que envolvem o negócio. E o custo da mão de obra, direta ou indireta, é um dos primeiros gastos que vem à mente, já que os funcionários são peças-chave em todas as outras áreas que compõem uma empresa.

Custo da mão de obra

No entanto, se é tão fácil perceber a importância da mão de obra para qualquer negócio, o mesmo não se pode dizer sobre a gestão de custos em relação a esse item. Isso porque muitos empreendedores têm dúvidas, por exemplo, em relação à projeção de mão de obra e as diferenças entre mão de obra direta e mão de obra indireta.

Se essas também são as suas dúvidas, continue a leitura e saiba como encaixar o orçamento da mão de obra na sua gestão de custos!

O que é mão de obra direta (MOD)?

Vamos falar sobre uma das principais tarefas ao pensar a mão de obra na gestão de custos: entender a diferença entre mão de obra direta e indireta, afinal, elas têm uma classificação distinta em relação aos custos e, consequentemente, são calculadas também de forma distinta.

A mão de obra direta (MOD) é aquela relacionada ao trabalho realizado diretamente na produção de determinado bem ou serviço, ou seja, que envolve as atividades ligadas com o produto fabricado. Vamos a um exemplo prático: imagine uma fábrica de chocolates repleta de funcionários.

Neste caso, a mão de obra direta é representada pelos funcionários que têm atividades voltadas diretamente à produção dos bombons e ovos de chocolate. Ou seja, são cargos como o de chocolateiro, de encarregado pelos recheios e de embalador. Outra característica da mão de obra direta é que ela permite mensurar, do ponto de vista contábil, a quantidade de mão de obra utilizada para produzir cada mercadoria, o que não é possível no caso da mão de obra indireta, como veremos a seguir.

O que é mão de obra indireta (MOI)?

É muito comum o pensamento de que a mão de obra indireta diz respeito aos trabalhadores terceirizados em uma empresa, porém, não é bem assim. Diferentemente da mão de obra direta, a mão de obra indireta (MOI) é aquela relacionada à supervisão e apoio à produção, mas que não tem relação direta com o produto, mesmo que seja fundamental para a sua fabricação e comercialização.

No caso da fábrica de chocolates, por exemplo, a mão de obra indireta representa os funcionários responsáveis pela manutenção das máquinas, limpeza, supervisão e segurança do ambiente. Quer dizer, são atividades essenciais para que a produção das mercadorias seja feita com qualidade, mas que não têm ligação direta com o produto. Essas atividades até podem ser realizadas por funcionários terceirizados, mas é importante destacar que a mão de obra indireta não é, necessariamente, terceirizada, já que esses funcionários podem fazer parte do quadro da empresa.

Outro ponto importante sobre a mão de obra indireta é que não há como mensurar qual é a participação dela na produção de cada bem ou serviço, como ocorre na mão de obra direta. Imagine como definir a participação da equipe de limpeza na produção dos ovos de chocolate. Difícil, não é? É indiscutível que seu trabalho é essencial, mas não há como dimensionar o custo do trabalho da equipe em cada item produzido.

Em relação à diferença entre os dois tipos de mão de obra, é preciso deixar claro que quando falamos em mão de obra direta, aquela relacionada diretamente ao produto, nos referimos às situações em que é possível identificar quem produziu a mercadoria e quanto tempo foi necessário para isso.

Quando isso não é possível e o custo da mão de obra precisa ser calculado por rateio ou divisões proporcionais, considera-se que a mão de obra, mesmo que ligada diretamente ao produto, é indireta. Isso ocorre, por exemplo, quando um mesmo funcionário produz ovos de chocolate e bombons. Como saber qual é o custo da sua mão de obra em relação ao produto se em um mesmo período ele esteve encarregado da produção de diversos tipos de mercadoria?

Como calcular o custo da mão de obra direta?

Agora vamos para o próximo passo: calcular o custo da mão de obra. Mas você deve estar pensando: mão de obra direta é custo fixo ou variável? Bom, a resposta não é tão simples, já que há algumas discussões em torno desse conceito.

Costuma-se dizer que a mão de obra direta representa um custo fixo, já que a legislação trabalhista do Brasil garante aos funcionários o mínimo de 220 horas trabalhadas ao mês. Isso significa que, ao fim de todo mês, o funcionário receberá o mesmo salário, já que esteve sempre disponível para a empresa, o que representa um gasto mensal fixo ao negócio.

No entanto, os profissionais da contabilidade de custos atentam para o fato de que, mesmo que o funcionário tenha estado 220 horas disponível, isso não significa que ele tenha, de fato, produzido em todas essas horas. Isso acontece porque, por vezes, ocorrem ociosidades causadas por diversos fatores, como a falta de materiais e de energia ou por algum equipamento quebrado, por exemplo.

Neste caso, essas ociosidades deixam de ser classificadas como mão de obra direta e o tempo passa a constar como custo indireto para rateio à produção. Em resumo: a folha de pagamento é considerada um custo fixo – quando obedece às 220 horas e não há possibilidade de comissões —, no entanto, o custo da mão de obra direta é variável, já que pode sofrer alterações de acordo com a produção.

Vamos, então, aos cálculos! O primeiro passo para calcular a mão de obra direta e fazer o planejamento de MOD é identificar quais são os funcionários que representam a mão de obra direta na sua empresa, isso é, aqueles que estão diretamente relacionados à produção.

Depois é necessário avaliar qual é o custo de cada um deles, levando em conta o salário, os encargos trabalhistas e todos os benefícios destinados a eles, como plano de saúde e vale alimentação, por exemplo. Neste post aqui do blog, inclusive, nós falamos mais sobre como definir o custo de um funcionário.

Por fim, o terceiro passo é dividir o valor total dos custos com esses funcionários pelo número total de horas trabalhadas ― já descontando os finais de semana e outros períodos de ociosidade. O resultado é o custo, por hora, da mão de obra direta do seu negócio.

Então, digamos que na fábrica de chocolates, o valor total da mão de obra seja R$ 140.000,00 e o número de horas em um mês seja 9.000. Fazendo a divisão, chegamos a um custo de mão de obra direta de R$ 15,55 por hora trabalhada.

Como calcular o custo da mão de obra indireta?

Como você já sabe, a mão de obra indireta é aquela que não está diretamente relacionada ao produto. Assim, diferentemente da mão de obra direta, não é possível dimensionar a sua participação na produção de cada produto, como exemplificamos no cálculo anterior.

Para mensurar o custo da mão de obra indireta e poder elaborar um planejamento de MOI, os empreendedores costumam usar métodos de rateio ou de divisões proporcionais para chegar a um custo aproximado da participação da mão de obra indireta.

Se você quiser saber mais sobre os modos de custeio, este post do nosso blog aprofunda os fundamentos dos métodos de custeio variável e por absorção com exemplos práticos!

Vendas X capacidade produtiva X mão de obra

Orçamento de mão de obra

Toda a cadeia produtiva de uma empresa envolve diversas variáveis que precisam estar em harmonia para que não haja um desequilíbrio e acabe levando o negócio ao colapso. Ao entender a importância de calcular os custos da mão de obra direta e indireta e saber o seu real impacto nas contas, você está trabalhando também para identificar a sua capacidade produtiva e, consequentemente, o que terá disponível para a venda.

Por isso que, ao cruzar todos esses indicadores, é preciso buscar o que chamamos de nível ótimo de produção, que é quando se produz em capacidade máxima utilizando toda a mão de obra disponível, colocando no mercado o maior número de produtos — tudo isso com o menor custo possível.

Para chegar a esse nível ótimo, como sempre lembramos aqui, é necessário um bom planejamento da produção, para que nenhuma ponta fique solta e todos os recursos possam ser aproveitados em sua totalidade. Vamos voltar ao nosso exemplo da fábrica de chocolates e ligá-lo ao período que antecede a Páscoa. Tradicionalmente, sabemos que os pedidos aumentam e, consequentemente, a capacidade produtiva da indústria também deve subir. Porém, a mão de obra contratada não é capaz de suprir essa necessidade, sendo necessário contratar mais funcionários.

Para saber quantas pessoas a mais será preciso incluir na folha de pagamento neste período, primeiro, os gestores têm que fazer uma análise de quanto mais vão produzir e qual o retorno garantido das vendas. Somente assim será possível manter o equilíbrio. Sem esse estudo prévio, eles podem acabar contratando 20 pessoas, quando a demanda era somente para 10, o que vai causar prejuízo, pois o tempo ocioso será alto e, no fechamento das contas, as vendas não vão suprir esses salários extras.

Para entender qual é a capacidade produtiva da sua empresa, acesse esse conteúdo que mostra vários exemplos de como fazer esse cálculo: Como planejar e calcular a capacidade produtiva? Aumente a eficiência do seu negócio

Conclusão

Como nós já dissemos por aqui, a gestão de custos é essencial para negócios de qualquer porte e segmento. Isso parece óbvio, mas nem todas as empresas dão atenção a esse processo fundamental, que acaba influenciando outras áreas do negócio. Um exemplo é a formação de preços: sem a análise de custos, como garantir que o preço do seu produto esteja correto? Como saber se você não está saindo no prejuízo?

A análise de custos também é fundamental para prospectar novos investimentos e garantir a ampliação do negócio, já que oferece suporte necessário para a tomada de decisões. Mas, afinal, como você vai fazer essa análise? Esperamos que não seja com uma tela cheia de planilhas ou com prancheta e caneta na mão!

Atualmente, há soluções diversas que oferecem facilidades ao empreendedor e à sua equipe contábil. Umas delas é o Treasy, software de Planejamento e Controladoria que oferece tudo o que você precisa em um só lugar. Com ele, você pode administrar o orçamento empresarial, ter acesso a projeções, indicadores de desempenho e relatórios de análises gerenciais e comparar as ações realizadas pela sua empresa de acordo com o planejamento. Isso tudo para facilitar o seu trabalho e oferecer apoio na tomada de decisões do seu negócio!

Para você caprichar ainda mais na hora de montar seu orçamento empresarial, preparamos um webinar que aborda questões práticas e mostra um passo a passo da elaboração desse documento. Clique na imagem abaixo e assista ao vídeo:

Webinar Orçamento Empresarial na Prática
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